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    A Copa do Mundo de 2026 é um dos eventos de futebol mais aguardados do ano. O torneio será sediado em três países: EUA, Canadá e México. Infelizmente, eventos desse porte atraem não apenas torcedores, mas também golpistas de todo o mundo. Já revelamos como os cibercriminosos estão se preparando para a Copa do Mundo e hoje estamos falando sobre segurança digital para os torcedores no México. O país sediará 13 partidas e receberá milhões de turistas. Eles ficarão hospedados em hotéis, assistirão a
     

Um estudo sobre a segurança de redes Wi-Fi no México | Blog oficial da Kaspersky

Por:GReAT
8 de Junho de 2026, 10:30

A Copa do Mundo de 2026 é um dos eventos de futebol mais aguardados do ano. O torneio será sediado em três países: EUA, Canadá e México. Infelizmente, eventos desse porte atraem não apenas torcedores, mas também golpistas de todo o mundo. Já revelamos como os cibercriminosos estão se preparando para a Copa do Mundo e hoje estamos falando sobre segurança digital para os torcedores no México.

O país sediará 13 partidas e receberá milhões de turistas. Eles ficarão hospedados em hotéis, assistirão a jogos, frequentarão restaurantes, transitarão por aeroportos e visitarão pontos turísticos populares, e em todos os lugares que forem, a tentação de se conectar a redes Wi-Fi públicas será grande.

Avaliamos mais de 84.500 (!) pontos de acesso Wi-Fi públicos na Cidade do México, em Guadalajara e em Monterrey, e temos muitas informações para compartilhar sobre a segurança deles. Alerta de spoiler: muitas redes ainda usam padrões de segurança desatualizados, então, você realmente não deve sair de férias sem proteção confiável e um eSIM.

O que foi testado e de que forma

Percorrer o México a pé à procura de pontos de acesso Wi-Fi públicos teria sido um pouco complicado, embora tenha sido exatamente isso que fizemos num estudo semelhante sobre a segurança de redes Wi-Fi em Paris. Você pode conferir os resultados desse estudo na postagem Como é a segurança das redes Wi-Fi em Paris?

Dessa vez, a missão era muito mais desafiadora: mapear o cenário de redes sem fio de três grandes metrópoles. Foi por isso que recorremos ao wardriving, ou seja, usamos um smartphone ou notebook para buscar e registrar redes sem fio de dentro de um veículo em movimento. Isso é parecido com o que seu telefone faz ao procurar redes Wi-Fi próximas constantemente. Porém, em vez de nos conectarmos a elas, apenas coletamos dados.

Todas as informações foram estritamente usadas para observação passiva e análise de infraestrutura. Os especialistas da Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky (GReAT) coletaram apenas informações de serviço transmitidas publicamente. Não houve tentativas de autenticação, interceptação de tráfego, exploração de sistemas ou interação com as redes sem fio detectadas. Os pontos de acesso móveis implementados em carros e em dispositivos móveis foram excluídos da amostra.

Nosso principal alvo era a Cidade do México, a capital do país e uma das cidades com maior densidade demográfica da América Latina. Percorremos de carro alguns dos pontos turísticos mais populares da cidade: Estádio da Cidade do México, Aeroporto Internacional, Zócalo, Paseo de la Reforma, Colonia Roma, La Condesa, Polanco e Coyoacán.

Percorremos rotas semelhantes em Guadalajara e Monterrey: estádios, avenidas principais, aeroportos e bairros populares. Abaixo, é possível ver um mapa de calor das áreas que percorremos. As regiões em vermelho representam as áreas de maior densidade de pontos de acesso público, passando pelas regiões em amarelo e verde, até chegar nas azuis, que representam a concentração mais baixa.

Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados na Cidade do México
Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados em Guadalajara
Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados em Monterrey

Usamos reconhecimento passivo por rádio para registrar 84.500 sinais e 69.500 identificadores de rede exclusivos nessas três cidades. A maioria dos sinais foi captada na Cidade do México (61,4%), seguida por Guadalajara (23,6%) e Monterrey (14,8%).

