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Os usuários podem monitorar outras pessoas em tempo real para fins logísticos ou de segurança

CCTV: como uma ferramenta de código aberto expôs a localização de usuários do Telegram | OSINT Brasil RDS Consultoria / OSINT Brasil">

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OSINT · Privacidade Digital · Contrainteligência

CCTV: a ferramenta de código aberto que transformou o Telegram em um mapa de rastreamento em tempo real

Como o recurso "Pessoas Próximas" virou vetor de geolocalização, o que a repercussão global do caso ensina sobre exposição digital, e o que diz a lei brasileira sobre esse tipo de monitoramento.

Análise Analítico de Dados · OSINT Brasil ·
"Quem não controla a informação, vira alvo dela." — Rogério Souza

O que foi o caso CCTV

Em 2024, um projeto de código aberto batizado Close-Circuit Telegram Vision (CCTV) ganhou notoriedade internacional por demonstrar, na prática, uma fragilidade conceitual em um recurso que milhões de pessoas usam sem pensar duas vezes: o "Pessoas Próximas" do Telegram, criado originalmente para sugerir contatos e canais locais.

A ferramenta automatizava um processo que, isoladamente, qualquer usuário do Telegram poderia repetir manualmente: consultar a distância aproximada informada pelo aplicativo entre a conta que faz a busca e outras contas próximas. Ao repetir essa consulta a partir de múltiplos pontos simulados, era possível aplicar um raciocínio de trilateração — a mesma lógica geométrica usada por GPS e por técnicas clássicas de GEOINT — para convergir sobre a localização real de um alvo, com precisão relatada na faixa de 50 a 100 metros.

Ponto de virada: em 6 de setembro de 2024, o Telegram desativou o recurso "Pessoas Próximas" em nível de plataforma. Isso encerrou de forma definitiva o funcionamento de todas as ferramentas construídas sobre esse vetor, incluindo o CCTV. O caso ilustra um padrão recorrente em OSINT: recursos de conveniência de UX frequentemente carregam superfícies de exposição que só se tornam visíveis quando alguém as instrumentaliza publicamente.

Por que o caso repercutiu tanto

A cobertura do caso não ficou restrita a um nicho técnico. Veículos e comunidades de segurança em pelo menos quatro idiomas noticiaram o tema — da imprensa especializada em tecnologia à imprensa investigativa russa, passando por publicações de segurança na Itália e na Espanha. O padrão de repercussão é um indicador clássico de que a ferramenta tocou em uma preocupação real e generalizada: a sensação de que aplicativos de mensageria, mesmo os que se posicionam como focados em privacidade, podem carregar funcionalidades cujo risco não é comunicado com clareza ao usuário final.

Do ponto de vista de quem trabalha com Threat Intelligence e investigação digital defensiva, o episódio é um estudo de caso relevante sobre três frentes que se cruzam:

  • Superfície de exposição por design — recursos pensados para conveniência (encontrar pessoas/canais perto de você) podem ser reaproveitados como primitivas de rastreamento quando automatizados em escala.
  • Assimetria entre usuário comum e agente malicioso — a maioria dos usuários não tem ideia de que uma funcionalidade de "descoberta local" pode ser convertida em ferramenta de perseguição (stalking) por qualquer pessoa com conhecimento básico de scripting.
  • Velocidade de resposta da plataforma — o desligamento do recurso, embora tardio em relação à circulação pública da ferramenta, mostra que pressão pública e cobertura de imprensa continuam sendo um dos poucos mecanismos efetivos de correção rápida quando não há regulação específica em tempo real.

A lógica técnica, em nível conceitual

Sem reproduzir instruções operacionais — o que não é o objetivo deste artigo nem de qualquer conteúdo produzido pela OSINT Brasil —, vale entender a lógica subjacente para fins de conscientização defensiva:

  1. O aplicativo informa uma distância aproximada entre duas contas quando ambas têm o recurso de descoberta local ativo.
  2. Repetindo essa consulta a partir de coordenadas de referência diferentes (um processo de deslocamento simulado), obtêm-se múltiplos "raios" de distância até o mesmo alvo.
  3. A interseção geométrica desses raios — o mesmo princípio usado por sistemas de posicionamento por satélite — converge para uma área cada vez menor, até aproximar a localização real com margem de dezenas de metros.

