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    Os pesquisadores de cibersegurança descobriram uma nova família de malware para Android, chamada Manic. Esse malware permite que criminosos espionem vítimas, roubem credenciais bancárias e assumam o controle remoto de dispositivos infectados. Mas seu truque mais extraordinário é o seguinte: o Manic pode repassar os dados roubados aos invasores, mesmo quando o dispositivo em questão não tiver conexão com a Internet. Aparentemente, interrupções aleatórias da Internet móvel parecem atrapalhar os ci
     

Este malware para Android rouba credenciais bancárias mesmo sem conexão com a Internet

11 de Setembro de 2026, 10:10

Os pesquisadores de cibersegurança descobriram uma nova família de malware para Android, chamada Manic. Esse malware permite que criminosos espionem vítimas, roubem credenciais bancárias e assumam o controle remoto de dispositivos infectados.

Mas seu truque mais extraordinário é o seguinte: o Manic pode repassar os dados roubados aos invasores, mesmo quando o dispositivo em questão não tiver conexão com a Internet. Aparentemente, interrupções aleatórias da Internet móvel parecem atrapalhar os cibercriminosos tanto quanto qualquer outra pessoa, então os agentes por trás do Manic criaram uma solução alternativa incomum.

Pessoas em vários países europeus estão em risco, da Rússia ao Reino Unido. Nesta postagem, explicamos o que esse cavalo de Troia pode realmente fazer, como ele envia clandestinamente os dados roubados aos invasores e como você pode proteger seu dispositivo Android contra Manic e outras ameaças semelhantes.

Como o Manic se espalha e quem está em risco

Os pesquisadores ainda não identificaram exatamente como os invasores estão instalando o Manic nos dispositivos das pessoas. Normalmente, malware como esse se espalha por meio de canais como:

  • Aplicativos infectados em lojas de aplicativos legítimas
  • Arquivos APK maliciosos compartilhados em sites piratas
  • Links de download enviados por meio de aplicativos de mensagens e e-mail
  • Sites fraudulentos

O Google disse a jornalistas que não encontrou nenhum vestígio do Manic se disseminando por meio de aplicativos da Google Play Store. Isso sugere que os usuários provavelmente estão instalando aplicativos infectados de fontes não oficiais.

Os especialistas rastrearam o início da infraestrutura dos invasores nesta campanha até fevereiro de 2026. As primeiras amostras do próprio malware foram encontradas no final de maio deste ano. Desde então, os criminosos por trás do cavalo de Troia refinaram as formas de se esconder da detecção no dispositivo da vítima.

Atualmente, o Manic combina os poderes de um cavalo de Troia bancário, spyware e uma ferramenta de acesso remoto que permite que um invasor controle o dispositivo. Os invasores estão especialmente interessados em dados de fontes como:

  • Aplicativos bancários e serviços de pagamento
  • Aplicativos oficiais do governo
  • Carteiras e plataformas de negociação de criptomoedas
  • Aplicativos de autenticação de dois fatores
  • Mensagens de texto e notificações: principalmente os códigos de uso único usados para verificar logins ou aprovar transações

Ao analisar quais aplicativos bancários o Manic tem como alvo, os pesquisadores conseguiram descobrir quais países ele pretende atingir. Acontece que seu alcance é amplo, abrangendo Áustria, República Tcheca, Estônia, França, Alemanha, Lituânia, Holanda, Polônia, Rússia, Eslováquia, Espanha, Ucrânia e Reino Unido.

Senhas roubadas, códigos interceptados, controle remoto: o que o Manic pode realmente fazer

Vamos analisar exatamente quais informações o Manic rouba e como ele consegue obtê-las. O principal truque do malware consiste em abusar dos serviços de acessibilidade do Android, um conjunto de recursos integrados desenvolvidos para ajudar usuários com deficiências visuais. Usados da forma pretendida, esses recursos são genuinamente úteis para pessoas com perda de visão. Mas os criminosos há muito tempo exploram silenciosamente essas ferramentas para seus próprios interesses.

Depois que o usuário concede ao aplicativo permissão para usar os Serviços de Acessibilidade, esse aplicativo pode “ver” o texto e os botões na tela, interagir com eles, rolar pelas páginas e executar ações automaticamente, tudo como se o próprio usuário estivesse fazendo isso. Os invasores usam esse recurso para ler mensagens na tela, conceder silenciosamente permissões extras ao malware, interferir nas tentativas de desinstalá-lo, desativar as proteções de segurança ou controlar outros aplicativos sem que a vítima perceba.