O que analisamos:

  • Identificadores de rede sem fio (SSIDs): os nomes que aparecem na lista de redes Wi-Fi disponíveis
  • Informações obtidas desses identificadores
  • Configurações padrão do roteador e como os ISPs implementam suas redes
  • Frequências usadas e características do sinal
  • Carga dos canais e uso do espectro de radiofrequência
  • Configurações de segurança das redes sem fio:
    • Redes abertas e inseguras
    • Redes com WPS ativado
    • Redes seguras (WPA2/WPA3) com WPS ativado

Você pode encontrar a versão completa do estudo no blog Securelist.

Nomes de pontos de acesso Wi-Fi públicos reveladores

Os nomes das redes (SSIDs) podem revelar muitas informações de forma involuntária sobre os fabricantes do hardware, ISPs e métodos de implementação, além de revelar se um ponto de acesso pertence a uma empresa ou a um usuário.

Cerca de 34% das redes Wi-Fi públicas registradas nem sequer alteraram seus nomes, mantendo os SSIDs originais dos fabricantes dos roteadores ou usando convenções de nomenclatura padrão dos seus ISPs. Essa pode ser uma informação bastante útil para atacantes, pois esse tipo de nome de rede permite que eles saibam qual ponto de acesso pertence a determinado provedor, qual hardware está sendo usado e a sua configuração padrão provável.

Outro fato preocupante é o grande número de redes Wi-Fi (mais de 30%) que usam o endereço MAC do ponto de acesso (BSSID) como nome da rede visível. Os primeiros bytes de um BSSID contêm um Identificador organizacional único (OUI) que revela quem é o fabricante do roteador. Essa é uma informação útil para pessoas mal-intencionadas: elas podem descobrir quem fabricou o hardware e testar vulnerabilidades específicas relativas aos modelos dessa marca.

O Wi-Fi do México está bem protegido?

Pode-se considerar que um ponto de acesso protegido com WPA2/WPA3 está mais ou menos seguro. Todos os outros mecanismos de autenticação produzem resultados muito mais fracos. Agrupamos as redes Wi-Fi públicas em quatro categorias:

  • Seguras (WPA2/WPA3)
  • Inseguras (abertas/WEP)
  • Fracas (WPA)
  • Indeterminadas

Os resultados obtidos nas três cidades são muito parecidos: cerca de 82% de todos os pontos de acesso analisados estão protegidos por padrões seguros. O protocolo WPA, que é inseguro e está desatualizado, quase não é utilizado. No entanto, mais de 10% dos pontos de acesso são completamente inseguros. Quem se conecta a essas redes corre o risco de ser vítima de interceptação de tráfego e vigilância oculta.

Mas a segurança não é avaliada apenas pelos protocolos WPA. Também verificamos a presença do WPS, o conhecido recurso que possibilita a conexão rápida a uma rede sem necessidade de senha e que é altamente vulnerável a ataques. Descobriu-se que o WPS está ativado em 47% dos pontos de acesso na Cidade do México (quase a metade), 43% em Guadalajara e 41% em Monterrey. Em média, 45% dos pontos de acesso são potencialmente vulneráveis a ataques relacionados ao WPS, o que representa um sacrifício à segurança em nome da conveniência.

Além disso, esse recurso permaneceu ativo com frequência até mesmo em redes WPA2/WPA3 aparentemente seguras (cerca de metade delas utilizava WPS). Isso mostra que, para que um ponto de acesso Wi-Fi seja considerado seguro, não basta ter WPA2/WPA3, pois recursos adicionais, como o WPS, ainda podem viabilizar ataques.

O que mais os turistas precisam saber

Os riscos digitais em uma viagem não se limitam apenas a redes Wi-Fi públicas, especialmente porque muitas pessoas estão migrando do Wi-Fi público para um eSIM. Ainda há muitas ameaças em lugares com grande movimentação de pessoas: carregadores USB públicos, códigos QR com links trocados, ataques por meio de NFC e Bluetooth e, é claro, táticas de engenharia social. Vamos nos aprofundar em cada um desses fatores.

Estações de carregamento. Os carregadores USB públicos também podem ser perigosos: pessoas mal-intencionadas podem obter acesso aos dados no seu dispositivo ou tentar instalar um malware. Detalhamos esses ataques na nossa postagem Roubo de dados durante o carregamento do smartphone.

