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Jogos hentai com uma reviravolta perversa | Blog oficial da Kaspersky

Em abril de 2026, descobrimos uma nova campanha destinada a usuários de jogos hentai. Os invasores estão incorporando um cavalo de Troia de acesso remoto chamado Argamal nos instaladores do jogo. Enquanto oculta sua presença, ele pode controlar remotamente o computador e roubar arquivos e dados pessoais.

Veja como evitar ser vítima desse novo cavalo de Troia e como desfrutar de forma segura e anônima de conteúdo picante com (ou sem) garotas de anime.

Como os computadores são infectados com o Argamal

A maioria dos jogos infectados é distribuída em sites de jogos para adultos e de torrent. Em alguns casos, eles são postados para download em serviços de compartilhamento de arquivos e vinculados em sites de jogos.

Jogo hentai trojanizado Sleeping Twins hospedado no AniRena

Exemplo de jogo trojanizado hospedado no rastreador de torrents AniRena

Curiosamente, em vez de encontrar um arquivo fictício dentro do arquivo compactado, como costuma acontecer, o usuário recebe o jogo real, construído em engines populares como RenPy ou RPG Maker. As versões piratas infectadas geralmente acabam sendo fraudes: os jogos não são iniciados, as pastas estão cheias de arquivos com extensões bizarras, tornando bastante fácil deduzir do que se trata. Aqui, no entanto, o usuário obtém a jogabilidade real que esperava. Enquanto isso, o cavalo de Troia entra e mantém um perfil completamente discreto.

Site malicioso com uma biblioteca de jogos hentai trojanizados

Em alguns casos, os invasores hospedam uma biblioteca de jogos trojanizados em seu próprio site. As vítimas, então, baixam os jogos infectados por meio de um serviço de compartilhamento de arquivos gratuito

Junto com os arquivos legítimos no arquivo compactado, está uma DLL essencial para o funcionamento do jogo, mas ela foi adulterada: assim que o usuário inicia o jogo, a DLL infectada é carregada automaticamente na memória. Não há sinais externos de infecção: nem um instalador aparecendo em segundo plano, nem uma janela assustadora ou solicitação para que você desative o antivírus.

O Argamal age com muita cautela: em vez de se apressar imediatamente para roubar arquivos e senhas ou fazer uma bagunça digital em seu computador, o cavalo de Troia primeiro verifica se está sendo executado em uma máquina virtual ou sandbox e, em seguida, entra no modo de espera.

Durante esse período, o malware grava parâmetros ocultos no sistema, oculta os caminhos para suas DLLs e atrasa sua própria execução. Três dias depois, o computador se conecta ao GitHub, baixa um arquivo criptografado, o descriptografa e o transforma em um módulo de cavalo de Troia funcional.

Para garantir a persistência, os invasores registram o malware na tarefa do sistema WindowsColorSystem Calibration Loader, um recurso interno do Windows que é acionado a cada login do usuário para carregar perfis de cores do monitor. Antes de desligar, o malware exclui arquivos temporários e cobre seus rastros para dificultar ainda mais a detecção.

O que torna Argamal perigoso?

O Argamal é um Trojan de acesso remoto (RAT), o que significa que os invasores podem usá-lo para controlar remotamente o computador da vítima. Aqui está apenas uma pequena lista do que isso pode implicar:

  • Executar comandos arbitrários no computador
  • Baixar e executar arquivos
  • Verificar se um antivírus está instalado no PC (a propósito, nossa solução de segurança detecta e neutraliza o Argamal antes que ele possa prejudicar você)
  • Procurar e exfiltrar dados confidenciais de arquivos e configurações do sistema
  • Fazer capturas de tela e transmitir vídeo do dispositivo
  • Enviar dados ao servidor do invasor
  • Monitorar a atividade do usuário
  • Desligar ou reiniciar o dispositivo

Essencialmente, o computador infectado se transforma em uma máquina controlada remotamente. O proprietário pode continuar tranquilamente seu dia, sem saber que o dispositivo foi comprometido. No entanto, as consequências dessa infecção podem ser devastadoras.

Por exemplo, uma única senha roubada de uma nota de texto pode levar a várias contas comprometidas de uma só vez se a vítima reutilizar as mesmas credenciais em sites diferentes. É por isso que recomendamos armazenar senhas fortes e exclusivas no cofre criptografado de um gerenciador de senhas em vez de arquivos de texto simples.

