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    Há mais de duas décadas, configurar um roteador doméstico significa seguir praticamente a mesma rotina: escolher uma banda Wi-Fi, dar um nome à sua rede, escolher um tipo de segurança e definir uma senha. Depois de digitar o nome da rede, geralmente aparece ao lado uma opção para ocultar o nome da rede, às vezes identificada como ocultar SSID ou simplesmente como rede oculta ou rede fechada. Se você selecionar essa opção, a rede criada não aparecerá automaticamente na lista de redes Wi-Fi dispon
     

Como um nome de rede Wi-Fi oculto pode expor seus dados a desconhecidos

29 de Setembro de 2026, 12:31

Há mais de duas décadas, configurar um roteador doméstico significa seguir praticamente a mesma rotina: escolher uma banda Wi-Fi, dar um nome à sua rede, escolher um tipo de segurança e definir uma senha. Depois de digitar o nome da rede, geralmente aparece ao lado uma opção para ocultar o nome da rede, às vezes identificada como ocultar SSID ou simplesmente como rede oculta ou rede fechada. Se você selecionar essa opção, a rede criada não aparecerá automaticamente na lista de redes Wi-Fi disponíveis em smartphones, computadores ou dispositivos de casa inteligente. Será necessário digitar manualmente o nome correto da rede. Somente então o dispositivo poderá localizar essa rede e se conectar a ela. À primeira vista, ocultar o nome da sua rede sem fio pode parecer uma precaução inteligente: impedir que vizinhos ou pessoas que passem pelo local invadam sua rede Wi-Fi, já que simplesmente não conseguem vê-la. Mas, na realidade, as coisas funcionam de maneira diferente: todos os seus dispositivos revelarão a existência da rede oculta, e isso não acontece apenas quando estão em casa.

Como os dispositivos se conectam ao Wi-Fi

Cada ponto de acesso Wi-Fi transmite um pequeno pacote de dados aproximadamente 10 vezes por segundo para que seu smartphone ou computador possa mostrar uma lista com os nomes das redes próximas, como JohnWiFi, TommyNet, CafeDeArts_Guest ou outras variações criativas. Esse pacote contém: (i) o nome da rede (Service Set Identifier, ou SSID), (ii) um identificador exclusivo do ponto de acesso (Basic Service Set Identifier, ou BSSID) e (iii) informações sobre o canal de rádio utilizado pela rede. Essas informações ajudam os dispositivos a (i) escolher a melhor rede para se conectar e (ii) ingressar automaticamente em redes que já conhecem. Por isso, nenhum dos dados desse pacote é criptografado. As redes ocultas também transmitem esses pacotes de anúncio; a única diferença é que deixam o campo SSID em branco. Esse método de localização de redes é chamado de descoberta passiva, pois um cliente Wi-Fi, como um smartphone, por exemplo, precisa apenas escutar as ondas de rádio para identificar os pontos de acesso próximos.

Além disso, o cliente pode procurar redes Wi-Fi por conta própria, em um processo conhecido como descoberta ativa. Seu smartphone ou computador transmite continuamente os nomes das redes Wi-Fi que conhece e às quais gostaria de se conectar. Se uma dessas redes estiver próxima, o ponto de acesso responde e a conexão é estabelecida.

A descoberta ativa pode, às vezes, ajudar a economizar a bateria do smartphone e é indispensável quando se trabalha com redes ocultas. Localizar uma rede oculta e conectar-se a ela torna-se um processo de duas etapas. Primeiro, o smartphone “detecta” que há um ponto de acesso Wi-Fi próximo com um nome de rede oculto. Em seguida, ele tenta acessar essa rede transmitindo os nomes (SSIDs) que já conhece, seja de redes ocultas às quais já se conectou anteriormente, seja do nome que o usuário digitou ao se conectar pela primeira vez a uma rede oculta. Se o nome corresponder, o roteador responde e a conexão é estabelecida.

Um nome de rede oculto (SSID) não oculta de fato sua rede Wi-Fi

A lista comum de redes Wi-Fi disponíveis no smartphone ou computador não exibirá as redes que não transmitem um SSID público. No entanto, qualquer software especializado de varredura de redes Wi-Fi pode identificá-las facilmente, ele apenas não exibirá seus nomes. Além disso, as redes ocultas continuam sendo fáceis de identificar e distinguir umas das outras graças ao BSSID exclusivo de cada roteador.

Portanto, ocultar o nome de uma rede Wi-Fi não a torna realmente invisível e não protege você contra cibercriminosos. Vale observar que qualquer análise em grande escala, como o mapeamento geográfico de redes Wi-Fi, utiliza BSSIDs, e não SSIDs. Além dos enormes bancos de dados mantidos pela Apple e pelo Google, também existem projetos públicos de mapeamento de pontos de acesso, como o WiGLE.

Se alguém quiser invadir uma rede em um local específico, um software especializado permite descobrir seu SSID simplesmente esperando que um dos clientes legítimos se conecte e monitorando a sessão de descoberta ativa. A partir daí, essa pessoa poderá se conectar à rede Wi-Fi, desde que ela utilize um protocolo de segurança suficientemente fraco.

Seus dispositivos expõem nomes de redes Wi-Fi ocultas e dados pessoais

A principal desvantagem de um SSID oculto é que smartphones e computadores precisam transmiti-lo antes de poderem se conectar à rede sem fio. E fazem isso em qualquer lugar, não apenas nas proximidades do ponto de acesso em questão. Assim que qualquer rede com um nome oculto aparece dentro do alcance do sinal, o cliente tenta se conectar e, durante essa tentativa, transmite os nomes de todas as redes ocultas que conhece. Essa transmissão não é criptografada, o que significa que qualquer pessoa nas proximidades pode capturar os dados transmitidos.

Em 2021, pesquisadores da Universidade de Hamburgo realizaram um experimento coletando dados de sinais de rádio em uma rua movimentada. Em apenas três sessões de uma hora de monitoramento, eles coletaram 252 mil solicitações de conexão Wi-Fi provenientes dos smartphones de pessoas que passavam pelo local. Dessas solicitações, 23% continham o SSID de uma rede à qual o smartphone teria preferido se conectar.