Códigos QR perigosos. Os criminosos podem disseminar códigos QR contendo phishing em pontos turísticos populares. Os pretextos podem variar bastante; por exemplo, anúncios de “eventos” para torcedores de um time específico ou links que supostamente oferecem descontos ou exibem cardápios de restaurantes. Na realidade, qualquer código QR postado na rua pode ser considerado inseguro por padrão, e você não deve utilizar seu smartphone para lê-los, a menos que tenha um Analisador de ameaças de códigos QR instalado.

Transmissões, ingressos e bolões falsos. Em postagens anteriores, descrevemos casos em que pessoas mal-intencionadas estavam distribuindo malware por meio de aplicativos IPTV falsos para aproveitar da empolgação em torno da Copa do Mundo de 2026. Lembre-se, mesmo que você planeje assistir aos jogos em casa, ainda precisa ficar alerta e não confiar em qualquer site que anuncie transmissões gratuitas, ofereça bolões ou prometa pagamentos bastante generosos.

Ataques por NFC e Bluetooth. Deixar o Bluetooth ativado em locais com grande movimentação de pessoas também pode causar problemas: alguém pode tentar descobrir seu dispositivo, rastreá-lo ou fazer uma solicitação de pareamento indesejada. Os serviços NFC com pagamentos sem contato também oferecem riscos, especialmente com relação a pagamentos em locais suspeitos.

Como proteger a si mesmo e seus dispositivos

Apesar da prevalência de pontos de acesso Wi-Fi públicos WPA2/WPA3 seguros na Cidade do México, em Guadalajara e em Monterrey, nosso estudo mostra que as redes Wi-Fi públicas continuam vulneráveis. Também é importante lembrar que os invasores podem criar redes falsas (as chamadas gêmeas do mal) disfarçadas de redes Wi-Fi públicas legítimas em aeroportos, hotéis, cafeterias e pontos turísticos.

É quase impossível para um usuário comum dizer o quanto um ponto de acesso específico é seguro ao tentar se conectar a ele. É por isso que a opção mais segura é usar dados móveis para acessar a Internet, eliminando por completo a necessidade de Wi-Fi. Além disso, não há necessidade de pesquisar as leis locais, tarifas e outras informações relativas a redes móveis para cada país que você planeja visitar. Basta comprar um cartão eSIM global  on-line em dois cliques. Explicamos como facilitar todo esse processo na postagem Internet móvel com a Kaspersky eSIM Store.

Se você ainda planeja usar uma rede Wi-Fi pública, sempre use uma VPN para proteger seu dispositivo e dados ao se conectar a redes Wi-Fi desconhecidas e desprotegidas. Isso cria um túnel criptografado entre o seu dispositivo e o servidor VPN, impossibilitando a interceptação dos seus dados ao longo do caminho. Ainda não escolheu uma VPN? Experimente a Kaspersky Secure Connection, que está incluída nas assinaturas do Kaspersky Premium e do Kaspersky Plus.

Agora, se você ainda planeja participar da Copa do Mundo sem nenhuma solução de segurança cibernética, pelo menos siga estas regras básicas de higiene digital:

  • Não use carregadores USB públicos
  • Não envie informações confidenciais por conexões que não são seguras
  • Não faça login em contas bancárias, e-mail ou redes sociais por meio de redes Wi-Fi inseguras
  • Desative o Bluetooth e o NFC ao frequentar lugares com grande movimentação de pessoas
  • Não confie nos códigos QR postados na rua
  • Somente se conecte a um Wi-Fi público quando for absolutamente necessário

Leia também os seguintes artigos e garanta que torcer pelo seu time favorito não seja apenas emocionante, mas também seguro:

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  • Como proteger sua organização contra vulnerabilidades de Wi-Fi do AirSnitch Stan Kaminsky
    Na conferência de segurança da informação NDSS Symposium 2026, realizada em fevereiro em San Diego, um renomado grupo de pesquisadores apresentou um estudo que revelou o ataque AirSnitch, capaz de contornar o recurso de isolamento de clientes Wi-Fi, também conhecido como rede de visitantes ou isolamento de dispositivos. Esse ataque permite conectar-se a uma rede sem fio por meio de um ponto de acesso e, a partir daí, acesse outros dispositivos conectados, inclusive os que usam identificadores de
     