Além de sequestrar contas, o cavalo de Troia permite que os invasores literalmente espionem o usuário, lendo seus bate-papos, vasculhando arquivos secretos, estudando suas preferências sexuais… Os cibercriminosos podem, então, usar essas informações altamente confidenciais para ataques subsequentes, chantagem e extorsão. Em uma postagem anterior, já falamos sobre o que fazer se você for alvo de chantagistas.

Outro cenário comum envolve roubar ou substituir em silêncio dados financeiros, por exemplo, interceptar credenciais de aplicativos bancários ou substituir endereços de carteiras de criptomoedas na área de transferência, o que envia todo o seu dinheiro direto para as contas dos invasores.

Em resumo, há uma lista completa de maneiras pelas quais os invasores podem explorar o dispositivo e os dados de uma vítima.

Argamal, yamete kudasai! Como se proteger de ameaças semelhantes

Se você decidiu se tornar o grande mestre do “Waifu Simulator Ultra Definitive Edition”, tome cuidado:

  • Use um software de segurança que seja executado em tempo real e detecte malwares sofisticados. Apesar dos esforços dos invasores para tornar o cavalo de Troia invisível, o Kaspersky Premium instantaneamente detecta e remove o Argamal dos dispositivos dos usuários.
  • Evite baixar aplicativos adultos, arquivos de instalação e conteúdo picante de fontes não confiáveis. Clicar em um “jogo XXX gratuito sem necessidade de inscrição” é uma maneira infalível de convidar um malware para o seu dispositivo. Dito isso, até mesmo plataformas oficiais como o Google Play e a App Store, infelizmente, permitem que aplicativos infectados entrem às vezes. Para não se preocupar mais com o download acidental de um cavalo de Troia ou de um infostealer, use o Premium em todos os seus dispositivos.
  • Não compartilhe mais dados do que o absolutamente necessário. Se um jogo ou site adulto insistir que você se inscreva, insira dados pessoais ou vincule contas de terceiros em vez de apenas verificar sua data de nascimento, isso é um grande sinal de perigo. Os sites raramente coletam dados confidenciais sem motivo. No melhor dos casos, essas informações acabam nas mãos de profissionais de marketing e rastreadores de anúncios. No pior, caem nas mãos de agentes mal-intencionados, que podem usá-las para chantagem, phishing ou para invadir suas outras contas.
  • Não clique em banners de anúncios em sites adultos. Até mesmo as plataformas mais populares, como o Pornhub, ocasionalmente hospedam anúncios com malware. Se você achar difícil se conter, use uma solução de segurança que bloqueará downloads de malware e impedirá redirecionamentos para sites suspeitos.

Um estudo sobre a segurança de redes Wi-Fi no México | Blog oficial da Kaspersky

A Copa do Mundo de 2026 é um dos eventos de futebol mais aguardados do ano. O torneio será sediado em três países: EUA, Canadá e México. Infelizmente, eventos desse porte atraem não apenas torcedores, mas também golpistas de todo o mundo. Já revelamos como os cibercriminosos estão se preparando para a Copa do Mundo e hoje estamos falando sobre segurança digital para os torcedores no México.

O país sediará 13 partidas e receberá milhões de turistas. Eles ficarão hospedados em hotéis, assistirão a jogos, frequentarão restaurantes, transitarão por aeroportos e visitarão pontos turísticos populares, e em todos os lugares que forem, a tentação de se conectar a redes Wi-Fi públicas será grande.

Avaliamos mais de 84.500 (!) pontos de acesso Wi-Fi públicos na Cidade do México, em Guadalajara e em Monterrey, e temos muitas informações para compartilhar sobre a segurança deles. Alerta de spoiler: muitas redes ainda usam padrões de segurança desatualizados, então, você realmente não deve sair de férias sem proteção confiável e um eSIM.

O que foi testado e de que forma

Percorrer o México a pé à procura de pontos de acesso Wi-Fi públicos teria sido um pouco complicado, embora tenha sido exatamente isso que fizemos num estudo semelhante sobre a segurança de redes Wi-Fi em Paris. Você pode conferir os resultados desse estudo na postagem Como é a segurança das redes Wi-Fi em Paris?