Com o Manic, esse abuso dos serviços de acessibilidade é combinado com os recursos avançados do próprio cavalo de Troia. Ele pode gerar um teclado invisível que fica sobreposto ao teclado real do telefone. Quando o usuário digita sua senha para fazer login em um aplicativo bancário, o Manic registra exatamente quais teclas foram pressionadas. Em seguida, ele usa os serviços de acessibilidade para reproduzir instantaneamente a mesma sequência de teclas no teclado do aplicativo real.

O Manic gera uma camada de captura transparente que cobre o teclado do telefone

O Manic gera uma camada de captura transparente que cobre o teclado do telefone, registra cada toque e o retransmite ao teclado real. Fonte

Isso significa que os invasores não precisam criar uma tela de login falsa para cada aplicativo que desejam alcançar. Uma vez que o Manic funciona como uma camada invisível sobre o aplicativo genuíno, tudo parece e se comporta como de costume, portanto, o proprietário do telefone não tem motivos para suspeitar que está entregando seu PIN ou senha a um criminoso.

O Manic não registra simplesmente tudo o que o usuário digita. Ele reconhece automaticamente o tipo de informação capturada e a classifica em categorias: senhas, logins de e-mail, códigos SMS de quatro a seis dígitos, sequências de caracteres que se parecem com frases-semente de carteiras de criptomoedas e códigos de desbloqueio ou padrões de desbloqueio do telefone. Juntamente com o próprio texto capturado, o Manic também registra de qual aplicativo ele veio, quando foi inserido, se o usuário o digitou manualmente ou usou o preenchimento automático e se o aplicativo está em sua lista de alvos.

As capacidades do Manic não param na coleta de informações. Usando os serviços de acessibilidade novamente, ele também permite que os invasores assumam o controle remoto de um dispositivo infectado. Para ocultar essa atividade, o Manic pode exibir uma tela preta ou fingir que está realizando uma atualização do sistema.

Além de usar os serviços de Acessibilidade, o malware também solicita permissão para ler mensagens de texto e notificações. Isso permite que os invasores interceptem códigos de autenticação de dois fatores e códigos de verificação de uso único antes que a vítima tenha a chance de digitá-los no aplicativo.

Em suma, o malware dá aos invasores não apenas senhas, credenciais bancárias e códigos de verificação, mas também a capacidade de controlar remotamente o telefone da vítima.

Nem mesmo ficar offline impede o roubo de dados por parte do malware

O método original do Manic para retransmitir dados roubados do dispositivo para os invasores merece uma menção especial. Ainda hoje, os dispositivos ficam offline com mais frequência do que as pessoas poderiam esperar, e os criadores do Manic criaram uma solução alternativa especificamente para essas situações.

Normalmente, um malware como esse coleta informações no dispositivo e as envia diretamente para um servidor controlado pelos invasores. Mas o que acontece quando o dispositivo infectado não tem acesso direto à Internet ou não consegue acessar o servidor de comando e controle por algum outro motivo?

Nesse caso, o Manic simplesmente armazena os dados roubados no dispositivo e começa a verificar nas proximidades outros telefones infectados que possam ser acessados por Wi-Fi ou Bluetooth. Se encontra algum com acesso à Internet, ele transfere os dados criptografados para esse telefone, que então os encaminha para o servidor dos invasores.

Mas não para por aí. Os dados podem passar por uma cadeia de dispositivos infectados. Por padrão, o Manic permite até quatro desses dispositivos de retransmissão na cadeia. Se nenhum dispositivo adequado estiver próximo, os dados simplesmente permanecem no telefone original e o Manic tenta novamente mais tarde.