E é nesse ponto que entra em cena um fator em que poucas pessoas pensam: o próprio nome da rede. Doze por cento dos SSIDs identificados eram longas sequências numéricas que se pareciam muito com senhas. Assim, quando alguém conhece o SSID e o BSSID, pode consultar o BSSID em um serviço como o WiGLE e descobrir o endereço físico do ponto de acesso. Uma vez no local, um invasor pode tentar usar essa sequência tanto como SSID quanto como senha para se conectar à rede e com uma boa chance de sucesso. A amostra dos pesquisadores também incluiu 106 SSIDs que continham um nome ou sobrenome, 92 SSIDs que indicavam um endereço residencial e três que revelavam um endereço de e-mail.

Diante de tudo isso, não é de surpreender que Apple e Asus recomendem não usar o recurso de SSID oculto.

Outras desvantagens de ocultar sua rede Wi-Fi

Além dos problemas relacionados ao vazamento de dados, a tecnologia de SSID oculto (uma herança das primeiras versões do Wi-Fi) também prejudica o desempenho das versões modernas do protocolo de rádio. Na banda de 6 GHz, procurar uma rede Wi-Fi oculta entre 59 canais possíveis gera muito tráfego e consome muita energia: o cliente precisa percorrer todas as opções e enviar muitas solicitações. Como resultado, o desempenho de todas as redes Wi-Fi próximas na banda de 6 GHz diminui, e o próprio cliente consome mais bateria ao enviar todas essas solicitações.

A Asus também destaca que dispositivos Windows podem tender a se conectar primeiro a redes visíveis, mesmo quando uma rede com SSID oculto está disponível e marcada como preferencial.

Quando ocultar um SSID realmente faz sentido

Não há muitos cenários em que ocultar o nome da rede seja realmente útil. Por exemplo, se um roteador for destinado a um pequeno grupo de pessoas, mas estiver instalado em um local muito movimentado, um SSID oculto pode reduzir o número de tentativas de conexão e diminuir a carga sobre o roteador. Mas lembre-se de que isso melhora o desempenho, não a segurança, e apenas ligeiramente.

Outro caso semelhante é uma rede Wi-Fi técnica destinada a um número limitado de dispositivos fixos, como uma rede de câmeras de segurança ou dispositivos de casa inteligente. Esses dispositivos permanecem sempre no mesmo local, portanto, sempre que tentam se conectar à rede Wi-Fi designada, encontram-na imediatamente e nenhum dado é exposto; a menos que um invasor esteja efetivamente monitorando o sinal de rádio próximo ao roteador. Ao mesmo tempo, é menos provável que pessoas de fora tentem se conectar a uma rede desse tipo.

Como tornar seu Wi-Fi mais seguro

Para proteger sua rede Wi-Fi contra invasores que tentem acessá-la por meio da rede sem fio, não oculte o SSID. Em vez disso, use o moderno protocolo de segurança WPA3 junto com uma senha longa. Os invasores podem interceptar dados transmitidos pelo ar e, em seguida, tentar descobrir a senha por meio de ataques de força bruta. Por isso, uma senha Wi-Fi forte deve ter pelo menos 20 caracteres. A maneira mais fácil de gerar e armazenar senhas longas e difíceis de descobrir é usar um gerenciador de senhas que sincronize entre seus dispositivos. Dessa forma, elas estarão sempre à mão, independentemente do dispositivo que você estiver usando.

Se alguns de seus dispositivos mais antigos não forem compatíveis com WPA3, não há problema em usar WPA2 com Protected Management Frames (PMF) ativado, que protege contra vários tipos de ataques a redes Wi-Fi.

Você também deve se certificar de que o Wi-Fi Protected Setup (WPS) esteja desativado, pois ele basicamente substitui sua senha por um código PIN fácil de adivinhar.

Para identificar rapidamente dispositivos desconhecidos conectados à sua rede Wi-Fi, use o Smart Home Monitor no Kaspersky Premium.

Quanto ao nome da rede, em vez de ocultá-lo, escolha um que não revele seu nome, endereço ou qualquer outra informação pessoal. Também é recomendável evitar nomes de rede padrão, como ISPName-XXXX ou dlink, mas por outro motivo: nomes genéricos como esses podem confundir você e seus convidados. Se não quiser que seu ponto de acesso apareça nos mapas de geolocalização de redes Wi-Fi da Apple, do Google e de outros provedores, você pode adicionar o sufixo _nomap ao final do nome da rede, mas não há garantia de que isso realmente funcionará.

Além de proteger sua rede Wi-Fi, certifique-se de que seu roteador esteja configurado de forma segura de maneira geral. Antes de tudo, isso significa definir uma senha de administrador longa e exclusiva e manter o roteador atualizado com o firmware mais recente disponibilizado pelo fabricante. E, se tiver um pouco mais de tempo, você pode até melhorar o desempenho do seu Wi-Fi.

Como as redes Wi-Fi são invadidas e como protegê-las:

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  • Como proteger sua smart TV e set-top box contra invasões Stan Kaminsky
    Em 2026, o proprietário de um roteador doméstico comum, de uma smart TV ou de uma TV box é um alvo de grande interesse para os cibercriminosos. Esses dispositivos são facilmente recrutados para botnets e redes de proxy residencial, sobre as quais já falamos anteriormente. Os criminosos “sublicenciam” o dispositivo infectado, permitindo que terceiros paguem para acessar qualquer site usando o endereço IP da vítima, fazendo parecer que é o proprietário do dispositivo quem está realizando os acesso
     

Como proteger sua smart TV e set-top box contra invasões

25 de Setembro de 2026, 08:44

Em 2026, o proprietário de um roteador doméstico comum, de uma smart TV ou de uma TV box é um alvo de grande interesse para os cibercriminosos. Esses dispositivos são facilmente recrutados para botnets e redes de proxy residencial, sobre as quais já falamos anteriormente.