Dessa vez, a missão era muito mais desafiadora: mapear o cenário de redes sem fio de três grandes metrópoles. Foi por isso que recorremos ao wardriving, ou seja, usamos um smartphone ou notebook para buscar e registrar redes sem fio de dentro de um veículo em movimento. Isso é parecido com o que seu telefone faz ao procurar redes Wi-Fi próximas constantemente. Porém, em vez de nos conectarmos a elas, apenas coletamos dados.

Todas as informações foram estritamente usadas para observação passiva e análise de infraestrutura. Os especialistas da Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky (GReAT) coletaram apenas informações de serviço transmitidas publicamente. Não houve tentativas de autenticação, interceptação de tráfego, exploração de sistemas ou interação com as redes sem fio detectadas. Os pontos de acesso móveis implementados em carros e em dispositivos móveis foram excluídos da amostra.

Nosso principal alvo era a Cidade do México, a capital do país e uma das cidades com maior densidade demográfica da América Latina. Percorremos de carro alguns dos pontos turísticos mais populares da cidade: Estádio da Cidade do México, Aeroporto Internacional, Zócalo, Paseo de la Reforma, Colonia Roma, La Condesa, Polanco e Coyoacán.

Percorremos rotas semelhantes em Guadalajara e Monterrey: estádios, avenidas principais, aeroportos e bairros populares. Abaixo, é possível ver um mapa de calor das áreas que percorremos. As regiões em vermelho representam as áreas de maior densidade de pontos de acesso público, passando pelas regiões em amarelo e verde, até chegar nas azuis, que representam a concentração mais baixa.

Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados na Cidade do México
Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados em Guadalajara
Mapa de calor mostrando a localização de todos os pontos de acesso Wi-Fi encontrados em Monterrey

Usamos reconhecimento passivo por rádio para registrar 84.500 sinais e 69.500 identificadores de rede exclusivos nessas três cidades. A maioria dos sinais foi captada na Cidade do México (61,4%), seguida por Guadalajara (23,6%) e Monterrey (14,8%).

O que analisamos:

  • Identificadores de rede sem fio (SSIDs): os nomes que aparecem na lista de redes Wi-Fi disponíveis
  • Informações obtidas desses identificadores
  • Configurações padrão do roteador e como os ISPs implementam suas redes
  • Frequências usadas e características do sinal
  • Carga dos canais e uso do espectro de radiofrequência
  • Configurações de segurança das redes sem fio:
    • Redes abertas e inseguras
    • Redes com WPS ativado
    • Redes seguras (WPA2/WPA3) com WPS ativado

Você pode encontrar a versão completa do estudo no blog Securelist.

Nomes de pontos de acesso Wi-Fi públicos reveladores

Os nomes das redes (SSIDs) podem revelar muitas informações de forma involuntária sobre os fabricantes do hardware, ISPs e métodos de implementação, além de revelar se um ponto de acesso pertence a uma empresa ou a um usuário.

Cerca de 34% das redes Wi-Fi públicas registradas nem sequer alteraram seus nomes, mantendo os SSIDs originais dos fabricantes dos roteadores ou usando convenções de nomenclatura padrão dos seus ISPs. Essa pode ser uma informação bastante útil para atacantes, pois esse tipo de nome de rede permite que eles saibam qual ponto de acesso pertence a determinado provedor, qual hardware está sendo usado e a sua configuração padrão provável.

Outro fato preocupante é o grande número de redes Wi-Fi (mais de 30%) que usam o endereço MAC do ponto de acesso (BSSID) como nome da rede visível. Os primeiros bytes de um BSSID contêm um Identificador organizacional único (OUI) que revela quem é o fabricante do roteador. Essa é uma informação útil para pessoas mal-intencionadas: elas podem descobrir quem fabricou o hardware e testar vulnerabilidades específicas relativas aos modelos dessa marca.

O Wi-Fi do México está bem protegido?

Pode-se considerar que um ponto de acesso protegido com WPA2/WPA3 está mais ou menos seguro. Todos os outros mecanismos de autenticação produzem resultados muito mais fracos. Agrupamos as redes Wi-Fi públicas em quatro categorias:

  • Seguras (WPA2/WPA3)
  • Inseguras (abertas/WEP)
  • Fracas (WPA)
  • Indeterminadas

Os resultados obtidos nas três cidades são muito parecidos: cerca de 82% de todos os pontos de acesso analisados estão protegidos por padrões seguros. O protocolo WPA, que é inseguro e está desatualizado, quase não é utilizado. No entanto, mais de 10% dos pontos de acesso são completamente inseguros. Quem se conecta a essas redes corre o risco de ser vítima de interceptação de tráfego e vigilância oculta.