Como proteger seu telefone do Manic e de outros cavalos de Troia bancários

Os malwares para Android estão cada vez mais sofisticados. Por isso, vale a pena lembrar e, de fato, seguir alguns hábitos básicos de higiene digital para usuários de telefones e tablets Android:

  • Evite instalar aplicativos de fontes não oficiais.
  • Não conceda permissão a aplicativos para usar os Serviços de Acessibilidade, a menos que isso seja absolutamente necessário e você entenda exatamente por que eles precisam dessa permissão.
  • Instale um software de segurança confiável em todos os seus dispositivos, execute verificações regularmente e leve seus avisos e recomendações a sério. Recomendamos o Kaspersky para Android. Nossos aplicativos de segurança para Android estão temporariamente indisponíveis na Google Play Store, portanto, para instalá-los em um dispositivo Android, recomendamos usar uma loja de aplicativos alternativa ou instalar o arquivo APK manualmente a partir de nosso site. Um guia passo a passo completo está disponível em nossa postagem Como instalar ou atualizar apps da Kaspersky para Android em 2026.

O malware não tem como alvo apenas os smartphones; ele também se sente em casa em outros dispositivos com Android, de dispositivos de streaming a… carros. Confira os detalhes em nossos posts relacionados:

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  • Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky Maxim Baybarin
    O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo. Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia
     

Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky

24 de Julho de 2026, 09:00

O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo.

Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia. Superar emocionalmente o término pode levar bastante tempo, mas há medidas que você pode tomar desde já para reforçar sua segurança, mesmo que não ajudem a superar seu ex-parceiro.

Veja o que vale a pena verificar após uma separação, quais serviços devem ser desvinculados e por que isso é importante, mesmo quando o término acontece de forma amigável.

Higiene digital: seu seguro contra problemas

Revogar o acesso do seu ex-parceiro às suas contas online não é paranoia, é uma forma de proteger sua própria segurança. Uma separação não rompe automaticamente os vínculos digitais: todo acesso concedido durante o relacionamento continua ativo até que alguém o revogue manualmente. Na maioria das vezes, ninguém pretende explorar esse acesso de forma maliciosa. Ainda assim, ele pode resultar em situações constrangedoras ou até em um risco real de rastreamento.

Foi o que aconteceu com Aleta Dignard-Fung, de Las Vegas, que contou à NPR que, após terminar com o namorado, nem lhe ocorreu que ele ainda sabia sua senha do Spotify. Um dia, enquanto tomava banho ouvindo música, ela percebeu que sua playlist havia mudado de repente. O ex-parceiro tinha acessado a conta em outro dispositivo e estava reproduzindo as músicas que ele havia escolhido. “Foi como uma guerra no Spotify. Passamos uns 10 minutos tentando sobrescrever as músicas um do outro”, contou. Mas as consequências nem sempre são tão inofensivas.

Nessa mesma entrevista, a consultora de relacionamentos Susan Winter relatou um caso de sua própria prática profissional. Um de seus clientes simplesmente não conseguia superar a ex-namorada após o término. Os dois compartilhavam uma conta no OpenTable, serviço de reservas em restaurantes, e ela nunca revogou o acesso dele à conta. Ele passou a acompanhar todas as reservas feitas por ela: para onde ela iria, em que horário e para quantas pessoas. Era assim que ele acompanhava se havia alguém novo na vida dela.

Embora revelem comportamentos bastante diferentes por parte dos ex-parceiros, essas duas histórias têm a mesma origem: contas que nunca foram devidamente bloqueadas após o término. No primeiro caso, isso gerou uma situação constrangedora. No segundo, provocou ansiedade e uma sensação real de estar sendo observada. Para evitar que qualquer um desses cenários aconteça com você, vale a pena seguir uma lista de verificação simples.

Encerre as sessões do seu ex-parceiro

Nas configurações das suas redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail e outros serviços importantes, abra a lista de sessões ativas e encerre todas, exceto as dos dispositivos que você utiliza atualmente.

Redefina suas senhas

Atualize as senhas de todas as contas importantes que seu parceiro possa ter conhecido, por exemplo, caso você utilizasse uma data significativa como senha. Se você reutilizava a mesma senha em vários serviços, redefina-a em todos eles. Aproveite também para revisar as perguntas de segurança e o e-mail ou número de telefone de recuperação da conta, garantindo que nenhum deles ainda esteja vinculado ao seu ex-parceiro. Para evitar o trabalho de memorizar novas credenciais e, ao mesmo tempo, aumentar sua segurança, recomendamos usar um gerenciador de senhas, que gera uma senha forte e exclusiva para cada conta, além de armazená-las e sincronizá-las em todos os seus dispositivos. Assim, você só precisa se lembrar de uma única senha principal.

