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Google dismantles botnet secretly running on 1.3 million Android TV boxes

Google's Threat Intelligence Group says it has shut down a massive botnet called x.cpe. At its height, x.cpe ran on more than 1.3 million Android TV devices, and unusually, these were Google-certified boxes. Google says its screening process missed the malware due to "obfuscation techniques" employed by Shenzhen-based Videostrong Technology.

In a detailed blog post, the Threat Intelligence Group explains how the x.cpe botnet evolved quickly from a single-stage dropper into a modular three-stage malware platform that sold access to third parties. Manufacturers must have their devices certified if they want access to Google apps and branding, a process that is supposed to catch threats like this. However, Videostrong's compromised boxes, mostly sold under the MECOOL brand, evaded detection by using a backdoor to remotely install the malware after the devices were set up and online.

After devices appeared online, a stub application called x.cpe or com.oemservice would phone home. This package did not have any malicious capabilities of its own, but it had the system-level permissions necessary to install malware modules at the operator's behest. It also disabled Play Protect, which would have otherwise flagged the silently installed packages as malicious.

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© Google

Como proteger sua smart TV e set-top box contra invasões

Em 2026, o proprietário de um roteador doméstico comum, de uma smart TV ou de uma TV box é um alvo de grande interesse para os cibercriminosos. Esses dispositivos são facilmente recrutados para botnets e redes de proxy residencial, sobre as quais já falamos anteriormente.

Os criminosos “sublicenciam” o dispositivo infectado, permitindo que terceiros paguem para acessar qualquer site usando o endereço IP da vítima, fazendo parecer que é o proprietário do dispositivo quem está realizando os acessos. Esse serviço é procurado para todo tipo de esquema ilícito: desde fraude publicitária e campanhas de spam até tentativas de descoberta de senhas por força bruta e invasão de contas. Em nosso artigo anterior, explicamos como os roteadores domésticos são recrutados para essas redes de proxy; hoje, vamos analisar uma categoria de dispositivos ainda mais vulnerável e igualmente onipresente: smart TVs e TV boxes.

Esses dispositivos atraem os criminosos por dois motivos. Primeiro, ao contrário de computadores e smartphones, as TVs quase sempre ficam conectadas à tomada e têm uma conexão rápida com a Internet. Uma tela apagada não significa que o dispositivo esteja desligado. Além disso, a interface de usuário e as ferramentas de monitoramento limitadas fazem com que processos suspeitos executados em segundo plano possam passar facilmente despercebidos pelos usuários.

A ameaça está evoluindo e se tornando mais agressiva. Um estudo recente constatou que, quando um proxyware chega a um set-top box, os riscos para o proprietário vão muito além de ter o próprio tráfego desviado.

Anatomia da infecção

Os pesquisadores se concentraram em uma popular TV box da SuperBox, que já abordamos anteriormente no artigo Sua TV box virou uma porta de entrada para terceiros?

A estratégia de marketing da SuperBox se baseia fortemente na promessa de oferecer milhares de canais de TV sem assinatura nem mensalidades. No entanto, assim que sai da caixa, o dispositivo não é capaz de fazer nada disso. Para ter acesso a conteúdo pirata, é necessário instalar a loja de aplicativos proprietária da marca.

Quando você a abre e instala aplicativos adicionais, os milhares de canais de TV realmente aparecem. Enquanto isso, nos bastidores, sem nenhum aviso ou solicitação de permissão, o dispositivo inunda sites externos com solicitações não autorizadas, e o tráfego de rede aumenta drasticamente.

Os pesquisadores descobriram vários fatos alarmantes. Primeiro, a vítima pode ser incluída simultaneamente em até cinco botnets. A SuperBox executa clientes de várias redes de proxyware ao mesmo tempo, que chegam a competir entre si, bloqueando a instalação de softwares concorrentes.

Mas o verdadeiro choque foram os ataques à rede interna. O proxyware da TV box não impõe nenhuma limitação ao que seus “clientes” pagantes podem fazer na rede. Eles podem acessar não apenas sites externos, mas também dispositivos dentro da sua rede doméstica.

Normalmente, as configurações do seu roteador doméstico e do provedor de serviços de Internet (ISP) protegem você contra ataques externos. Mas o proxyware contorna essas barreiras porque opera de dentro da rede. Durante um experimento, os pesquisadores confirmaram que um invasor na Internet pode facilmente usar o set-top box infectado para abrir o painel de administração de um roteador doméstico, como um Linksys, que deveria estar acessível apenas ao proprietário quando conectado à rede Wi-Fi doméstica. Isso significa que os hackers podem tentar roubar dados de outros dispositivos da mesma residência ou até mesmo criptografar o armazenamento de rede doméstico (NAS).