Mas a segurança não é avaliada apenas pelos protocolos WPA. Também verificamos a presença do WPS, o conhecido recurso que possibilita a conexão rápida a uma rede sem necessidade de senha e que é altamente vulnerável a ataques. Descobriu-se que o WPS está ativado em 47% dos pontos de acesso na Cidade do México (quase a metade), 43% em Guadalajara e 41% em Monterrey. Em média, 45% dos pontos de acesso são potencialmente vulneráveis a ataques relacionados ao WPS, o que representa um sacrifício à segurança em nome da conveniência.

Além disso, esse recurso permaneceu ativo com frequência até mesmo em redes WPA2/WPA3 aparentemente seguras (cerca de metade delas utilizava WPS). Isso mostra que, para que um ponto de acesso Wi-Fi seja considerado seguro, não basta ter WPA2/WPA3, pois recursos adicionais, como o WPS, ainda podem viabilizar ataques.

O que mais os turistas precisam saber

Os riscos digitais em uma viagem não se limitam apenas a redes Wi-Fi públicas, especialmente porque muitas pessoas estão migrando do Wi-Fi público para um eSIM. Ainda há muitas ameaças em lugares com grande movimentação de pessoas: carregadores USB públicos, códigos QR com links trocados, ataques por meio de NFC e Bluetooth e, é claro, táticas de engenharia social. Vamos nos aprofundar em cada um desses fatores.

Estações de carregamento. Os carregadores USB públicos também podem ser perigosos: pessoas mal-intencionadas podem obter acesso aos dados no seu dispositivo ou tentar instalar um malware. Detalhamos esses ataques na nossa postagem Roubo de dados durante o carregamento do smartphone.

Códigos QR perigosos. Os criminosos podem disseminar códigos QR contendo phishing em pontos turísticos populares. Os pretextos podem variar bastante; por exemplo, anúncios de “eventos” para torcedores de um time específico ou links que supostamente oferecem descontos ou exibem cardápios de restaurantes. Na realidade, qualquer código QR postado na rua pode ser considerado inseguro por padrão, e você não deve utilizar seu smartphone para lê-los, a menos que tenha um Analisador de ameaças de códigos QR instalado.

Transmissões, ingressos e bolões falsos. Em postagens anteriores, descrevemos casos em que pessoas mal-intencionadas estavam distribuindo malware por meio de aplicativos IPTV falsos para aproveitar da empolgação em torno da Copa do Mundo de 2026. Lembre-se, mesmo que você planeje assistir aos jogos em casa, ainda precisa ficar alerta e não confiar em qualquer site que anuncie transmissões gratuitas, ofereça bolões ou prometa pagamentos bastante generosos.

Ataques por NFC e Bluetooth. Deixar o Bluetooth ativado em locais com grande movimentação de pessoas também pode causar problemas: alguém pode tentar descobrir seu dispositivo, rastreá-lo ou fazer uma solicitação de pareamento indesejada. Os serviços NFC com pagamentos sem contato também oferecem riscos, especialmente com relação a pagamentos em locais suspeitos.

Como proteger a si mesmo e seus dispositivos

Apesar da prevalência de pontos de acesso Wi-Fi públicos WPA2/WPA3 seguros na Cidade do México, em Guadalajara e em Monterrey, nosso estudo mostra que as redes Wi-Fi públicas continuam vulneráveis. Também é importante lembrar que os invasores podem criar redes falsas (as chamadas gêmeas do mal) disfarçadas de redes Wi-Fi públicas legítimas em aeroportos, hotéis, cafeterias e pontos turísticos.

É quase impossível para um usuário comum dizer o quanto um ponto de acesso específico é seguro ao tentar se conectar a ele. É por isso que a opção mais segura é usar dados móveis para acessar a Internet, eliminando por completo a necessidade de Wi-Fi. Além disso, não há necessidade de pesquisar as leis locais, tarifas e outras informações relativas a redes móveis para cada país que você planeja visitar. Basta comprar um cartão eSIM global  on-line em dois cliques. Explicamos como facilitar todo esse processo na postagem Internet móvel com a Kaspersky eSIM Store.