Os criminosos “sublicenciam” o dispositivo infectado, permitindo que terceiros paguem para acessar qualquer site usando o endereço IP da vítima, fazendo parecer que é o proprietário do dispositivo quem está realizando os acessos. Esse serviço é procurado para todo tipo de esquema ilícito: desde fraude publicitária e campanhas de spam até tentativas de descoberta de senhas por força bruta e invasão de contas. Em nosso artigo anterior, explicamos como os roteadores domésticos são recrutados para essas redes de proxy; hoje, vamos analisar uma categoria de dispositivos ainda mais vulnerável e igualmente onipresente: smart TVs e TV boxes.

Esses dispositivos atraem os criminosos por dois motivos. Primeiro, ao contrário de computadores e smartphones, as TVs quase sempre ficam conectadas à tomada e têm uma conexão rápida com a Internet. Uma tela apagada não significa que o dispositivo esteja desligado. Além disso, a interface de usuário e as ferramentas de monitoramento limitadas fazem com que processos suspeitos executados em segundo plano possam passar facilmente despercebidos pelos usuários.

A ameaça está evoluindo e se tornando mais agressiva. Um estudo recente constatou que, quando um proxyware chega a um set-top box, os riscos para o proprietário vão muito além de ter o próprio tráfego desviado.

Anatomia da infecção

Os pesquisadores se concentraram em uma popular TV box da SuperBox, que já abordamos anteriormente no artigo Sua TV box virou uma porta de entrada para terceiros?

A estratégia de marketing da SuperBox se baseia fortemente na promessa de oferecer milhares de canais de TV sem assinatura nem mensalidades. No entanto, assim que sai da caixa, o dispositivo não é capaz de fazer nada disso. Para ter acesso a conteúdo pirata, é necessário instalar a loja de aplicativos proprietária da marca.

Quando você a abre e instala aplicativos adicionais, os milhares de canais de TV realmente aparecem. Enquanto isso, nos bastidores, sem nenhum aviso ou solicitação de permissão, o dispositivo inunda sites externos com solicitações não autorizadas, e o tráfego de rede aumenta drasticamente.

Os pesquisadores descobriram vários fatos alarmantes. Primeiro, a vítima pode ser incluída simultaneamente em até cinco botnets. A SuperBox executa clientes de várias redes de proxyware ao mesmo tempo, que chegam a competir entre si, bloqueando a instalação de softwares concorrentes.

Mas o verdadeiro choque foram os ataques à rede interna. O proxyware da TV box não impõe nenhuma limitação ao que seus “clientes” pagantes podem fazer na rede. Eles podem acessar não apenas sites externos, mas também dispositivos dentro da sua rede doméstica.

Normalmente, as configurações do seu roteador doméstico e do provedor de serviços de Internet (ISP) protegem você contra ataques externos. Mas o proxyware contorna essas barreiras porque opera de dentro da rede. Durante um experimento, os pesquisadores confirmaram que um invasor na Internet pode facilmente usar o set-top box infectado para abrir o painel de administração de um roteador doméstico, como um Linksys, que deveria estar acessível apenas ao proprietário quando conectado à rede Wi-Fi doméstica. Isso significa que os hackers podem tentar roubar dados de outros dispositivos da mesma residência ou até mesmo criptografar o armazenamento de rede doméstico (NAS).

Ao mesmo tempo, falhas no firmware de fábrica da SuperBox permitem que hackers instalem e executem remotamente qualquer aplicativo com privilégios de superusuário, e essa ameaça está longe de ser apenas hipotética. Durante três semanas de monitoramento, o set-top box usado no teste sofreu mais de 1.300 ataques por meio da rede de proxy doméstica. Os invasores instalaram três tipos diferentes de malware, incluindo um módulo para realizar ataques DDoS.

O malware usa vários métodos para obter acesso ao sistema e permanece ativo mesmo após reinicializações e quedas de energia.

Como saber se seu set-top box está trabalhando para os hackers

Se você tem um set-top box barato ou uma Android TV de uma marca pouco conhecida, vale a pena verificar se há alguma anomalia.

O método mais confiável é analisar o tráfego de rede. Use as estatísticas disponíveis no painel de controle do seu roteador, mas observe que alguns modelos de baixo custo podem não oferecer esse recurso. Nos roteadores Asus, esse recurso é chamado de Traffic Analyzer; nos TP-Link, de Traffic Usage; e nos Keenetic, de Traffic Monitor. Encontre sua TV ou set-top box na lista de dispositivos e verifique a proporção entre os dados baixados e enviados. Esses dispositivos devem consumir muito tráfego para baixar vídeos, mas enviar pouquíssimos dados. Se seu set-top box estiver silenciosamente enviando gigabytes de dados ou permanecer ativo na rede mesmo quando estiver ocioso, esse é um sinal claro de que ele pode estar infectado.

Se as estatísticas de tráfego não estiverem disponíveis, procure sinais indiretos:

  • Os LEDs de atividade da rede e da memória não param de piscar, mesmo quando ninguém está usando o dispositivo.
  • O gabinete do set-top box fica constantemente morno ou quente.
  • A interface apresenta atraso em relação ao controle remoto, e o set-top box trava aleatoriamente, sem relação com a reprodução de vídeos pesados.
  • A velocidade da Internet nos outros dispositivos (computadores ou celulares) sofre uma queda significativa.
  • Ao tentar acessar sites conhecidos pela rede Wi-Fi doméstica, você se depara constantemente com um CAPTCHA, um sinal de que sua rede pode estar comprometida e ter sido identificada como fonte de spam.
  • O suporte técnico do seu provedor de serviços de Internet entra em contato para perguntar sobre um volume de tráfego de rede suspeito.