Verifique a autenticação de dois fatores e os dispositivos confiáveis

Assegure-se de que os códigos de verificação sejam enviados somente para o seu dispositivo. Remova os dispositivos do seu ex-parceiro da lista de dispositivos confiáveis. Você pode fazer isso nas configurações da sua conta Apple ou Google.

Desvincule contas Apple e Google compartilhadas

Se vocês compartilhavam uma conta Apple ou Google, desconecte-se dessa conta. Desative o Compartilhamento Familiar, o iCloud e os backups. Verifique também os álbuns de fotos compartilhados: tudo o que for adicionado automaticamente a eles também poderá ser visto pelo seu ex-parceiro.

Revise suas assinaturas

Se vocês compartilhavam assinaturas, como serviços de streaming ou planos familiares, cancele-as ou crie novas e vincule-as ao seu próprio cartão.

Verifique seus cartões bancários

Se o cartão do seu ex-parceiro estiver vinculado a uma conta de marketplace, aplicativo de entrega ou transporte por aplicativo que pertence a você, remova-o dos métodos de pagamento salvos. e o seu cartão estiver vinculado à conta da outra pessoa e você não tiver mais acesso a ela, a opção mais segura é solicitar a emissão de um novo cartão.

Revogue o acesso à sua casa inteligente

Revogue o acesso do seu ex-parceiro a câmeras, campainhas inteligentes com vídeo, rastreadores GPS e alto-falantes inteligentes. Se os dispositivos estiverem vinculados a uma conta compartilhada, redefina a senha ou transfira-os para sua conta pessoal.

Revise suas configurações de privacidade

erifique as configurações de privacidade das suas contas em diversos serviços e nas redes sociais usando nossa ferramenta online gratuita, Privacy Checker. Ela orienta você na configuração da privacidade de acordo com seu sistema operacional, plataforma e até mesmo seu navegador.

Se perceber sinais de perseguição

Procure organizações de apoio ou de assistência jurídica: elas podem ajudar você a definir o melhor curso de ação. Também vale a pena contar com o apoio de familiares e amigos próximos para enfrentar esse momento difícil. Em dispositivos Android, você pode usar nosso pacote de segurança com o recurso Quem está me espionando. Ele foi desenvolvido para ajudar a detectar rastreamento e perseguição, permitindo que você tome as medidas adequadas para se proteger. O recurso inclui:

  • Detecção de stalkerware. Identifica aplicativos criados para monitorar sua vida em segredo e coletar informações que você jamais gostaria de ver compartilhadas com outras pessoas.
  • Verificação de Dispositivo. Encontra rastreadores instalados de forma oculta que permitem que alguém acompanhe seus deslocamentos e saiba onde você está o tempo todo.
  • Controle de permissões. Mostra quais aplicativos têm acesso a permissões que podem facilitar a espionagem ou comprometer sua privacidade.

O que realmente pode ajudar, e o que pode piorar a situação durante esse momento tão difícil? Confira nossas outras postagens:

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  • Como gerenciar assinaturas com segurança | Blog oficial da Kaspersky rafaeromer
    Você já tentou calcular quanto gasta por mês com assinaturas? Música, filmes, jogos, cursos de idiomas, serviços de delivery, assinatura de bancos aquecidos e até mesmo a possibilidade de conversar com o bot Grok diretamente do seu veículo: hoje existe assinatura para praticamente tudo. Há até mesmo serviços de assinatura criados especificamente para… acompanhar suas outras assinaturas. O número de assinaturas varia bastante dependendo de onde você mora, mas, estatisticamente, 78% dos adultos no
     

Como gerenciar assinaturas com segurança | Blog oficial da Kaspersky

28 de Maio de 2026, 10:00

Você já tentou calcular quanto gasta por mês com assinaturas? Música, filmes, jogos, cursos de idiomas, serviços de delivery, assinatura de bancos aquecidos e até mesmo a possibilidade de conversar com o bot Grok diretamente do seu veículo: hoje existe assinatura para praticamente tudo. Há até mesmo serviços de assinatura criados especificamente para… acompanhar suas outras assinaturas.

O número de assinaturas varia bastante dependendo de onde você mora, mas, estatisticamente, 78% dos adultos no mundo possuem pelo menos uma assinatura paga, e o usuário médio gerencia 5,6 serviços ativos. Além disso, uma grande parte dessas assinaturas são planos familiares usados por grupos de parentes próximos… e, às vezes, por outras pessoas também: 37% dos usuários compartilham suas assinaturas fora do núcleo familiar imediato.