Se você ainda planeja usar uma rede Wi-Fi pública, sempre use uma VPN para proteger seu dispositivo e dados ao se conectar a redes Wi-Fi desconhecidas e desprotegidas. Isso cria um túnel criptografado entre o seu dispositivo e o servidor VPN, impossibilitando a interceptação dos seus dados ao longo do caminho. Ainda não escolheu uma VPN? Experimente a Kaspersky Secure Connection, que está incluída nas assinaturas do Kaspersky Premium e do Kaspersky Plus.

Agora, se você ainda planeja participar da Copa do Mundo sem nenhuma solução de segurança cibernética, pelo menos siga estas regras básicas de higiene digital:

  • Não use carregadores USB públicos
  • Não envie informações confidenciais por conexões que não são seguras
  • Não faça login em contas bancárias, e-mail ou redes sociais por meio de redes Wi-Fi inseguras
  • Desative o Bluetooth e o NFC ao frequentar lugares com grande movimentação de pessoas
  • Não confie nos códigos QR postados na rua
  • Somente se conecte a um Wi-Fi público quando for absolutamente necessário

Leia também os seguintes artigos e garanta que torcer pelo seu time favorito não seja apenas emocionante, mas também seguro:

Trojan BeatBanker e BTMOB: técnicas de infecção e como manter a segurança | Blog oficial da Kaspersky

Para conseguir concretizar seus planos ardilosos, os desenvolvedores de malware para Android precisam enfrentar vários desafios sucessivos: enganar os usuários para invadir o smartphone, burlar os softwares de segurança, convencer as vítimas a conceder várias permissões do sistema, manter a distância de otimizadores de bateria integrados que consomem muitos recursos e, depois de tudo isso, ter a certeza de que o malware realmente gera lucro. Os criadores do BeatBanker, uma campanha de malware baseado em‑Android descoberta recentemente por nossos especialistas, desenvolveram algo novo para cada uma dessas etapas. O ataque é voltado, por enquanto, para usuários brasileiros, mas as ambições dos desenvolvedores quase certamente motivará uma expansão internacional, então, vale a pena permanecer em alerta e estudar os truques do agente da ameaça. É possível encontrar uma análise técnica completa do malware na Securelist.

Como o BeatBanker se infiltra em um smartphone

O malware é distribuído por páginas de phishing especialmente criadas que imitam a Google Play Store. Uma página facilmente confundida com o Marketplace oficial convida os usuários a baixar um aplicativo aparentemente útil. Em uma campanha, o trojan se disfarçou como o aplicativo de serviços do governo brasileiro, o INSS Reembolso. Em outra, ele se apresentava como um aplicativo da Starlink.

O site malicioso cupomgratisfood{.}shop faz um excelente trabalho ao imitar uma loja de aplicativos. Não está claro por que o aplicativo INSS Reembolso falso aparece todas as três vezes. Para transparecer mais credibilidade, talvez?!

A instalação ocorre em várias etapas para evitar a solicitação de muitas permissões ao mesmo tempo e para acalmar ainda mais a vítima. Depois que o primeiro aplicativo é baixado e iniciado, ele exibe uma interface que também se assemelha ao Google Play e simula uma atualização para o aplicativo falso, ao solicitar a permissão do usuário para instalar aplicativos, algo que não parece fora do comum no contexto. Se essa permissão for concedida, o malware baixará módulos maliciosos adicionais no smartphone.

Após a instalação, o trojan simula uma atualização do aplicativo chamariz via Google Play ao solicitar permissão para instalar aplicativos enquanto baixa módulos maliciosos adicionais no processo

Todos os componentes do trojan são criptografados. Antes de descriptografar e prosseguir para os próximos estágios da infecção, ele verifica se o smartphone é real e se ele está no país de destino. O BeatBanker encerra imediatamente o próprio processo se encontrar discrepâncias ou detectar que está sendo executado em ambientes emulados ou de análise. Isso complica a análise dinâmica do malware. Aliás, o falso downloader de atualizações injeta módulos diretamente na RAM para evitar a criação de arquivos no smartphone que seriam visíveis ao software de segurança.