O que fazer com um dispositivo infectado

A melhor solução é desconectar o dispositivo da Internet e descartá-lo. Se precisar continuar usando-o, siga estas etapas para minimizar os riscos:

  1. Realize uma redefinição de fábrica (hard reset). Restaure o set-top box ao estado original.
  2. Deixe-o desconectado da Internet antes de configurá-lo novamente. Na primeira vez que ligá-lo após a redefinição, ignore a etapa de configuração do Wi-Fi e não conecte o cabo Ethernet.
  3. Bloqueie a instalação de aplicativos. Acesse as configurações do Android e desative a instalação de aplicativos de fontes desconhecidas. Não se esqueça de desativar todos os recursos de depuração que estiverem ativados: depuração USB, depuração sem fio e ADB. Os nomes dos itens de menu podem variar de acordo com a versão do Android e o fabricante do dispositivo.
  4. Isole-o na rede. Configure uma rede Wi-Fi para convidados no roteador e conecte a TV box a ela. Ative o isolamento de clientes (Client Isolation) nas configurações do roteador, se esse recurso estiver disponível. Isso impedirá que a TV box detecte outros dispositivos da sua rede doméstica, protegendo seus computadores e o armazenamento de rede.
  5. Verifique se há atualizações. Depois que a TV box estiver conectada à rede para convidados, verifique se há atualizações oficiais de firmware. Às vezes, os fabricantes corrigem vulnerabilidades conhecidas, embora não seja recomendável contar com isso no caso de marcas pouco conhecidas.

Suas medidas de proteção mais confiáveis

Comprar dispositivos baratos com recursos de streaming de conteúdo pirata e instalar softwares de fontes duvidosas é uma maneira praticamente certa de comprometer sua rede doméstica. Seu endereço IP se tornará uma fonte de atividade maliciosa, o que, na melhor das hipóteses, fará com que seu provedor de serviços de Internet bloqueie seu acesso e, na pior das hipóteses, fará com que você entre no radar das autoridades policiais. Além disso, os hackers podem usar a TV box como ponto de partida para atacar seus computadores e NAS domésticos, o que pode levar ao roubo de dados pessoais ou a um ataque de ransomware.

A melhor proteção é comprar dispositivos de marcas confiáveis e pagar por conteúdo legal. Além disso, para evitar que alguém assuma o controle da sua rede, certifique-se de que o painel de administração do roteador e os outros dispositivos domésticos estejam protegidos por senhas fortes e exclusivas. Para não precisar memorizar todas elas, use um gerenciador de senhas confiável, como o Kaspersky Password Manager. Além disso, o recurso Smart Home Monitor incluído no Kaspersky Premium permite manter todos os seus dispositivos sob controle.

Talvez haja outras coisas que você não saiba sobre seus dispositivos de casa inteligente:

CrashStealer, um novo infostealer para macOS: como funciona e como se manter seguro | Blog oficial da Kaspersky

13 de Agosto de 2026, 09:00

Os usuários de Mac historicamente confiaram na segurança de seu sistema operacional. Essa tranquilidade vem principalmente do controle estrito da Apple sobre o ecossistema e do fato de que o macOS sempre enfrentou menos ataques em massa do que o Windows. No entanto, isso não significa que os computadores Mac não tenham vulnerabilidades: as ameaças existem, e novas surgem o tempo todo. Nas últimas semanas, pesquisadores de segurança publicaram relatórios sobre pelo menos duas novas campanhas direcionadas a dispositivos Apple.

O malware usado em uma das campanhas foi apelidado de CrashStealer, enquanto o outro é conhecido como ClickLock. Ambos usam truques diferentes para forçar usuários a inserir a senha do Mac, que os invasores usam para roubar credenciais de contas, ativos de criptomoedas, documentos e muito mais. No post de hoje, analisamos em detalhes como o CrashStealer funciona e como evitar ser vítima dele.

Um aplicativo de videoconferência com o CrashStealer embutido

Em maio de 2026, pesquisadores identificaram os primeiros sinais de desenvolvimento desse malware e, no início de julho, detectaram sua atuação em ambiente real. O malware recebeu esse nome devido ao seu mecanismo principal: ele se disfarça da ferramenta integrada de geração de relatórios de falhas do macOS (CrashReporter), enquanto funciona como um infostealer criado para sequestrar dados confidenciais.

Os pesquisadores conseguiram rastrear um dos sites que os usuários visitaram para baixar o malware. O site se passa por uma plataforma legítima de distribuição da ferramenta de videoconferência Werkbit.

Segundo os pesquisadores, esse foi o site usado pelas vítimas para baixar o Werkbit, que continha, sem que elas soubessem, o malware loader CrashStealer. Fonte

No entanto, você não pode simplesmente visitar o site e baixar o software. Antes de iniciar o download, a pessoa precisa informar um PIN de reunião. Essa configuração provavelmente permite que os invasores limitem o alcance da campanha, direcionando-a apenas a vítimas específicas previamente selecionadas. Ainda não se sabe exatamente como os cibercriminosos escolhem seus alvos nem como entregam o PIN.

As pessoas “sortudas” que recebem um código acabam instalando a carga maliciosa inicial, chamada Werkbit Setup. Curiosamente, a carga maliciosa possui um certificado de desenvolvedor da Apple válido e foi aprovada no processo de autenticação de aplicativos da empresa, o que indica que passou pela verificação automatizada destinada a detectar código malicioso. Como resultado, os invasores conseguem contornar o Gatekeeper, mecanismo de proteção integrado do sistema operacional. Isso permite que a carga útil seja iniciada sem acionar os avisos usuais de software não confiável.

[caption] O instalador Werkbit Setup é assinado com um certificado válido de desenvolvedor da Apple e passou pelo processo de autenticação de aplicativos da empresa. Fonte

[/caption]Depois de iniciado, o Werkbit Setup primeiro se conecta ao GitHub. Pesquisadores acreditam que o uso dessa plataforma ajuda os invasores a passar despercebidos, fazendo com que as solicitações iniciais de rede pareçam muito menos suspeitas para as ferramentas de segurança. Depois de obter instruções de um repositório no GitHub, o programa se conecta diretamente ao servidor dos invasores para baixar o próprio CrashStealer.

Em seguida, o carregador salva o malware em uma pasta temporária do macOS, executa-o e apaga a maioria dos arquivos intermediários da instalação. Como resultado, em poucos segundos após a execução do Werkbit Setup, um infostealer totalmente funcional está em operação. Vale destacar que o usuário nunca recebe o aplicativo de videoconferência prometido.