Essa lógica não é exclusiva do Telegram. Qualquer serviço que exponha "distância até outro usuário" sem limitar a granularidade, a frequência de consulta ou o comportamento automatizado (via API) está sujeito ao mesmo tipo de abuso. É por isso que, em auditorias de exposição digital, um dos pontos de verificação padrão da metodologia OSINT Brasil é justamente mapear quais aplicativos do cliente expõem, mesmo que de forma aproximada, sinais de proximidade geográfica.

Enquadramento jurídico no Brasil

Ferramentas com essa finalidade — rastrear a localização de uma pessoa sem consentimento, para fins de monitoramento, controle ou vigilância — esbarram em pelo menos três frentes do ordenamento jurídico brasileiro:

Lei do Stalking (Lei nº 14.132/2021)

Incluiu no Código Penal o crime de perseguição (art. 147-A), que criminaliza perseguir alguém reiteradamente, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. O uso de uma ferramenta de geolocalização não consentida para monitorar deslocamentos de uma pessoa se encaixa diretamente nesse tipo penal quando há reiteração e finalidade de vigilância.

LGPD (Lei nº 13.709/2018)

Dados de geolocalização são dados pessoais e, dependendo do contexto (por exemplo, quando revelam rotina, endereço residencial ou deslocamentos que permitem inferir características sensíveis), podem se aproximar do regime mais rigoroso do art. 11. O tratamento sem base legal — e monitoramento oculto de terceiros certamente não se enquadra nas hipóteses do art. 7º — configura ilícito civil, sujeito a indenização por danos morais e, no caso de agentes de tratamento formais, a sanções administrativas da ANPD.

Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014)

Reforça a proteção à privacidade e à intimidade como princípios da disciplina do uso da internet no Brasil (art. 3º, incisos II e III), servindo de base complementar em ações que discutam responsabilidade de provedores de aplicação diante de vazamentos de funcionalidade que facilitem rastreamento não consentido.

Nota sobre jurisprudência recente: tribunais superiores brasileiros vêm consolidando, ao longo de 2025 e 2026, o entendimento de que o tratamento de dados pessoais sem base legal adequada gera dever de indenizar quando há exposição concreta de intimidade — e o STJ tem atuado para uniformizar decisões sobre compartilhamento indevido de dados pessoais, inclusive sob o CPC (arts. 927 e 1.036), buscando reduzir divergências entre tribunais de segunda instância. Na esfera criminal, o STF já assentou que provas obtidas a partir de dados de geolocalização ou conteúdo telemático sem autorização judicial são nulas em investigações penais — precedente que reforça, por analogia, a ilicitude de qualquer coleta de localização à margem do devido processo.

Lições defensivas: como reduzir sua superfície de exposição

Vetor de riscoAção recomendada
Recursos de "descoberta por proximidade"Desative funcionalidades de geolocalização social sempre que não forem estritamente necessárias.
Compartilhamento de localização em tempo realRestrinja a contatos específicos e por tempo limitado, nunca de forma permanente.
Metadados em fotos e storiesRemova metadados de GPS antes de publicar (revisão EXIF), especialmente em conteúdo próximo à residência ou local de trabalho.
Apps de terceiros com permissão de localizaçãoAudite periodicamente quais aplicativos têm acesso contínuo (não apenas "durante o uso").
Padrões de rotina expostos publicamenteEvite postar em tempo real; publique com atraso quando o conteúdo revelar padrões de deslocamento previsíveis.