Como proteger sua organização contra vulnerabilidades de Wi-Fi do AirSnitch

12 de Maio de 2026, 09:00

Na conferência de segurança da informação NDSS Symposium 2026, realizada em fevereiro em San Diego, um renomado grupo de pesquisadores apresentou um estudo que revelou o ataque AirSnitch, capaz de contornar o recurso de isolamento de clientes Wi-Fi, também conhecido como rede de visitantes ou isolamento de dispositivos. Esse ataque permite conectar-se a uma rede sem fio por meio de um ponto de acesso e, a partir daí, acesse outros dispositivos conectados, inclusive os que usam identificadores de rede (SSIDs) diferentes no mesmo hardware. Os dispositivos-alvo podem facilmente estar em sub-redes sem fio protegidas por WPA2 ou WPA3. Na verdade, o ataque não quebra a criptografia; ele explora a maneira como os pontos de acesso lidam com chaves de grupo e roteamento de pacotes.

Na prática, isso significa que redes de visitantes oferecem um nível muito baixo de segurança real. Se as redes corporativa e de visitantes estiverem no mesmo dispositivo físico, o AirSnitch permite que um invasor conectado injete tráfego malicioso em SSIDs vizinhos. Em alguns casos, ele pode até realizar um ataque man-in-the-middle (MitM) completo.

A segurança do Wi-Fi e o papel do isolamento

A segurança do Wi-Fi está em constante evolução. Sempre que surge um ataque viável contra a geração de proteção mais recente, o setor responde com algoritmos e processos mais complexos. Esse ciclo começou com os ataques FMS, usados para quebrar chaves de criptografia WEP, e continua até hoje. Exemplos recentes incluem os ataques KRACK ao WPA2 e os FragAttacks, que afetam todas as versões do protocolo de segurança WEP até WPA3.

Atacar redes Wi-Fi modernas de forma eficaz (e discreta) não é uma tarefa simples. A maioria dos profissionais considera que usar WPA2/WPA3 com chaves complexas e separar redes por finalidade costuma ser suficiente para a proteção. No entanto, apenas especialistas sabem que o isolamento de clientes nunca foi padronizado nos protocolos IEEE 802.11. Fabricantes diferentes implementam esse isolamento de formas distintas, usando a Camada 2 ou 3 da arquitetura de rede (ou seja, no roteador ou no controlador Wi-Fi), o que significa que o comportamento de sub-redes isoladas varia bastante dependendo do ponto de acesso específico ou do modelo do roteador.

Embora o marketing afirme que o isolamento de clientes é ideal para impedir que visitantes de restaurantes ou hotéis ataquem uns aos outros, ou para garantir que visitantes corporativos não possam acessar nada além da Internet, na prática, esse isolamento muitas vezes depende do fato de ninguém tentar explorá-lo. É justamente isso que a pesquisa sobre o AirSnitch demonstra.

Tipos de ataques AirSnitch

O nome AirSnitch não se refere a uma única vulnerabilidade, mas a toda uma família de falhas de arquitetura em pontos de acesso Wi-Fi. Também é o nome de uma ferramenta de código aberto usada para testar roteadores quanto a esses pontos fracos específicos. Ainda assim, os profissionais de segurança precisam lembrar que a linha entre teste e ataque é bastante tênue.

O modelo desses ataques é sempre parecido: um cliente malicioso se conecta a um ponto de acesso com isolamento ativado. Outros usuários (as vítimas) estão conectados ao mesmo SSID ou a SSIDs diferentes no mesmo ponto de acesso. Esse cenário é comum; por exemplo, uma rede de visitantes pode estar aberta e sem criptografia, ou um invasor pode simplesmente obter a senha do Wi-Fi de visitante se passando por um visitante legítimo.

Para determinados ataques AirSnitch, o invasor precisa saber previamente o endereço MAC ou o IP da vítima.  Em última análise, a eficácia de cada ataque depende do fabricante do hardware (veja mais detalhes abaixo).