Como o CrashStealer funciona

Ao contrário do carregador Werkbit Setup, o malware CrashStealer em si não é assinado com um certificado de desenvolvedor da Apple. Para evitar que os usuários desconfiem, o malware se disfarça da ferramenta de relatório de falhas do macOS, o CrashReporter, usando exatamente o mesmo nome, identificador de aplicativo e um ícone semelhante.

Depois de executado, o CrashStealer realiza uma sequência de etapas para obter acesso a dados confidenciais, estabelecer persistência no sistema e ocultar rastros:

  1. Remove metadados, incluindo o atributo que identifica o aplicativo como um arquivo baixado da Internet.
  2. Exibe uma solicitação falsa do sistema pedindo a senha do macOS do usuário.
  3. Usa as credenciais capturadas anteriormente para acessar o Keychain, o gerenciador de senhas integrado do macOS.
  4. Verifica se há ferramentas de segurança e softwares de análise de malware instalados no computador.
  5. Coleta senhas salvas nos navegadores, cookies, dados do Keychain e informações de outros gerenciadores de senhas e carteiras de criptomoedas.
  6. Criptografa os dados roubados e os prepara para envio ao servidor dos invasores.
  7. Cria uma cópia de si mesmo e estabelece persistência para ser executado automaticamente sempre que o macOS é inicializado.
  8. Exclui arquivos temporários e outros vestígios da instalação para dificultar ainda mais a detecção.

A segunda etapa merece uma análise mais detalhada. A solicitação de senha exibida ao usuário é extremamente convincente. Além disso, o malware verifica imediatamente se as credenciais estão corretas: se a pessoa cometer um erro de digitação e inserir uma senha inválida, o CrashStealer exibirá a janela novamente para que ela tente outra vez.

[caption] Depois de ser executado, o CrashStealer exibe uma janela pop-up que simula a solicitação padrão de senha do macOS. Fonte

[/caption]

Quais dados o CrashStealer tenta roubar?

A lista de alvos do CrashStealer é extensa. O principal alvo é o Keychain, o gerenciador de credenciais integrado do macOS, onde o sistema armazena credenciais de contas, chaves criptográficas, certificados, tokens e outros dados confidenciais.

Os usuários de gerenciadores de senhas de terceiros também não estão protegidos: o malware rouba dados de 14 desses serviços, incluindo 1Password, Bitwarden, LastPass, Dashlane, Keeper, KeePassXC, NordPass, Enpass e RoboForm.

Além disso, o malware coleta todas as credenciais e cookies armazenados em navegadores baseados no Chromium (Chrome, Brave, Edge, Opera, Opera GX, Vivaldi, Chromium e NAVER Whale) bem como no Firefox. Os invasores demonstram ter um grande interesse em ativos de criptomoedas: o CrashStealer tem como alvo específico os dados de 80 extensões diferentes de carteiras de criptomoedas, incluindo MetaMask, Phantom, Coinbase Wallet, Trust Wallet, Rabby, Exodus, Keplr e Solflare.

Por fim, o malware verifica as pastas Documentos e Downloads em busca de arquivos que possam ser de interesse dos cibercriminosos. O CrashStealer criptografa todos os dados roubados com o algoritmo AES-256-GCM, os compacta em um arquivo ZIP e os envia ao servidor dos invasores.

Como proteger seu dispositivo

O aumento dos ataques direcionados ao macOS é um claro sinal de alerta: quem usa dispositivos Apple precisa adotar uma postura mais proativa em relação à segurança. Recomendamos:

  • Pesquisar sobre os aplicativos na Internet antes de instalá-los
  • Dar preferência a utilitários disponíveis nas lojas de aplicativos oficiais sempre que possível
  • Usar uma solução de segurança confiável que bloqueie sites maliciosos e impeça a atividade de malware no dispositivo
  • Manter todas as suas credenciais e detalhes bancários em um gerenciador de senhas seguro. Uma opção é o Kaspersky Password Manager que, vale destacar, não foi listado entre os aplicativos visados pelo CrashStealer

As soluções de segurança da Kaspersky detectam o malware descrito nesta publicação e atribuem a ele os veredictos HEUR:Trojan-Downloader.OSX.Agent.gen e HEUR:Trojan-PSW.OSX.Agent.gen.

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  • Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky Maxim Baybarin
    O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo. Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia
     

Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky

24 de Julho de 2026, 09:00

O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo.

Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia. Superar emocionalmente o término pode levar bastante tempo, mas há medidas que você pode tomar desde já para reforçar sua segurança, mesmo que não ajudem a superar seu ex-parceiro.

Veja o que vale a pena verificar após uma separação, quais serviços devem ser desvinculados e por que isso é importante, mesmo quando o término acontece de forma amigável.

Higiene digital: seu seguro contra problemas

Revogar o acesso do seu ex-parceiro às suas contas online não é paranoia, é uma forma de proteger sua própria segurança. Uma separação não rompe automaticamente os vínculos digitais: todo acesso concedido durante o relacionamento continua ativo até que alguém o revogue manualmente. Na maioria das vezes, ninguém pretende explorar esse acesso de forma maliciosa. Ainda assim, ele pode resultar em situações constrangedoras ou até em um risco real de rastreamento.

Foi o que aconteceu com Aleta Dignard-Fung, de Las Vegas, que contou à NPR que, após terminar com o namorado, nem lhe ocorreu que ele ainda sabia sua senha do Spotify. Um dia, enquanto tomava banho ouvindo música, ela percebeu que sua playlist havia mudado de repente. O ex-parceiro tinha acessado a conta em outro dispositivo e estava reproduzindo as músicas que ele havia escolhido. “Foi como uma guerra no Spotify. Passamos uns 10 minutos tentando sobrescrever as músicas um do outro”, contou. Mas as consequências nem sempre são tão inofensivas.

Nessa mesma entrevista, a consultora de relacionamentos Susan Winter relatou um caso de sua própria prática profissional. Um de seus clientes simplesmente não conseguia superar a ex-namorada após o término. Os dois compartilhavam uma conta no OpenTable, serviço de reservas em restaurantes, e ela nunca revogou o acesso dele à conta. Ele passou a acompanhar todas as reservas feitas por ela: para onde ela iria, em que horário e para quantas pessoas. Era assim que ele acompanhava se havia alguém novo na vida dela.