Cenários prospectivos

O desligamento do recurso pelo Telegram resolve o vetor específico do CCTV, mas não elimina o problema estrutural. Alguns cenários prováveis para os próximos ciclos:

  • Migração do vetor para outras plataformas — qualquer aplicativo que ainda exponha distância aproximada entre usuários (redes de namoro, apps de encontros, redes sociais de nicho) permanece candidato a réplicas conceituais da mesma técnica.
  • Pressão regulatória crescente — a tendência, tanto na União Europeia (DSA/GDPR) quanto no Brasil (agenda da ANPD), é de exigir de plataformas testes de "privacy by design" mais rigorosos antes do lançamento de recursos sociais baseados em proximidade.
  • Judicialização de casos concretos — é razoável esperar um aumento de ações envolvendo a Lei do Stalking combinadas a pedidos de indenização sob a LGPD, à medida que vítimas de monitoramento digital não consentido buscam reparação civil e criminal simultaneamente.
  • Uso em due diligence e investigação defensiva — o caso já se consolidou como referência didática em treinamentos de OSINT e threat intelligence, justamente pelo caráter reproduzível do princípio geométrico por trás da técnica.

Conclusão

O caso CCTV não foi apenas sobre uma ferramenta específica — foi sobre como um detalhe aparentemente inofensivo de design de produto pode se transformar em vetor de vigilância em escala quando cai nas mãos certas (ou erradas). Para profissionais de segurança da informação, investigação digital e compliance, o episódio reforça uma regra permanente: toda funcionalidade que revela proximidade, distância ou presença de um usuário é, por definição, uma funcionalidade de geolocalização — e deve ser tratada com o mesmo rigor jurídico e técnico que qualquer outro dado sensível.

Conteúdo produzido pela OSINT Brasil para fins de conscientização em segurança da informação e investigação digital defensiva. Este artigo não reproduz nem incentiva o uso de ferramentas de rastreamento não consentido de pessoas, prática que pode configurar crime de perseguição (art. 147-A do Código Penal) e ilícito civil sob a LGPD.
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  • Global Rights Event Scrapped in Zambia Amid Sudden Government Decision Samiksha Jain
    The global digital rights conference RightsCon 2026 has been cancelled just days before its scheduled start in Lusaka, after Zambia’s government intervened, citing concerns over the event’s themes and participation. The decision has left thousands of attendees stranded or forced to change plans, marking a major disruption for one of the world’s largest gatherings focused on digital rights. The conference, hosted by Access Now, was set to begin on May 5 and expected to bring together more than
     

Global Rights Event Scrapped in Zambia Amid Sudden Government Decision

RightsCon 2026

The global digital rights conference RightsCon 2026 has been cancelled just days before its scheduled start in Lusaka, after Zambia’s government intervened, citing concerns over the event’s themes and participation. The decision has left thousands of attendees stranded or forced to change plans, marking a major disruption for one of the world’s largest gatherings focused on digital rights. The conference, hosted by Access Now, was set to begin on May 5 and expected to bring together more than 2,600 in-person participants and 1,100 online attendees from over 150 countries. However, organisers confirmed that RightsCon 2026 will not proceed either in Zambia or virtually.

Sudden Cancellation of RightsCon 2026

The first indication of trouble emerged when Zambia’s Minister of Technology and Science raised concerns about incomplete security clearances and the nature of the conference’s discussions. Soon after, state-owned media announced that the government had “postponed” the event. Organisers say the move came without formal consultation. In a detailed statement, Access Now described the situation as unprecedented and deeply disruptive. “To our community, We are devastated to be writing to you instead of gathering together as planned and we know we’re not alone. The frustration and disappointment stemming from the loss of RightsCon 2026 is felt deeply by all of us, especially our partners in the region who worked tirelessly alongside our team.” The organisation added that the scale of the event made postponement impractical, noting that planning had been underway for more than a year with over 500 sessions scheduled.

Allegations of Foreign Interference

A key issue highlighted by organisers was alleged external pressure linked to participation from Taiwanese civil society groups. According to Access Now, concerns were raised after communication from Zambian officials regarding diplomatic pressure. “We believe foreign interference is the reason RightsCon 2026 won’t proceed in Zambia or online.” The organisers said they were informally told that for the conference to go ahead, certain topics would need to be moderated and some communities excluded, including Taiwanese participants. This, they said, crossed a fundamental line. “This was our red line. Not because we were unwilling to engage, but because the conditions set before us were unacceptable and counter to what RightsCon is and what Access Now stands for.”