Como contas de assinatura, especialmente planos familiares, costumam conter dados pessoais sensíveis, elas se tornaram um alvo prioritário para cibercriminosos. Hoje, vamos analisar como gerenciar suas assinaturas com segurança, evitar que suas contas sejam comprometidas e não cair nos golpes mais recentes dos golpistas.

Segurança de contas e assinaturas compartilhadas

Por que alguém poderia querer invadir sua assinatura? Mesmo que o serviço ofereça apenas entretenimento, sua conta quase certamente contém informações sensíveis: nome, endereço, e-mail, telefone, nomes de outros membros e outros dados de identificação pessoal. Esses dados são, então, vendidos na dark web e usados para novos ataques.

Os invasores comprometem contas de assinatura por meio de engenharia social e phishing ou explorando o hábito de muitos usuários de utilizar senhas fracas ou já vazadas. Como destacamos recentemente em nossa pesquisa, quase metade das senhas em todo o mundo pode ser decifrada em menos de um minuto. Os golpistas, então, revendem assinaturas existentes ou vagas em grupos familiares com desconto, ou ainda cadastram a vítima em novos serviços, esperando que as cobranças extras passem despercebidas.

Por fim, alguns intermediários nem sequer se preocupam em invadir contas; eles simplesmente compram assinaturas em massa para um grande número de dispositivos, nas quais o custo por unidade costuma ser muito menor. Depois, revendem vagas individuais desses planos em marketplaces on-line. Como resultado, uma única conta “familiar” pode acabar sendo compartilhada entre pessoas completamente desconhecidas entre si.

Compartilhamento de assinaturas com familiares e outras pessoas

Muitos titulares de assinaturas não veem problema em compartilhar o acesso com familiares e amigos. Mas o que poderia dar errado?

O pior cenário do ponto de vista da segurança acontece quando uma única conta é adquirida e o proprietário compartilha login e senha com outros usuários. Isso geralmente ocorre quando as pessoas tentam economizar em um plano familiar comprando uma assinatura individual e dividindo o acesso. Alguns serviços até permitem perfis diferentes, mas todos ficam vinculados à mesma conta, o que significa que as credenciais são compartilhadas. É assim que funcionam plataformas de streaming como Hulu e Disney+.

Compartilhar uma mesma conta entre várias pessoas aumenta significativamente o risco de suas credenciais caírem em mãos erradas. Não há como garantir que todos estejam armazenando essas informações de forma segura ou que seus dispositivos não estejam infectados por malware. Mesmo sem malware, é extremamente fácil entregar uma senha aos invasores sem perceber, simplesmente ao acessar o serviço de assinatura em uma rede Wi-Fi pública desprotegida.

É totalmente possível que a senha que você compartilhou gentilmente com alguns amigos já tenha aparecido em algum canto da dark web. E você pode perder o acesso à sua conta em breve. Além disso, se você reutiliza a mesma senha em diferentes sites e aplicativos, suas outras contas também passam a estar na mira dos criminosos.

O segundo cenário ocorre quando cada membro do grupo possui uma conta individual. Muitos serviços agora permitem adicionar usuários extras à assinatura sem custo adicional, e a maioria dos titulares fica feliz em distribuir essas vagas gratuitas. Ainda assim, não é hora de baixar a guarda: a violação de apenas uma dessas contas pode expor informações sensíveis, como nomes de familiares, endereços, dados de cobrança e outros dados relacionados à assinatura.

Como proteger suas assinaturas (e sua carteira)

Para manter seus dados pessoais e os de quem você ama privados e suas contas sob seu controle, siga estas regras simples.

Use uma segurança robusta para suas contas

Para isso, aprenda e ensine seus amigos e familiares a usar gerenciadores de senhas, autenticação de dois fatores e chaves de acesso.

Se você e as pessoas próximas dependem apenas da memória para armazenar senhas, há uma grande chance de reutilizarem a mesma senha em vários serviços. Esse é um erro grave: violações de dados acontecem o tempo todo, e uma única senha comprometida dá aos invasores acesso às suas outras contas.