Embora revelem comportamentos bastante diferentes por parte dos ex-parceiros, essas duas histórias têm a mesma origem: contas que nunca foram devidamente bloqueadas após o término. No primeiro caso, isso gerou uma situação constrangedora. No segundo, provocou ansiedade e uma sensação real de estar sendo observada. Para evitar que qualquer um desses cenários aconteça com você, vale a pena seguir uma lista de verificação simples.

Encerre as sessões do seu ex-parceiro

Nas configurações das suas redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail e outros serviços importantes, abra a lista de sessões ativas e encerre todas, exceto as dos dispositivos que você utiliza atualmente.

Redefina suas senhas

Atualize as senhas de todas as contas importantes que seu parceiro possa ter conhecido, por exemplo, caso você utilizasse uma data significativa como senha. Se você reutilizava a mesma senha em vários serviços, redefina-a em todos eles. Aproveite também para revisar as perguntas de segurança e o e-mail ou número de telefone de recuperação da conta, garantindo que nenhum deles ainda esteja vinculado ao seu ex-parceiro. Para evitar o trabalho de memorizar novas credenciais e, ao mesmo tempo, aumentar sua segurança, recomendamos usar um gerenciador de senhas, que gera uma senha forte e exclusiva para cada conta, além de armazená-las e sincronizá-las em todos os seus dispositivos. Assim, você só precisa se lembrar de uma única senha principal.

Verifique a autenticação de dois fatores e os dispositivos confiáveis

Assegure-se de que os códigos de verificação sejam enviados somente para o seu dispositivo. Remova os dispositivos do seu ex-parceiro da lista de dispositivos confiáveis. Você pode fazer isso nas configurações da sua conta Apple ou Google.

Desvincule contas Apple e Google compartilhadas

Se vocês compartilhavam uma conta Apple ou Google, desconecte-se dessa conta. Desative o Compartilhamento Familiar, o iCloud e os backups. Verifique também os álbuns de fotos compartilhados: tudo o que for adicionado automaticamente a eles também poderá ser visto pelo seu ex-parceiro.

Revise suas assinaturas

Se vocês compartilhavam assinaturas, como serviços de streaming ou planos familiares, cancele-as ou crie novas e vincule-as ao seu próprio cartão.

Verifique seus cartões bancários

Se o cartão do seu ex-parceiro estiver vinculado a uma conta de marketplace, aplicativo de entrega ou transporte por aplicativo que pertence a você, remova-o dos métodos de pagamento salvos. e o seu cartão estiver vinculado à conta da outra pessoa e você não tiver mais acesso a ela, a opção mais segura é solicitar a emissão de um novo cartão.

Revogue o acesso à sua casa inteligente

Revogue o acesso do seu ex-parceiro a câmeras, campainhas inteligentes com vídeo, rastreadores GPS e alto-falantes inteligentes. Se os dispositivos estiverem vinculados a uma conta compartilhada, redefina a senha ou transfira-os para sua conta pessoal.

Revise suas configurações de privacidade

erifique as configurações de privacidade das suas contas em diversos serviços e nas redes sociais usando nossa ferramenta online gratuita, Privacy Checker. Ela orienta você na configuração da privacidade de acordo com seu sistema operacional, plataforma e até mesmo seu navegador.

Se perceber sinais de perseguição

Procure organizações de apoio ou de assistência jurídica: elas podem ajudar você a definir o melhor curso de ação. Também vale a pena contar com o apoio de familiares e amigos próximos para enfrentar esse momento difícil. Em dispositivos Android, você pode usar nosso pacote de segurança com o recurso Quem está me espionando. Ele foi desenvolvido para ajudar a detectar rastreamento e perseguição, permitindo que você tome as medidas adequadas para se proteger. O recurso inclui:

  • Detecção de stalkerware. Identifica aplicativos criados para monitorar sua vida em segredo e coletar informações que você jamais gostaria de ver compartilhadas com outras pessoas.
  • Verificação de Dispositivo. Encontra rastreadores instalados de forma oculta que permitem que alguém acompanhe seus deslocamentos e saiba onde você está o tempo todo.
  • Controle de permissões. Mostra quais aplicativos têm acesso a permissões que podem facilitar a espionagem ou comprometer sua privacidade.

O que realmente pode ajudar, e o que pode piorar a situação durante esse momento tão difícil? Confira nossas outras postagens:

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Como gerenciar assinaturas com segurança | Blog oficial da Kaspersky

28 de Maio de 2026, 10:00

Você já tentou calcular quanto gasta por mês com assinaturas? Música, filmes, jogos, cursos de idiomas, serviços de delivery, assinatura de bancos aquecidos e até mesmo a possibilidade de conversar com o bot Grok diretamente do seu veículo: hoje existe assinatura para praticamente tudo. Há até mesmo serviços de assinatura criados especificamente para… acompanhar suas outras assinaturas.

O número de assinaturas varia bastante dependendo de onde você mora, mas, estatisticamente, 78% dos adultos no mundo possuem pelo menos uma assinatura paga, e o usuário médio gerencia 5,6 serviços ativos. Além disso, uma grande parte dessas assinaturas são planos familiares usados por grupos de parentes próximos… e, às vezes, por outras pessoas também: 37% dos usuários compartilham suas assinaturas fora do núcleo familiar imediato.

Como contas de assinatura, especialmente planos familiares, costumam conter dados pessoais sensíveis, elas se tornaram um alvo prioritário para cibercriminosos. Hoje, vamos analisar como gerenciar suas assinaturas com segurança, evitar que suas contas sejam comprometidas e não cair nos golpes mais recentes dos golpistas.

Segurança de contas e assinaturas compartilhadas

Por que alguém poderia querer invadir sua assinatura? Mesmo que o serviço ofereça apenas entretenimento, sua conta quase certamente contém informações sensíveis: nome, endereço, e-mail, telefone, nomes de outros membros e outros dados de identificação pessoal. Esses dados são, então, vendidos na dark web e usados para novos ataques.