Ao mesmo tempo, falhas no firmware de fábrica da SuperBox permitem que hackers instalem e executem remotamente qualquer aplicativo com privilégios de superusuário, e essa ameaça está longe de ser apenas hipotética. Durante três semanas de monitoramento, o set-top box usado no teste sofreu mais de 1.300 ataques por meio da rede de proxy doméstica. Os invasores instalaram três tipos diferentes de malware, incluindo um módulo para realizar ataques DDoS.

O malware usa vários métodos para obter acesso ao sistema e permanece ativo mesmo após reinicializações e quedas de energia.

Como saber se seu set-top box está trabalhando para os hackers

Se você tem um set-top box barato ou uma Android TV de uma marca pouco conhecida, vale a pena verificar se há alguma anomalia.

O método mais confiável é analisar o tráfego de rede. Use as estatísticas disponíveis no painel de controle do seu roteador, mas observe que alguns modelos de baixo custo podem não oferecer esse recurso. Nos roteadores Asus, esse recurso é chamado de Traffic Analyzer; nos TP-Link, de Traffic Usage; e nos Keenetic, de Traffic Monitor. Encontre sua TV ou set-top box na lista de dispositivos e verifique a proporção entre os dados baixados e enviados. Esses dispositivos devem consumir muito tráfego para baixar vídeos, mas enviar pouquíssimos dados. Se seu set-top box estiver silenciosamente enviando gigabytes de dados ou permanecer ativo na rede mesmo quando estiver ocioso, esse é um sinal claro de que ele pode estar infectado.

Se as estatísticas de tráfego não estiverem disponíveis, procure sinais indiretos:

  • Os LEDs de atividade da rede e da memória não param de piscar, mesmo quando ninguém está usando o dispositivo.
  • O gabinete do set-top box fica constantemente morno ou quente.
  • A interface apresenta atraso em relação ao controle remoto, e o set-top box trava aleatoriamente, sem relação com a reprodução de vídeos pesados.
  • A velocidade da Internet nos outros dispositivos (computadores ou celulares) sofre uma queda significativa.
  • Ao tentar acessar sites conhecidos pela rede Wi-Fi doméstica, você se depara constantemente com um CAPTCHA, um sinal de que sua rede pode estar comprometida e ter sido identificada como fonte de spam.
  • O suporte técnico do seu provedor de serviços de Internet entra em contato para perguntar sobre um volume de tráfego de rede suspeito.

O que fazer com um dispositivo infectado

A melhor solução é desconectar o dispositivo da Internet e descartá-lo. Se precisar continuar usando-o, siga estas etapas para minimizar os riscos:

  1. Realize uma redefinição de fábrica (hard reset). Restaure o set-top box ao estado original.
  2. Deixe-o desconectado da Internet antes de configurá-lo novamente. Na primeira vez que ligá-lo após a redefinição, ignore a etapa de configuração do Wi-Fi e não conecte o cabo Ethernet.
  3. Bloqueie a instalação de aplicativos. Acesse as configurações do Android e desative a instalação de aplicativos de fontes desconhecidas. Não se esqueça de desativar todos os recursos de depuração que estiverem ativados: depuração USB, depuração sem fio e ADB. Os nomes dos itens de menu podem variar de acordo com a versão do Android e o fabricante do dispositivo.
  4. Isole-o na rede. Configure uma rede Wi-Fi para convidados no roteador e conecte a TV box a ela. Ative o isolamento de clientes (Client Isolation) nas configurações do roteador, se esse recurso estiver disponível. Isso impedirá que a TV box detecte outros dispositivos da sua rede doméstica, protegendo seus computadores e o armazenamento de rede.
  5. Verifique se há atualizações. Depois que a TV box estiver conectada à rede para convidados, verifique se há atualizações oficiais de firmware. Às vezes, os fabricantes corrigem vulnerabilidades conhecidas, embora não seja recomendável contar com isso no caso de marcas pouco conhecidas.