A solução mais simples é utilizar um gerenciador de senhas que gere e armazene senhas complexas e exclusivas para cada site e serviço. Tudo o que você precisa lembrar é a senha principal do cofre criptografado. Além disso, o Kaspersky Password Manager não apenas armazena e cria senhas; ele também pode verificar se elas apareceram em bancos de dados vazados e sincronizar suas credenciais entre todos os seus dispositivos.

E mais: um gerenciador de senhas oferece uma proteção robusta contra phishing. Ao contrário de uma pessoa, que pode facilmente ser enganada por uma página de login quase idêntica à original hospedada em um domínio falso, o gerenciador de senhas não cai nesse tipo de golpe. Ele só oferecerá preencher automaticamente o login e a senha salvos no site ou serviço específico para o qual eles foram originalmente armazenados.

Evite usar navegadores para armazenar suas senhas: infelizmente, os invasores já descobriram há muito tempo como extrair senhas salvas no navegador em questão de segundos.

A autenticação de dois fatores (2FA) adiciona uma camada extra de verificação após a inserção da senha, como um código enviado por SMS ou um código temporário gerado por um aplicativo autenticador. Sempre que tecnicamente possível, ative a 2FA em todas as contas vinculadas às suas assinaturas. Isso vale tanto para os próprios serviços de assinatura quanto para contas de terceiros usadas para login, como Google, Apple ou Facebook.

Recomendamos armazenar seus tokens de autenticação de dois fatores e gerar os códigos temporários, atualizados a cada 30 segundos, dentro do Kaspersky Password Manager. Isso reduz significativamente as chances de alguém assumir o controle da sua conta. Mesmo que um invasor descubra ou adivinhe sua senha, ele não conseguirá obter o código sem acesso físico ao seu dispositivo.

Por fim, você pode abandonar as senhas (quase) completamente adotando chaves de acesso. Já explicamos anteriormente como funciona essa alternativa às senhas e os detalhes do seu uso. Atualmente, este é o sistema de autenticação mais resistente a invasões disponível. Sua principal desvantagem era a dificuldade de sincronizar chaves de acesso entre diferentes ecossistemas, como Windows e iOS, mas as versões mais recentes do Kaspersky Password Manager já conseguem salvar e sincronizar chaves de acesso entre dispositivos Windows, macOS, iOS e Android, tornando esse problema praticamente irrelevante.

Não negligencie a segurança dos dispositivos

Mesmo uma senha complexa e a 2FA não são motivos para baixar a guarda. Um invasor pode infectar seu dispositivo com um infostealer: um malware desenvolvido para roubar cookies de sessão do navegador, arquivos de configuração de aplicativos e outros dados sensíveis. Os cookies de sessão permitem que você permaneça conectado sem precisar inserir suas credenciais toda vez; porém, se golpistas tiverem acesso a esses cookies, poderão fazer login no serviço se passando por você, mesmo sem saber seu usuário ou sua senha. Por isso, uma abordagem preventiva é essencial, especialmente se você usa o Chrome, o Edge, o Opera ou outros navegadores baseados no Chromium no Windows. Recomendamos instalar o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, incluindo o Kaspersky Password Manager, além de proteção abrangente contra ciberameaças.

Compartilhe assinaturas apenas com pessoas em quem você confia

Caso contrário, você pode estar criando um problema para si mesmo. Por exemplo: se você compartilhar uma assinatura da Steam com um amigo que utiliza cheats em jogos, ambas as contas podem acabar banidas. Além disso, nunca tente permitir que outra pessoa acesse sua conta pessoal ou assinatura individual. Compartilhar sua senha com terceiros geralmente viola os termos de serviço e pode resultar no bloqueio da sua conta.

Verifique se não há desconhecidos no seu grupo familiar

Para isso, revise periodicamente os dispositivos e sessões ativas nas configurações das suas assinaturas. Se encontrar um dispositivo desconhecido na lista de acessos autorizados, encerre essa sessão (ou todas) e altere imediatamente a senha da conta. Fazer login novamente em alguns dispositivos é muito mais simples do que tentar recuperar uma conta sequestrada.

E lembre-se: não deixe que seus próprios hábitos comprometam sua segurança. Se estiver na casa de amigos, viajando ou em uma viagem de trabalho e usar um computador local ou uma smart TV, ou ainda fizer login em um computador público, não se esqueça de sair da conta quando terminar. Caso contrário, a próxima pessoa que usar aquele dispositivo poderá acabar tendo acesso gratuito às suas assinaturas ou, pior ainda, ao seu e-mail ou armazenamento de fotos na nuvem.