Os invasores comprometem contas de assinatura por meio de engenharia social e phishing ou explorando o hábito de muitos usuários de utilizar senhas fracas ou já vazadas. Como destacamos recentemente em nossa pesquisa, quase metade das senhas em todo o mundo pode ser decifrada em menos de um minuto. Os golpistas, então, revendem assinaturas existentes ou vagas em grupos familiares com desconto, ou ainda cadastram a vítima em novos serviços, esperando que as cobranças extras passem despercebidas.

Por fim, alguns intermediários nem sequer se preocupam em invadir contas; eles simplesmente compram assinaturas em massa para um grande número de dispositivos, nas quais o custo por unidade costuma ser muito menor. Depois, revendem vagas individuais desses planos em marketplaces on-line. Como resultado, uma única conta “familiar” pode acabar sendo compartilhada entre pessoas completamente desconhecidas entre si.

Compartilhamento de assinaturas com familiares e outras pessoas

Muitos titulares de assinaturas não veem problema em compartilhar o acesso com familiares e amigos. Mas o que poderia dar errado?

O pior cenário do ponto de vista da segurança acontece quando uma única conta é adquirida e o proprietário compartilha login e senha com outros usuários. Isso geralmente ocorre quando as pessoas tentam economizar em um plano familiar comprando uma assinatura individual e dividindo o acesso. Alguns serviços até permitem perfis diferentes, mas todos ficam vinculados à mesma conta, o que significa que as credenciais são compartilhadas. É assim que funcionam plataformas de streaming como Hulu e Disney+.

Compartilhar uma mesma conta entre várias pessoas aumenta significativamente o risco de suas credenciais caírem em mãos erradas. Não há como garantir que todos estejam armazenando essas informações de forma segura ou que seus dispositivos não estejam infectados por malware. Mesmo sem malware, é extremamente fácil entregar uma senha aos invasores sem perceber, simplesmente ao acessar o serviço de assinatura em uma rede Wi-Fi pública desprotegida.

É totalmente possível que a senha que você compartilhou gentilmente com alguns amigos já tenha aparecido em algum canto da dark web. E você pode perder o acesso à sua conta em breve. Além disso, se você reutiliza a mesma senha em diferentes sites e aplicativos, suas outras contas também passam a estar na mira dos criminosos.

O segundo cenário ocorre quando cada membro do grupo possui uma conta individual. Muitos serviços agora permitem adicionar usuários extras à assinatura sem custo adicional, e a maioria dos titulares fica feliz em distribuir essas vagas gratuitas. Ainda assim, não é hora de baixar a guarda: a violação de apenas uma dessas contas pode expor informações sensíveis, como nomes de familiares, endereços, dados de cobrança e outros dados relacionados à assinatura.

Como proteger suas assinaturas (e sua carteira)

Para manter seus dados pessoais e os de quem você ama privados e suas contas sob seu controle, siga estas regras simples.

Use uma segurança robusta para suas contas

Para isso, aprenda e ensine seus amigos e familiares a usar gerenciadores de senhas, autenticação de dois fatores e chaves de acesso.

Se você e as pessoas próximas dependem apenas da memória para armazenar senhas, há uma grande chance de reutilizarem a mesma senha em vários serviços. Esse é um erro grave: violações de dados acontecem o tempo todo, e uma única senha comprometida dá aos invasores acesso às suas outras contas.

A solução mais simples é utilizar um gerenciador de senhas que gere e armazene senhas complexas e exclusivas para cada site e serviço. Tudo o que você precisa lembrar é a senha principal do cofre criptografado. Além disso, o Kaspersky Password Manager não apenas armazena e cria senhas; ele também pode verificar se elas apareceram em bancos de dados vazados e sincronizar suas credenciais entre todos os seus dispositivos.

E mais: um gerenciador de senhas oferece uma proteção robusta contra phishing. Ao contrário de uma pessoa, que pode facilmente ser enganada por uma página de login quase idêntica à original hospedada em um domínio falso, o gerenciador de senhas não cai nesse tipo de golpe. Ele só oferecerá preencher automaticamente o login e a senha salvos no site ou serviço específico para o qual eles foram originalmente armazenados.

Evite usar navegadores para armazenar suas senhas: infelizmente, os invasores já descobriram há muito tempo como extrair senhas salvas no navegador em questão de segundos.

A autenticação de dois fatores (2FA) adiciona uma camada extra de verificação após a inserção da senha, como um código enviado por SMS ou um código temporário gerado por um aplicativo autenticador. Sempre que tecnicamente possível, ative a 2FA em todas as contas vinculadas às suas assinaturas. Isso vale tanto para os próprios serviços de assinatura quanto para contas de terceiros usadas para login, como Google, Apple ou Facebook.

Recomendamos armazenar seus tokens de autenticação de dois fatores e gerar os códigos temporários, atualizados a cada 30 segundos, dentro do Kaspersky Password Manager. Isso reduz significativamente as chances de alguém assumir o controle da sua conta. Mesmo que um invasor descubra ou adivinhe sua senha, ele não conseguirá obter o código sem acesso físico ao seu dispositivo.

Por fim, você pode abandonar as senhas (quase) completamente adotando chaves de acesso. Já explicamos anteriormente como funciona essa alternativa às senhas e os detalhes do seu uso. Atualmente, este é o sistema de autenticação mais resistente a invasões disponível. Sua principal desvantagem era a dificuldade de sincronizar chaves de acesso entre diferentes ecossistemas, como Windows e iOS, mas as versões mais recentes do Kaspersky Password Manager já conseguem salvar e sincronizar chaves de acesso entre dispositivos Windows, macOS, iOS e Android, tornando esse problema praticamente irrelevante.