Todos esses truques não são novidade e são frequentemente usados em malwares complexos para computadores desktop. No entanto, para smartphones, essa sofisticação ainda é uma raridade, e nem todas as ferramentas de segurança conseguirão detectar isso. Usuários de produtos da Kaspersky estão protegidos contra essa ameaça.

Reprodução de áudio como um escudo

Uma vez estabelecido no smartphone, o BeatBanker baixa um módulo para minerar a criptomoeda Monero. Os autores estavam muito preocupados com a possibilidade dos sistemas agressivos de otimização de bateria do smartphone desligarem o minerador, então eles criaram um truque: tocar um som quase inaudível o tempo todo. Os sistemas de controle de consumo de energia normalmente poupam os aplicativos que estão reproduzindo áudio ou vídeo para evitar cortar a música de fundo ou os players de podcast. Dessa forma, o malware pode ser executado continuamente. Além disso, ele exibe uma notificação persistente na barra de status para solicitar ao usuário que mantenha o telefone ligado para uma atualização do sistema.

Exemplo de uma notificação de atualização persistente do sistema de outro aplicativo malicioso disfarçado como um aplicativo da Starlink

Controle via Google

Para gerenciar o trojan, os autores utilizam o Firebase Cloud Messaging (FCM) legítimo do Google, um sistema para receber notificações e enviar dados de um smartphone. Esse recurso está disponível para todos os aplicativos e é o método mais popular para enviar e receber dados. Graças ao FCM, os invasores podem monitorar o status do dispositivo e alterar as configurações de acordo com suas necessidades.

Não acontecerá nada durante um tempo, depois que o malware for instalado, os invasores esperam pacientemente. Então, eles acionam o minerador, mas com o cuidado de reduzir a intensidade, se o telefone superaquecer, a bateria começar a descarregar ou o proprietário estiver usando o dispositivo. Tudo isso é feito via FCM.

Roubo e espionagem

Além do minerador de criptomoedas, o BeatBanker instala módulos extras para espionar o usuário e realizar o roubo no momento certo. O módulo de spyware solicita a permissão dos Serviços de Acessibilidade, e se ela for concedida, o monitoramento de tudo o que estiver acontecendo no smartphone começa.

Se o proprietário abrir o aplicativo Binance ou Trust Wallet para enviar USDT, o malware sobrepõe uma tela falsa na parte superior da interface da carteira ao trocar efetivamente o endereço do destinatário pelo seu próprio endereço. Todas as transferências vão para os golpistas.

O trojan possui um sistema de controle remoto avançado e é capaz de executar muitos outros comandos:

  • Interceptação de códigos únicos do Google Autenticador
  • Gravação de áudio do microfone
  • Streaming da tela em tempo real
  • Monitoramento da área de transferência e interceptação de pressionamentos de tecla
  • Envio de mensagens SMS
  • Simulação de toques em áreas específicas da tela e entrada de texto de acordo com um script enviado pelo invasor e muito mais

Tudo isso torna possível roubar a vítima quando ela usa qualquer outro serviço bancário ou de pagamento, não apenas os pagamentos de criptomoedas.

Às vezes, as vítimas são infectadas com um módulo diferente para espionagem e controle remoto por smartphone, o trojan de acesso remoto BTMOB. Seus recursos maliciosos são ainda mais amplos, incluindo:

  • Aquisição automática de determinadas permissões no Android 13 a 15
  • Rastreamento contínuo de geolocalização
  • Acesso às câmeras frontal e traseira
  • Obtenção de códigos PIN e senhas para desbloqueio da tela
  • Captura da digitação do teclado

Como se proteger contra o BeatBanker

Os criminosos virtuais estão constantemente refinando seus ataques e criando novas soluções como formas de lucrar com as vítimas. Apesar disso, é possível se proteger seguindo algumas precauções simples:

  • Baixe aplicativos somente de fontes oficiais, como o Google Play ou a loja de aplicativos pré-instalada pelo fornecedor. Se encontrar um aplicativo ao pesquisar na Internet, não o abra por meio de um link do navegador, em vez disso, acesse o aplicativo Google Play ou outra loja consolidada em seu smartphone e procure por ele lá. Enquanto estiver fazendo isso, verifique o número de downloads, o histórico do aplicativo, as classificações e os comentários. Evite aplicativos novos, aplicativos com classificações baixas e aqueles com um pequeno número de downloads.
  • Verifique todas as permissões concedidas. Não conceda permissões sem a certeza do que elas fazem ou por que esse aplicativo específico as requer. Tenha muito cuidado com permissões como Instalar aplicativos desconhecidos, Acessibilidade, Superusuário e Exibir sobre outros aplicativos. Escrevemos sobre isso em detalhes em um artigo separado.
  • Equipe seu dispositivo com uma solução antimalware abrangente. Naturalmente, recomendamos o Kaspersky for Android. Os usuários dos produtos Kaspersky estão protegidos contra o BeatBanker, detectado com os veredictos HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.BeatBanker e HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.Banker.*.
  • Atualize regularmente o sistema operacional e o software de segurança. Para o Kaspersky for Android, atualmente indisponível no Google Play, consulte nossas instruções detalhadas sobre como instalar e atualizar o aplicativo.

Ameaças aos usuários do Android estão aumentando bastante ultimamente. Confira nossas outras postagens sobre os ataques Android mais relevantes e difundidos, além das dicas para manter você e seus entes queridos seguros:

CVE-2026-3102: vulnerabilidade no processamento de imagens do ExifTool no macOS | Blog oficial da Kaspersky

É possível que um computador seja infectado por malware simplesmente ao processar uma foto? Especialmente se esse computador for um Mac, que muitos ainda acreditam, de forma equivocada, ser inerentemente resistente a malware? A resposta é sim. Isso pode ocorrer se você estiver utilizando uma versão vulnerável do ExifTool ou um dos inúmeros aplicativos desenvolvidos com base nele. O ExifTool é uma solução de código aberto amplamente utilizada para ler, gravar e editar metadados de imagens. Trata-se da ferramenta de referência para fotógrafos e arquivistas digitais, sendo também muito empregada em análise de dados, perícia digital e jornalismo investigativo.

Especialistas da nossa equipe GReAT descobriram uma vulnerabilidade crítica, registrada como CVE-2026-3102, que é acionada durante o processamento de arquivos de imagem maliciosos contendo comandos shell incorporados em seus metadados. Quando uma versão vulnerável do ExifTool no macOS processa esse tipo de arquivo, o comando é executado automaticamente. Isso permite que um agente malicioso realize ações não autorizadas no sistema, como baixar e executar um payload a partir de um servidor remoto. Neste post, explicamos em detalhes como esse exploit funciona, apresentamos recomendações práticas de defesa e mostramos como verificar se seu sistema está vulnerável.

O que é o ExifTool?

O ExifTool é um aplicativo gratuito e de código aberto que atende a uma necessidade específica, porém crítica: extrair metadados de arquivos e permitir o processamento tanto desses dados quanto dos próprios arquivos. Metadados são informações incorporadas à maioria dos formatos de arquivo modernos e que descrevem ou complementam o conteúdo principal de um arquivo. Por exemplo, em uma faixa de música, os metadados incluem o nome do artista, o título da música, o gênero, o ano de lançamento, a arte da capa do álbum e assim por diante. Em fotografias, normalmente incluem a data e hora do registro, as coordenadas GPS, as configurações de ISO e a velocidade do obturador, além da marca e do modelo da câmera. Até documentos de escritório armazenam metadados, como o nome do autor, o tempo total de edição e a data original de criação.

O ExifTool é considerado o líder do setor em termos de quantidade de formatos de arquivo compatíveis, além da profundidade, precisão e versatilidade de suas capacidades de processamento. Entre os casos de uso mais comuns estão:

  • Ajustar datas se estiverem incorretamente registradas nos arquivos de origem
  • Transferir metadados entre diferentes formatos de arquivo (de JPG para PNG, entre outros)
  • Extrair miniaturas de pré-visualização de formatos RAW profissionais (como 3FR, ARW ou CR3)
  • Recuperar dados de formatos especializados, incluindo imagens térmicas da FLIR, fotos de campo de luz da LYTRO e imagens médicas no formato DICOM
  • Renomear arquivos de foto ou vídeo com base no momento real do registro e sincronizar a data e hora de criação do arquivo
  • Inserir coordenadas GPS em um arquivo sincronizando-o com um log de trilha GPS armazenado separadamente ou adicionando o nome da localidade habitada mais próxima

E a lista continua. O ExifTool está disponível tanto como aplicativo autônomo de linha de comando quanto como biblioteca de código aberto, o que significa que seu código frequentemente opera nos bastidores de ferramentas mais complexas e multifuncionais. Entre os exemplos estão sistemas de organização de fotos como Exif Photoworker e MetaScope, ou ferramentas de automação de processamento de imagens como ImageIngester. Em grandes bibliotecas digitais, editoras e empresas especializadas em análise de imagens, o ExifTool costuma ser utilizado em modo automatizado, acionado por aplicativos corporativos internos e scripts personalizados.