Ataque de GTK

Após o handshake do WPA2/WPA3, o ponto de acesso e os clientes compartilham uma Group Transient Key (GTK) para lidar com o tráfego de broadcast. Nesse cenário, o invasor encapsula os pacotes destinados a uma vítima específica dentro de um pacote de tráfego de transmissão. Em seguida, ele envia esses pacotes diretamente à vítima, falsificando o endereço MAC do ponto de acesso. Esse ataque permite apenas a injeção de tráfego, o que significa que o invasor não recebe uma resposta. Mesmo assim, já é suficiente para enviar anúncios de roteamento ICMPv6 maliciosos ou mensagens DNS e ARP ao cliente, ignorando efetivamente o isolamento. Essa é a forma mais universal do ataque, funcionando em redes WPA2/WPA3 que usam uma GTK compartilhada. Alguns pontos de acesso corporativos, no entanto, permitem a randomização da GTK por cliente, o que neutraliza esse método.

Redirecionamento de pacotes de transmissão

Nessa versão do ataque, o invasor nem precisa se autenticar primeiro no ponto de acesso. Ele envia pacotes ao ponto de acesso com um endereço de destino de transmissão (FF:FF:FF:FF:FF:FF) e a sinalização ToDS definida como 1.  Como resultado, muitos pontos de acesso tratam esse pacote como tráfego de transmissão legítimo, o criptografam usando a GTK e o enviam para todos os clientes na sub-rede, incluindo a vítima. Assim como no método anterior, é possível encapsular o tráfego especificamente destinado a uma única vítima dentro dos pacotes.

Redirecionamento via roteador

Esse ataque explora uma falha de arquitetura entre as Camadas de segurança 2 e 3 presente no hardware de alguns fabricantes. O invasor envia um pacote ao ponto de acesso, definindo o endereço IP da vítima como destino na camada de rede (L3).  No entanto, na camada sem fio (L2), o destino é definido como o próprio endereço MAC do ponto de acesso, evitando que o filtro de isolamento seja acionado. O subsistema de roteamento (L3) depois encaminha o pacote de volta à vítima, contornando completamente o isolamento da L2. Assim como nos métodos anteriores, trata-se de um ataque apenas de transmissão em que o invasor não vê a resposta.

Roubo de porta para interceptação de pacotes

O invasor se conecta à rede usando uma versão falsificada do endereço MAC da vítima e inunda a rede com respostas ARP dizendo: “este endereço MAC está na minha porta e SSID”.  O roteador da rede alvo atualiza suas tabelas MAC e começa a enviar o tráfego da vítima para essa nova porta. Com isso, o tráfego destinado à vítima acaba sendo recebido pelo invasor, mesmo que a vítima esteja conectada a outro SSID.

Se o invasor estiver em uma rede aberta e sem criptografia, isso significa que o tráfego destinado a um cliente em uma rede protegida por WPA2/WPA3 pode acabar sendo transmitido “em claro”, permitindo que qualquer pessoa próxima o capture.

Roubo de porta para envio de pacotes

Nessa versão, o invasor se conecta diretamente ao adaptador Wi-Fi da vítima e o bombardeia com solicitações ARP, falsificando o endereço MAC do ponto de acesso. Como resultado, o computador da vítima passa a enviar seu tráfego ao invasor em vez da rede. Ao combinar essas duas técnicas de roubo de porta, um invasor pode, em vários cenários, realizar um ataque completo de MitM.

Consequências práticas dos ataques AirSnitch

Ao combinar várias dessas técnicas, um hacker pode realizar algumas ações bastante graves:

  • Interceptação completa de tráfego bidirecional para um ataque MitM. Isso significa que o invasor pode capturar e modificar dados entre a vítima e o ponto de acesso sem que ela perceba.
  • Movimentação entre SSIDs. Um invasor em uma rede de visitantes pode alcançar hosts em uma rede corporativa restrita, desde que ambas usem o mesmo ponto de acesso físico.
  • Ataques ao RADIUS. Como muitas empresas usam a autenticação via RADIUS no Wi-Fi corporativo, um invasor pode falsificar o endereço MAC do ponto de acesso para interceptar os pacotes iniciais de autenticação RADIUS. A partir daí, ele pode tentar descobrir o segredo compartilhado por força bruta. Com isso em mãos, ele pode criar um servidor RADIUS e um ponto de acesso falsos para capturar dados de qualquer dispositivo que se conecte a eles.
  • Exposição de dados não criptografados em sub-redes “seguras”: o tráfego que deveria estar protegido por WPA2/WPA3 pode ser retransmitido a um cliente em uma rede de visitantes aberta, ficando exposto a qualquer pessoa próxima.