Não caia na armadilha

Fique atento a e-mails e mensagens de phishing que imitam serviços legítimos. Se você receber uma notificação sobre a “necessidade de atualizar seus dados de pagamento” ou um aviso de que “um novo usuário foi adicionado” ao seu plano familiar, não clique imediatamente em links nem abra anexos. Os links podem direcionar a páginas de phishing, e os anexos podem conter malware. Os golpistas frequentemente usam endereços de e-mail e domínios quase idênticos aos verdadeiros, por exemplo, trocando l (L minúsculo) por I (i maiúsculo) ou utilizando um nome familiar em outra extensão de domínio.

Infelizmente, páginas de phishing hoje são muitas vezes indistinguíveis das originais, especialmente com o uso de IA para criar layouts e designs de alta qualidade. Como está cada vez mais difícil identificar todos os sinais de fraude manualmente, o ideal é delegar essa proteção antiphishing ao Kaspersky Premium. Ele alertará você sobre sites suspeitos, ajudando a proteger seu dinheiro e sua tranquilidade.

Por fim, alguns golpistas atraem usuários com brindes, como falsas assinaturas-presente do Telegram Premium. A vítima é instruída a acessar uma página de phishing que imita a tela de login do Telegram e entrar em sua conta para resgatar o brinde. O resultado é previsível: em vez de ganhar uma assinatura premium, a vítima perde o controle da conta. Recentemente, os golpistas passaram até a usar miniaplicativos dentro do próprio Telegram para roubar credenciais diretamente na plataforma, sob diversos pretextos, desde promoções falsas até alegações de que o usuário precisa migrar para um novo chat porque o anterior foi bloqueado.

Evite comprar assinaturas de vendedores terceirizados

É comum encontrar ofertas de assinaturas em marketplaces e plataformas de varejo por preços muito abaixo dos cobrados oficialmente pelo provedor do serviço. Na maioria das vezes, esse valor “imperdível” esconde uma conta hackeada ou um grupo familiar do qual você pode ser removido a qualquer momento, já que o administrador da família pode ser o próprio vendedor ou um usuário aleatório. Além disso, compartilhar um plano familiar com desconhecidos espalhados pelo mundo viola os termos de uso de muitos serviços.

Como se livrar de assinaturas indesejadas

Agora que já falamos sobre segurança de assinaturas, e aquelas assinaturas extras que vão consumindo silenciosamente seu saldo todos os meses? Pesquisas mostram que os usuários normalmente subestimam quantas assinaturas ativas possuem e quanto gastam com elas. Também é muito comum esquecer de cancelar renovações automáticas de serviços que já não utilizam ou cobranças automáticas iniciadas após o fim de períodos de teste gratuitos.

Se você suspeita que esse seja o seu caso, comece investigando seus próprios extratos bancários. Cobranças recorrentes com o mesmo valor podem indicar uma assinatura esquecida. Verifique quem recebeu o pagamento; se o nome não parecer familiar, faça uma busca online pela empresa. Também vale procurar na sua caixa de e-mails pelo nome do comerciante ou pelo valor da cobrança. Isso pode ajudar a localizar notificações de assinatura e entender exatamente pelo que você está pagando. E não se esqueça de verificar a pasta de spam, já que alertas de assinaturas frequentemente acabam indo parar lá.

Agora, veja como verificar e cancelar assinaturas ativas adquiridas pela App Store e pela Google Play.

Para usuários Android

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque em Google, depois na foto do perfil e acesse Conta do Google.
  3. Vá para Pagamentos e assinaturas.

Se você for o administrador do grupo familiar, também poderá visualizar o histórico de compras dos outros membros da família.

Para usuários iOS

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque na sua foto de perfil no topo do menu.
  3. Vá para Assinaturas.

Nota: para gerenciar sua assinatura do iCloud, será necessário acessar a seção específica do iCloud, localizada logo abaixo de Assinaturas. Na seção Compartilhamento Familiar, caso você seja a pessoa que configurou o grupo, será possível visualizar o histórico de assinaturas e compras de todos os membros da família.

Leia mais sobre assinaturas:

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

19 de Maio de 2026, 10:00

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

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