Não negligencie a segurança dos dispositivos

Mesmo uma senha complexa e a 2FA não são motivos para baixar a guarda. Um invasor pode infectar seu dispositivo com um infostealer: um malware desenvolvido para roubar cookies de sessão do navegador, arquivos de configuração de aplicativos e outros dados sensíveis. Os cookies de sessão permitem que você permaneça conectado sem precisar inserir suas credenciais toda vez; porém, se golpistas tiverem acesso a esses cookies, poderão fazer login no serviço se passando por você, mesmo sem saber seu usuário ou sua senha. Por isso, uma abordagem preventiva é essencial, especialmente se você usa o Chrome, o Edge, o Opera ou outros navegadores baseados no Chromium no Windows. Recomendamos instalar o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, incluindo o Kaspersky Password Manager, além de proteção abrangente contra ciberameaças.

Compartilhe assinaturas apenas com pessoas em quem você confia

Caso contrário, você pode estar criando um problema para si mesmo. Por exemplo: se você compartilhar uma assinatura da Steam com um amigo que utiliza cheats em jogos, ambas as contas podem acabar banidas. Além disso, nunca tente permitir que outra pessoa acesse sua conta pessoal ou assinatura individual. Compartilhar sua senha com terceiros geralmente viola os termos de serviço e pode resultar no bloqueio da sua conta.

Verifique se não há desconhecidos no seu grupo familiar

Para isso, revise periodicamente os dispositivos e sessões ativas nas configurações das suas assinaturas. Se encontrar um dispositivo desconhecido na lista de acessos autorizados, encerre essa sessão (ou todas) e altere imediatamente a senha da conta. Fazer login novamente em alguns dispositivos é muito mais simples do que tentar recuperar uma conta sequestrada.

E lembre-se: não deixe que seus próprios hábitos comprometam sua segurança. Se estiver na casa de amigos, viajando ou em uma viagem de trabalho e usar um computador local ou uma smart TV, ou ainda fizer login em um computador público, não se esqueça de sair da conta quando terminar. Caso contrário, a próxima pessoa que usar aquele dispositivo poderá acabar tendo acesso gratuito às suas assinaturas ou, pior ainda, ao seu e-mail ou armazenamento de fotos na nuvem.

Não caia na armadilha

Fique atento a e-mails e mensagens de phishing que imitam serviços legítimos. Se você receber uma notificação sobre a “necessidade de atualizar seus dados de pagamento” ou um aviso de que “um novo usuário foi adicionado” ao seu plano familiar, não clique imediatamente em links nem abra anexos. Os links podem direcionar a páginas de phishing, e os anexos podem conter malware. Os golpistas frequentemente usam endereços de e-mail e domínios quase idênticos aos verdadeiros, por exemplo, trocando l (L minúsculo) por I (i maiúsculo) ou utilizando um nome familiar em outra extensão de domínio.

Infelizmente, páginas de phishing hoje são muitas vezes indistinguíveis das originais, especialmente com o uso de IA para criar layouts e designs de alta qualidade. Como está cada vez mais difícil identificar todos os sinais de fraude manualmente, o ideal é delegar essa proteção antiphishing ao Kaspersky Premium. Ele alertará você sobre sites suspeitos, ajudando a proteger seu dinheiro e sua tranquilidade.

Por fim, alguns golpistas atraem usuários com brindes, como falsas assinaturas-presente do Telegram Premium. A vítima é instruída a acessar uma página de phishing que imita a tela de login do Telegram e entrar em sua conta para resgatar o brinde. O resultado é previsível: em vez de ganhar uma assinatura premium, a vítima perde o controle da conta. Recentemente, os golpistas passaram até a usar miniaplicativos dentro do próprio Telegram para roubar credenciais diretamente na plataforma, sob diversos pretextos, desde promoções falsas até alegações de que o usuário precisa migrar para um novo chat porque o anterior foi bloqueado.

Evite comprar assinaturas de vendedores terceirizados

É comum encontrar ofertas de assinaturas em marketplaces e plataformas de varejo por preços muito abaixo dos cobrados oficialmente pelo provedor do serviço. Na maioria das vezes, esse valor “imperdível” esconde uma conta hackeada ou um grupo familiar do qual você pode ser removido a qualquer momento, já que o administrador da família pode ser o próprio vendedor ou um usuário aleatório. Além disso, compartilhar um plano familiar com desconhecidos espalhados pelo mundo viola os termos de uso de muitos serviços.

Como se livrar de assinaturas indesejadas

Agora que já falamos sobre segurança de assinaturas, e aquelas assinaturas extras que vão consumindo silenciosamente seu saldo todos os meses? Pesquisas mostram que os usuários normalmente subestimam quantas assinaturas ativas possuem e quanto gastam com elas. Também é muito comum esquecer de cancelar renovações automáticas de serviços que já não utilizam ou cobranças automáticas iniciadas após o fim de períodos de teste gratuitos.

Se você suspeita que esse seja o seu caso, comece investigando seus próprios extratos bancários. Cobranças recorrentes com o mesmo valor podem indicar uma assinatura esquecida. Verifique quem recebeu o pagamento; se o nome não parecer familiar, faça uma busca online pela empresa. Também vale procurar na sua caixa de e-mails pelo nome do comerciante ou pelo valor da cobrança. Isso pode ajudar a localizar notificações de assinatura e entender exatamente pelo que você está pagando. E não se esqueça de verificar a pasta de spam, já que alertas de assinaturas frequentemente acabam indo parar lá.

Agora, veja como verificar e cancelar assinaturas ativas adquiridas pela App Store e pela Google Play.

Para usuários Android

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque em Google, depois na foto do perfil e acesse Conta do Google.
  3. Vá para Pagamentos e assinaturas.

Se você for o administrador do grupo familiar, também poderá visualizar o histórico de compras dos outros membros da família.

Para usuários iOS

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque na sua foto de perfil no topo do menu.
  3. Vá para Assinaturas.

Nota: para gerenciar sua assinatura do iCloud, será necessário acessar a seção específica do iCloud, localizada logo abaixo de Assinaturas. Na seção Compartilhamento Familiar, caso você seja a pessoa que configurou o grupo, será possível visualizar o histórico de assinaturas e compras de todos os membros da família.

Leia mais sobre assinaturas:

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

19 de Maio de 2026, 10:00

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

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