Para executar esses ataques com eficiência, um hacker precisa de um dispositivo capaz de transmitir e receber dados simultaneamente com o adaptador e o ponto de acesso da vítima. Em um cenário do mundo real, isso geralmente envolve um notebook com dois adaptadores Wi-Fi usando drivers Linux configurados especificamente para esse tipo de operação. Vale destacar que o ataque não é totalmente discreto: ele gera um grande volume de pacotes ARP, pode causar pequenas instabilidades no Wi-Fi quando é iniciado e reduzir a velocidade para cerca de 10 Mbps. Mesmo com esses sinais, ainda representa uma ameaça real em muitos ambientes.

Dispositivos vulneráveis

Como parte do estudo, vários pontos de acesso e roteadores corporativos e domésticos foram testados. A lista incluiu produtos da Cisco, Netgear, Ubiquiti, Tenda, D-Link, TP-Link, LANCOM e ASUS, além de roteadores com firmwares populares na comunidade, como DD-WRT e OpenWrt. Todos os dispositivos testados apresentaram vulnerabilidade a pelo menos algumas das técnicas descritas. Mais preocupante ainda: os modelos D-Link DIR-3040 e LANCOM LX-6500 foram vulneráveis a todas as variações do AirSnitch.

Curiosamente, alguns roteadores já contam com mecanismos de proteção que bloqueiam esses ataques, mesmo que as falhas de arquitetura de base continuem presentes. Por exemplo, o Tenda RX2 Pro desconecta automaticamente qualquer cliente cujo endereço MAC apareça simultaneamente em dois BSSIDs, o que na prática impede o roubo de porta.

Os pesquisadores destacam que qualquer administrador de rede ou equipe de segurança de TI que leve a proteção a sério deve testar suas próprias configurações. Essa é a única maneira de identificar exatamente quais ameaças se aplicam ao ambiente da organização.

Como proteger a rede corporativa contra o AirSnitch

O risco é maior para organizações que operam redes Wi-Fi de visitantes e corporativa no mesmo ponto de acesso, sem segmentação adicional por VLAN. Também há riscos significativos para empresas que utilizam RADIUS com configurações desatualizadas ou segredos compartilhados fracos para autenticação sem fio.

Em resumo, é preciso deixar de tratar o isolamento de clientes como uma medida real de segurança e passar a vê-lo apenas como um recurso de conveniência. A segurança real precisa ser tratada de outra forma:

  • Segmentar a rede com VLANs. Cada SSID deve ter sua própria VLAN, com marcação de pacotes 802.1Q aplicada de ponta a ponta: do ponto de acesso até o firewall ou roteador.
  • Implementar inspeção de pacotes mais rigorosa no nível de roteamento, dependendo dos recursos de hardware. Recursos como Inspeção dinâmica de ARP, DHCP snooping e limitação do número de endereços MAC por porta ajudam a proteger contra a falsificação de IP/MAC.
  • Ativar chaves GTK individuais por cliente, se o equipamento for compatível.
  • Usar configurações mais robustas de RADIUS e 802.1X, incluindo conjuntos de cifras modernos e segredos compartilhados robustos.
  • Registrar e analisar anomalias de autenticação EAP/RADIUS no SIEM. Isso ajuda a identificar diversas tentativas de ataque além do AirSnitch. Outros sinais de alerta a serem observados incluem um mesmo endereço MAC aparecendo em diferentes SSIDs, picos de solicitações ARP ou clientes alternando rapidamente entre BSSIDs ou VLANs.
  • Aplicar segurança em camadas superiores na topologia de rede. Muitos desses ataques perdem força se a organização tiver implementado TLS e HSTS de forma abrangente em todo o tráfego de aplicações corporativas, exigir o uso de VPN ativa em todas as conexões Wi-Fi ou tiver adotado plenamente uma arquitetura de confiança zero.

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