Suas medidas de proteção mais confiáveis

Comprar dispositivos baratos com recursos de streaming de conteúdo pirata e instalar softwares de fontes duvidosas é uma maneira praticamente certa de comprometer sua rede doméstica. Seu endereço IP se tornará uma fonte de atividade maliciosa, o que, na melhor das hipóteses, fará com que seu provedor de serviços de Internet bloqueie seu acesso e, na pior das hipóteses, fará com que você entre no radar das autoridades policiais. Além disso, os hackers podem usar a TV box como ponto de partida para atacar seus computadores e NAS domésticos, o que pode levar ao roubo de dados pessoais ou a um ataque de ransomware.

A melhor proteção é comprar dispositivos de marcas confiáveis e pagar por conteúdo legal. Além disso, para evitar que alguém assuma o controle da sua rede, certifique-se de que o painel de administração do roteador e os outros dispositivos domésticos estejam protegidos por senhas fortes e exclusivas. Para não precisar memorizar todas elas, use um gerenciador de senhas confiável, como o Kaspersky Password Manager. Além disso, o recurso Smart Home Monitor incluído no Kaspersky Premium permite manter todos os seus dispositivos sob controle.

Talvez haja outras coisas que você não saiba sobre seus dispositivos de casa inteligente:

CrowdStrike Disrupts Sality Botnet After More Than 20 Years

Cybersecurity expert Ken Underhill reports from CrowdStrike on the disruption of the 20-year-old Sality botnet and what security teams need to know.

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Malware em sistemas de infoentretenimento automotivos: como ocorre a infecção

Em junho de 2026, descobrimos um malware incomum que tem como alvo… centrais multimídia automotivas baseadas em Android. Este é o primeiro caso documentado de malware distribuído para centrais multimídia automotivas por meio de um serviço de atualização automática de firmware. Já abordamos diversos incidentes de cibersegurança automotiva, mas, em geral, eles envolviam vazamentos de dados na infraestrutura digital das fabricantes ou testes conduzidos por pesquisadores de segurança.

No entanto, este caso envolve malware que cibercriminosos estão distribuindo ativamente. Os objetivos são cometer fraude publicitária e criar uma botnet de proxies formada por centrais multimídia automotivas infectadas. Neste artigo, explicamos o que é uma central multimídia automotiva, como os invasores infectam esses dispositivos e o que isso pode significar para os motoristas.

O que é uma central multimídia automotiva?

Primeiro, vamos esclarecer o que é exatamente uma central multimídia automotiva. O termo pode parecer técnico, mas, na realidade, a maioria dos motoristas interage com uma delas sempre que usa o carro. A central multimídia é o sistema de infoentretenimento do veículo, geralmente centrado em uma tela usada para controlar a navegação, a música e outras funções do veículo. Nos carros modernos, as centrais multimídia automotivas costumam estar conectadas à Internet.

As fabricantes usam frequentemente o Android nas centrais multimídia por sua praticidade, já que o sistema foi desenvolvido para atender a diferentes usos automotivos e oferece diversas vantagens:

  • muitas opções de personalização da interface;
  • facilidade para desenvolver aplicativos;
  • a possibilidade de adicionar aplicativos e componentes próprios ao sistema;
  • um grande ecossistema de aplicativos já existente.

No entanto, essas mesmas vantagens também criam riscos, pois os aplicativos podem ser maliciosos em vez de legítimos. E foi exatamente isso que aconteceu neste caso: usando um aplicativo malicioso, invasores incorporaram veículos a uma botnet. Veja como isso aconteceu…

Como os invasores infectam as centrais multimídia automotivas e qual malware utilizam?

Primeiro, é importante observar que esse malware não afeta todas as centrais multimídia automotivas, mas apenas aquelas que utilizam software desenvolvido pela empresa chinesa DoFun. A empresa desenvolve firmware, aplicativos e serviços de nuvem para sistemas de infoentretenimento automotivos baseados em Android e, de acordo com seu site, atende a mais de 30 milhões de proprietários de veículos em todo o mundo.

Para distribuir o malware para o sistema de infoentretenimento de um veículo, os invasores usam o TWCore, um aplicativo de sistema legítimo responsável pelas atualizações de software nas centrais multimídia automotivas da DoFun. Em condições normais, o TWCore obtém da nuvem da desenvolvedora informações sobre os arquivos que precisam ser baixados e instalados no dispositivo. Esses arquivos são, principalmente, atualizações de software já instalado na central multimídia, mas o mesmo mecanismo pode ser usado para instalar novos aplicativos. E é exatamente isso que os invasores exploram: eles usam o TWCore para instalar o JarService (um dropper de cavalo de Troia malicioso) nas centrais multimídia automotivas.