Breakdown in Communication

Access Now detailed a breakdown in communication with Zambian authorities in the final days leading up to the event. Despite prior agreements, including a signed memorandum of understanding and coordination on visa processes, organisers said they received no clear explanation before the cancellation was publicly announced. At 9:33 pm local time on April 28, the postponement was reported in the media before organisers received official confirmation. A formal letter followed later, stating that the decision was “necessitated by the need for comprehensive disclosure of critical information relating to key thematic issues proposed for discussion.” Organisers said the explanation lacked clarity and did not specify actionable concerns.

Impact on Global Digital Rights Community

The cancellation of RightsCon 2026 has had immediate consequences for the global digital rights community. Thousands of participants were already travelling to Lusaka when the announcement was made. “It is with heavy hearts that we share: RightsCon will not proceed in Zambia or online.” “We do not recommend registered participants travel to Lusaka for RightsCon.” The event has long been considered a key platform for discussions on internet governance, privacy, cybersecurity, and freedom of expression. Its cancellation raises broader concerns about shrinking civic space and restrictions on global dialogue. Access Now described the situation as part of a wider challenge facing civil society. “We see this unilateral decision, and the way it was taken, as evidence of the far reach of transnational repression targeting civil society, and effectively shrinking the spaces in which we operate.”

What Comes Next After RightsCon 2026 Cancellation

Despite the setback, organisers reaffirmed their commitment to the event’s mission and the broader digital rights movement. “RightsCon may not happen in Zambia, but we will come together again; how and where we do so will be informed by you, our community.” Access Now also acknowledged the support received from partners, governments, and participants in the aftermath of the cancellation. The abrupt halt of RightsCon 2026 highlights the challenges facing international forums that address sensitive issues such as digital freedoms.

Stone, parchment or laser-written glass? Scientists find new way to preserve data

Hard disks and magnetic tape have a limited lifespan, but glass storage developed by Microsoft could last millennia

Some cultures used stone, others used parchment. Some even, for a time, used floppy disks. Now scientists have come up with a new way to keep archived data safe that, they say, could endure for millennia: laser-writing in glass.

From personal photos that are kept for a lifetime to business documents, medical information, data for scientific research, national records and heritage data, there is no shortage of information that needs to be preserved for very long periods of time.

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© Photograph: Tetra Images/Erik Isakson/Getty Images

© Photograph: Tetra Images/Erik Isakson/Getty Images

© Photograph: Tetra Images/Erik Isakson/Getty Images

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  • A biological 0-day? Threat-screening tools may miss AI-designed proteins. John Timmer
    On Thursday, a team of researchers led by Microsoft announced that they had discovered, and possibly patched, what they're terming a biological zero-day—an unrecognized security hole in a system that protects us from biological threats. The system at risk screens purchases of DNA sequences to determine when someone's ordering DNA that encodes a toxin or dangerous virus. But, the researchers argue, it has become increasingly vulnerable to missing a new threat: AI-designed toxins. How big of a thr
     

A biological 0-day? Threat-screening tools may miss AI-designed proteins.

3 de Outubro de 2025, 17:12

On Thursday, a team of researchers led by Microsoft announced that they had discovered, and possibly patched, what they're terming a biological zero-day—an unrecognized security hole in a system that protects us from biological threats. The system at risk screens purchases of DNA sequences to determine when someone's ordering DNA that encodes a toxin or dangerous virus. But, the researchers argue, it has become increasingly vulnerable to missing a new threat: AI-designed toxins.

How big of a threat is this? To understand, you have to know a bit more about both existing biosurveillance programs and the capabilities of AI-designed proteins.

Catching the bad ones

Biological threats come in a variety of forms. Some are pathogens, such as viruses and bacteria. Others are protein-based toxins, like the ricin that was sent to the White House in 2003. Still others are chemical toxins that are produced through enzymatic reactions, like the molecules associated with red tide. All of them get their start through the same fundamental biological process: DNA is transcribed into RNA, which is then used to make proteins.

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© Historical / Contributor

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