Como a CVE-2026-3102 funciona

Para explorar essa vulnerabilidade, um invasor precisa criar um arquivo de imagem de uma forma específica. A imagem em si pode ser qualquer uma; o exploit está nos metadados, mais precisamente no campo DateTimeOriginal (data e hora de criação), que precisa estar registrado em um formato inválido. Além da data e da hora, esse campo deve conter comandos shell maliciosos. Devido à forma específica como o ExifTool manipula dados no macOS, esses comandos só serão executados se duas condições forem atendidas:

  • O aplicativo ou a biblioteca estiver sendo executado no macOS
  • O sinalizador -n (ou –printConv) estiver habilitado. Esse modo gera dados legíveis por máquina, sem processamento adicional. Por exemplo, no modo -n, os dados de orientação da câmera são exibidos simplesmente como “six”, enquanto, com processamento adicional, aparecem na forma mais compreensível “Rotated 90 CW”. Essa conversão para uma forma “legível por humanos” impede a exploração da vulnerabilidade

Um cenário raro, mas de forma alguma impossível, de ataque direcionado poderia ocorrer da seguinte maneira. Um laboratório forense, uma redação de jornal ou uma grande organização que processe documentação jurídica ou médica recebe um arquivo digital de interesse. Pode ser uma fotografia sensacionalista ou uma petição judicial; a isca depende da área de atuação da vítima. Todos os arquivos que entram na organização passam por triagem e catalogação em um sistema de gestão de ativos digitais (DAM). Em grandes empresas, esse processo costuma ser automatizado; profissionais autônomos e pequenas empresas executam o software necessário manualmente. Em ambos os casos, a biblioteca ExifTool precisa estar sendo utilizada nos bastidores desse software. Ao processar a data da fotografia maliciosa, o computador onde o processamento ocorre é infectado por um trojan ou um infostealer, que posteriormente pode roubar todos os dados valiosos armazenados no dispositivo comprometido. Enquanto isso, a vítima pode não perceber absolutamente nada, pois o ataque explora apenas os metadados da imagem, enquanto a própria fotografia pode ser aparentemente inofensiva, legítima e até útil.

Como se proteger da vulnerabilidade do ExifTool

Pesquisadores da equipe GReAT relataram a vulnerabilidade ao autor do ExifTool, que rapidamente lançou a versão 13.50, não suscetível à CVE-2026-3102. As versões 13.49 e anteriores devem ser atualizadas para corrigir a falha.

É fundamental garantir que todos os fluxos de processamento de imagens estejam utilizando a versão atualizada. Verifique se todas as plataformas de gestão de ativos digitais, aplicativos de organização de fotos e quaisquer scripts de processamento em lote de imagens executados em Macs estão habilitando o ExifTool versão 13.50 ou posterior, e se não contêm uma cópia incorporada mais antiga da biblioteca ExifTool.

Naturalmente, o ExifTool, como qualquer software, pode conter outras vulnerabilidades dessa mesma classe. Para reforçar a segurança, recomenda-se também:

  • Isolar o processamento de arquivos não confiáveis. Processe imagens provenientes de fontes duvidosas em uma máquina dedicada ou dentro de um ambiente virtual, limitando rigorosamente o acesso desse ambiente a outros computadores, armazenamentos de dados e recursos de rede.
  • Monitorar continuamente vulnerabilidades na cadeia de suprimentos de software. Organizações que dependem de componentes de código aberto em seus fluxos de trabalho podem utilizar Open Source Data Feed para acompanhamento.

Por fim, se você trabalha com freelancers ou prestadores autônomos (ou permite o uso de BYOD, Bring Your Own Device), autorize o acesso à sua rede somente se esses dispositivos tiverem uma solução abrangente de segurança para macOS instalada.

Ainda acha que o macOS é totalmente seguro? Então, vale conhecer algumas ameaças recentes direcionadas a Macs:

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