O JarService é essencialmente um aplicativo “vazio”. Ou seja, ele não tem uma interface de usuário e não tenta se passar por um serviço legítimo. A ausência de uma interface faz todo sentido neste caso: os invasores não precisam convencer o usuário a instalar o malware manualmente, e nenhuma interação do usuário é necessária.

O código do JarService contém, de forma criptografada, a carga útil da próxima etapa, além de informações sobre sua versão e ponto de entrada. A função do JarService é descriptografar esses dados e iniciar a próxima etapa da infecção: um módulo malicioso de download. Depois de iniciado, o módulo de download se conecta ao servidor de comando e controle (C2) dos invasores e envia informações sobre o malware instalado. Em resposta, o servidor fornece um link para a carga útil da próxima etapa. O módulo de download obtém essa carga útil, descriptografa-a e a executa.

Neste caso, o malware instala um tipo de malware conhecido como “clicker”, usado para aumentar fraudulentamente o número de impressões de anúncios. Depois de ser executado, o malware entra em contato regularmente com o servidor C2 e envia informações sobre o dispositivo infectado, incluindo seu modelo, resolução de tela, endereço MAC e detalhes da rede Wi-Fi conectada. Em troca, o malware pode receber vários comandos dos invasores. Por exemplo, ele pode fazer solicitações HTTP e abrir páginas da Web. Mas, mais importante ainda, pode baixar e executar código malicioso adicional no sistema de infoentretenimento do veículo comprometido.

Os invasores usam esse recurso para instalar um módulo malicioso chamado zhima, que adiciona a central multimídia infectada a uma botnet. A botnet resultante é usada para operar um serviço conhecido como proxy residencial, permitindo que os invasores direcionem seu tráfego por meio dos dispositivos infectados ao realizar ataques e outras atividades maliciosas.

Quem está por trás do malware e o que os invasores pretendem alcançar?

Os invasores infectam centrais multimídia automotivas com malware principalmente para expandir a botnet. Uma investigação realizada por especialistas da Kaspersky constatou que a operação está associada à plataforma maliciosa BADBOX e, mais especificamente, a um dos agentes de ameaça ligados a ela: o MoYu Group. Indícios no código do malware, juntamente com semelhanças em relação à infraestrutura anteriormente atribuída ao MoYu Group, apontam para o envolvimento do grupo. A própria BADBOX reúne uma série de atividades maliciosas voltadas à infecção de dispositivos Android e à exploração clandestina de seus recursos.

Os invasores, então, ganham dinheiro monetizando o acesso a recursos que pertencem a outras pessoas. Ao investigar a infraestrutura da botnet, nossos especialistas descobriram vínculos entre o MoYu Group e os serviços PXYEDGE e ProxyForU, que oferecem serviços de proxy residencial. Esses serviços permitem que clientes de todo o mundo direcionem seu tráfego de Internet por meio de dispositivos conectados à botnet e, assim, acessem a Internet usando os endereços IP desses dispositivos. Isso sugere que as centrais multimídia automotivas infectadas já podem estar sendo usadas como parte dessa infraestrutura.

Como o malware afeta os usuários?

Em primeiro lugar, o malware consome parte dos recursos computacionais da central multimídia automotiva. A carga adicional pode fazer com que o sistema de infoentretenimento do veículo fique mais lento ou menos estável. Ao mesmo tempo, é muito provável que a velocidade da conexão de Internet do dispositivo infectado também diminua, pois os invasores podem direcionar grandes volumes de tráfego por meio dele.

Também vale destacar que o malware não se limita a oferecer funcionalidade de proxy. Ele pode receber comandos dos invasores, além de baixar e executar código malicioso adicional. Como resultado, as consequências de uma infecção podem variar de acordo com a carga útil que os operadores da botnet decidirem instalar no dispositivo.

Conclusão

Este caso demonstra mais uma vez que ataques a todos os tipos de dispositivos conectados à Internet, de decodificadores de TV a sistemas de infoentretenimento automotivo, não são apenas uma possibilidade teórica, mas uma realidade concreta. Os invasores estão constantemente procurando novos dispositivos cujos recursos possam explorar para seus próprios fins. Por isso, a proteção contra malware é importante muito além de computadores e smartphones.

Nossos especialistas informaram a desenvolvedora sobre o esquema de distribuição do malware que identificaram, e ela corrigiu os problemas de segurança identificados.

Uma análise técnica completa do malware está disponível na Securelist.

Que outros métodos os invasores podem usar para comprometer um veículo e quais riscos eles representam para os motoristas? Leia mais em nossas publicações:

TV boxes maliciosas: descubra como uma “SuperBox” barata transforma sua casa em um nó proxy para cibercriminosos | Blog oficial da Kaspersky

Netflix, Apple TV+, Disney+, Hulu, Amazon Prime, YouTube Premium… Hoje em dia, as famílias que seguem a lei costumam pagar, em média, de cinco a dez assinaturas apenas para assistir ao conteúdo que desejam, com gastos mensais facilmente ultrapassando a casa dos cem dólares. Não é surpresa, portanto, que as redes sociais e os marketplaces on-line estejam registrando um aumento na demanda por “caixas mágicas”. Surgidas no final de 2025, essas TV boxes Android prometem desbloquear milhares de canais e oferecer acesso gratuito a serviços de streaming mediante um único pagamento.

Os anúncios desses dispositivos estão inundando o TikTok e o Instagram: influenciadores sorridentes tiram os SuperBoxes da caixa, conectam-nos à TV e navegam por inúmeros canais. Parece a solução perfeita contra o alto preço das assinaturas, certo? Mas, na prática, essa é uma das formas mais fáceis de permitir a entrada de uma botnet na sua rede doméstica.

Captura de tela de um vídeo do TikTok mostrando um SuperBox em ação

Um vídeo promocional no TikTok explicando como é ótimo quando tudo é grátis simplesmente cancelar todas as suas assinaturas

O que há de errado com essas TV boxes baratas?

Já surgiram vários relatos sobre TV boxes maliciosas, mas agora sua divulgação atingiu uma escala realmente alarmante.

No final de 2025, analistas examinaram vários modelos do SuperBox, um dispositivo popular disponível nas principais lojas de varejo e marketplaces on-line. As descobertas foram muito preocupantes: logo após serem ligados, os dispositivos começaram a enviar solicitações aos servidores do aplicativo de mensagens chinês Tencent QQ e ao serviço de proxy Grass, efetivamente disponibilizando a largura de banda da Internet do usuário para terceiros.

Dentro do firmware, os pesquisadores descobriram aplicativos completamente incomuns em um reprodutor de mídia: um scanner de rede, um analisador de tráfego e ferramentas de sequestro de DNS. Com isso, o dispositivo não apenas transmite conteúdo pirata, mas também vasculha a rede local em busca de outros alvos (incluindo interfaces industriais SCADA) e fica pronto para participar de ataques DDoS. Também foi descoberto que os SuperBoxes contêm pastas com o nome revelador “secondstage”, um forte indício de malware em vários estágios.

Mais recentemente, em abril de 2026, o podcast Darknet Diaries publicou uma entrevista com um pesquisador de segurança conhecido pelo pseudônimo D3ada55, que compartilhou diversos detalhes preocupantes sobre essas caixas, incluindo o fato de que elas ainda eram vendidas livremente em plataformas como Amazon, Walmart e Best Buy.

A evolução da infecção: do BADBOX ao Keenadu

O caso do SuperBox está longe de ser a única ocorrência em que os dispositivos Android foram transformados em nós de botnet ou vendidos com infecções de fábrica. Aqui estão os casos mais recentes:

  • BADBOX 2.0. Em julho de 2025, a Google processou os operadores de uma botnet que comprometeu mais de 10 milhões de dispositivos Android, principalmente TV boxes, tablets e projetores baratos que não tinham certificação do Google Play Protect. Conforme informamos anteriormente, o BADBOX 2.0 tem como alvo TV boxes e opera tanto como uma rede proxy quanto como uma plataforma de fraude publicitária.
  • Kimwolf. Em dezembro de 2025, a equipe do QiAnXin XLab descobriu uma botnet DDoS que havia sequestrado cerca de 1,8 milhão de dispositivos Android. O hardware infectado incluía modelos genéricos de fabricantes pouco conhecidos que usavam nomes chamativos como TV BOX, SuperBox, XBOX, SmartTV e outros. O alcance da infecção foi enorme, com dispositivos comprometidos distribuídos para o mundo todo. Os países mais atingidos foram o Brasil, Índia, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Filipinas e México.
  • Keenadu. Nossos especialistas descobriram esse malware à espreita no firmware de dispositivos novos em novembro de 2025, mas ele só chamou atenção depois de publicarmos um estudo sobre ele em fevereiro de 2026. O Keenadu se disfarça de componente legítimo do sistema, até mesmo entrando em aplicativos de desbloqueio facial e potencialmente concedendo aos invasores acesso a dados biométricos, informações bancárias e mensagens pessoais.

Todas essas histórias compartilham a mesma origem: o cavalo de Troia Triada, documentado pela primeira vez pelos nossos pesquisadores em 2016 e apelidado na época de “um dos cavalos de Troia móveis mais avançados”. Ao longo da última década, ele evoluiu de um malware comum para um backdoor modular integrado diretamente ao firmware durante a fabricação.

Como o esquema de infecção funciona

Os fabricantes de TV boxes baratas cortam gastos em tudo: certificação do Google Play Protect, auditorias de firmware e atualizações de segurança. Muitos desses dispositivos são executados no Android Open Source Project sem nenhuma garantia de segurança. Em algum lugar ao longo da cadeia de suprimentos, seja na fábrica, por meio de um intermediário ou em uma distribuidora, um backdoor é injetado na imagem do firmware. Nossos especialistas suspeitam que o próprio fabricante pode nem estar ciente do comprometimento.

A escala da infecção transforma milhões de caixas idênticas na base perfeita para uma botnet: cada dispositivo comprometido representa um endereço IP exclusivo que pode ser alugado para terceiros. Operadores de botnet, como o Kimwolf, lucram com isso não apenas por meio de ataques DDoS distribuídos, mas também revendendo a largura de banda de smart TVs e TV boxes infectadas.

O que isso significa para você

Uma TV box infectada fica na sala de estar, conectada ao Wi-Fi doméstico. Isso significa que ela pode detectar smartphones com aplicativos bancários, unidades de armazenamento conectadas à rede (NAS) com arquivos da família, câmeras IP, fechaduras inteligentes, computadores de trabalho e qualquer outro dispositivo conectado à sua rede Wi-Fi.

Com esse tipo de vetor de acesso inicial dentro da sua rede doméstica, um invasor pode interceptar tráfego não criptografado, falsificar solicitações de DNS, verificar portas e procurar vulnerabilidades em dispositivos vizinhos. Além disso, seu endereço IP pode ser usado para atividades fraudulentas. Como resultado, na melhor das hipóteses, seu IP acabará entrando em listas de bloqueio, e serviços legítimos começarão a barrar seu acesso por atividade suspeita; na pior, autoridades podem bater à sua porta.

Como identificar um gadget potencialmente perigoso

Você deve ficar alerta se um dispositivo:

  • For vendido sob uma marca sem nome ou genérica, como T95, X96Q, MX10, TV BOX, SuperBox ou similares
  • Promete acesso vitalício gratuito a serviços premium pagos mediante um único pagamento
  • Exige que você desative o Google Play Protect ou instale APKs de terceiros durante a configuração inicial
  • Não tem uma certificação do Play Protect
  • É promovido por meio de campanhas agressivas de spam nas redes sociais

Como evitar hospedar um nó de botnet

  • Compre TV boxes certificadas com Google Play Protect ou adquira dispositivos diretamente de operadoras de telecomunicações e provedores de Internet confiáveis.
  • Isole todos os dispositivos domésticos inteligentes. Configure uma rede Wi-Fi separada no roteador da sua casa para TV boxes, câmeras, alto-falantes inteligentes, aspiradores robóticos e dispositivos semelhantes, mantendo smartphones, unidades NAS e computadores na rede principal. Isso evita que o malware se espalhe para seus dispositivos mais importantes.
  • Atualize o firmware com frequência em todos os dispositivos, e não se esqueça do roteador, pois ele também representa um elo vulnerável na cadeia.
  • Remova todos os aplicativos da TV box Android que não foram instalados por você, especialmente lojas de aplicativos alternativas, “impulsionadores” de Wi-Fi e “limpadores de sistema”.
  • Monitore o tráfego da sua rede. Roteadores modernos e o Kaspersky Premium conseguem exibir os destinos de conexão de cada dispositivo. Conexões frequentes entre um reprodutor de mídia e servidores na China representam um forte sinal de alerta de segurança.
  • Instale o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, pois ele protege contra cavalos de Troia e bloqueia páginas de phishing usadas para distribuir arquivos APK infectados.
  • Não desative o Google Play Protect e evite instalar APKs de fontes duvidosas, pois esse é o principal vetor de infecção usado para burlar a loja oficial de aplicativos.
  • Em caso de dúvida, devolva a TV box. Não vale a pena arriscar sua biometria, dados bancários ou a reputação do seu endereço IP por causa de um dispositivo de streaming barato.

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