“A conduta analisada caracteriza, em tese, os crimes de falsa identidade (art. 307 do Código Penal), estelionato (art. 171 do Código Penal) e falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal), tendo em vista a utilização de engenharia social para induzir a operadora de telecomunicações a erro, resultando na alteração indevida da titularidade da linha telefônica.
Ressalta-se ainda possível responsabilidade civil da operadora, diante da falha na prestação do serviço, nos termos do Código de Defesa do Consumidor.”
Há cerca de um ano, publicamos uma postagem sobre a técnica ClickFix, que estava ganhando popularidade entre os invasores. A essência dos ataques usando o ClickFix é convencer a vítima, sob vários pretextos, a executar um comando malicioso em seu computador. Ou seja, do ponto de vista das soluções de segurança cibernética, ele é executado em nome do usuário ativo e com seus privilégios.
Nos primeiros usos dessa técnica, os cibercriminosos tentavam convencer as vítimas de que elas precisavam executar um comando para corrigir algum problema ou passar por um captcha e, na grande maioria dos casos, o comando malicioso era um script do PowerShell. No entanto, desde então, os invasores criaram uma série de novos truques sobre os quais os usuários devem ser avisados, bem como uma série de novas variantes de entrega de carga maliciosa, que também merecem atenção.
Uso de mshta.exe
No ano passado, os especialistas da Microsoft publicaram um relatório sobre ataques cibernéticos direcionados a proprietários de hotéis que trabalham com a Booking.com. Os invasores enviaram notificações falsas do serviço ou e-mails fingindo ser de hóspedes chamando a atenção para uma avaliação. Em ambos os casos, o e-mail continha um link para um site imitando o site Booking.com, que pedia à vítima para provar que não era um robô executando um código pelo menu Executar.
Há duas diferenças principais entre esse ataque e o ClickFix. Primeiro, ninguém pede para o usuário copiar a string (afinal, uma string com código às vezes levanta suspeitas). Ela é copiada para a área de transferência pelo site malicioso, provavelmente quando o usuário clica em uma caixa de seleção que imita o mecanismo reCAPTCHA. Em segundo lugar, a string maliciosa invoca o utilitário mshta.exe legítimo, que serve para executar aplicativos escritos em HTML. Ele entra em contato com o servidor dos invasores e executa a carga maliciosa.
Vídeo no TikTok e PowerShell com privilégios de administrador
A BleepingComputer publicou um artigo em outubro de 2025 sobre uma campanha que espalha malware por meio de instruções em vídeos do TikTok. Os próprios vídeos imitam tutoriais sobre como ativar software proprietário gratuitamente. O conselho que fornecem se resume à necessidade de executar o PowerShell com privilégios de administrador e, em seguida, executar o comando iex (irm {address}). Aqui, o comando irm baixa um script malicioso de um servidor controlado por invasores e o comando iex (Invoke-Expression) o executa. O script, por sua vez, baixa um malware infostealer para o computador da vítima.
Uso do protocolo Finger
Outra variante incomum do ataque ClickFix usa o conhecido truque do captcha, mas o script malicioso usa o antigo protocolo Finger. O utilitário de mesmo nome permite que qualquer pessoa solicite dados sobre um usuário específico em um servidor remoto. Hoje, o protocolo raramente é usado, mas ainda é compatível com Windows, macOS e diversos sistemas baseados em Linux.
O usuário é persuadido a abrir a interface da linha de comando e usá-la para executar um comando que estabelece uma conexão pelo protocolo Finger (usando a porta TCP 79) com o servidor do invasor. O protocolo transfere apenas informações de texto, mas isso é suficiente para baixar outro script para o computador da vítima, que então instala o malware.
Variante CrashFix
Outra variante do ClickFix difere por usar engenharia social mais sofisticada. Ela foi usada em um ataque a usuários que tentavam encontrar uma ferramenta para bloquear banners de publicidade, rastreadores, malware e outros conteúdos indesejados em páginas da web. Ao procurar uma extensão adequada para o Google Chrome, as vítimas encontraram algo chamado NexShield – Advanced Web Guardian, que na verdade era um clone de um software real funcional, mas que em algum momento travava o navegador e exibia uma notificação falsa sobre um problema de segurança detectado e a necessidade de executar uma “verificação” para corrigir o erro. Se o usuário concordasse, ele recebia instruções sobre como abrir o menu Executar e digitar um comando que a extensão havia copiado anteriormente para a área de transferência.
O comando copiava o arquivo finger.exe conhecido para um diretório temporário, o renomeava como ct.exe e, em seguida, iniciava-o com o endereço do invasor. O resto do ataque era idêntico ao caso anterior. Em resposta à solicitação do protocolo Finger, um script malicioso era entregue, que iniciava e instalava um trojan de acesso remoto (neste caso, ModeloRAT).
Entrega de malware por consulta DNS
A equipe de Inteligência de Ameaças da Microsoft também compartilhou uma variante de ataque ClickFix um pouco mais complexa do que o habitual. Infelizmente, eles não descreveram o truque de engenharia social, mas o método de entregar a carga maliciosa é bastante interessante. Provavelmente para dificultar a detecção do ataque em um ambiente corporativo e prolongar a vida útil da infraestrutura maliciosa, os invasores usaram uma etapa adicional: entrar em contato com um servidor DNS controlado pelos invasores.
Ou seja, depois que a vítima é persuadida de alguma forma a copiar e executar um comando malicioso, uma solicitação é enviada ao servidor DNS em nome do usuário por meio do utilitário nslookup legítimo, solicitando dados para o domínio example.com. O comando continha o endereço de um servidor DNS específico controlado pelos invasores. Ele retorna uma resposta que, entre outras coisas, contém uma string com um script malicioso, que por sua vez baixa a carga útil final (neste ataque, ModeloRAT novamente).
Isca de criptomoeda e JavaScript como carga útil
A próxima variante de ataque é interessante por sua engenharia social de vários estágios. Em comentários no Pastebin, os invasores espalharam ativamente uma mensagem sobre uma suposta falha no serviço de câmbio de criptomoedas Swapzone.io. Os proprietários de criptomoedas recebiam convites para visitar um site criado por fraudadores, que continha instruções completas sobre como explorar uma falha capaz de gerar até US$ 13.000 em poucos dias.
As instruções explicavam como as falhas do serviço podiam ser exploradas para trocar criptomoedas a uma taxa mais favorável. Para fazer isso, a vítima precisava abrir o site do serviço no navegador Chrome, digitar manualmente “javascript:” na barra de endereço, colar o script JavaScript copiado do site do invasor e executá-lo. Na realidade, é claro, o script não podia afetar as taxas de câmbio; ele simplesmente substituía os endereços da carteira Bitcoin e, se a vítima realmente tentasse negociar algo, transferiria os fundos para as contas dos invasores.
Como proteger a sua empresa contra ataques ClickFix
Os ataques mais simples que usam a técnica ClickFix podem ser combatidos pelo bloqueio da combinação de teclas [Win] + [R] em dispositivos de trabalho. Mas, como vemos nos exemplos listados, esse está longe de ser o único tipo de ataque em que os usuários são instruídos a executar código malicioso.
Portanto, o principal conselho é aumentar a conscientização em segurança cibernética dos funcionários. Eles devem entender claramente que, se alguém lhes pedir para executar qualquer manipulação incomum no sistema e/ou copiar e colar um código em algum lugar, na maioria dos casos trata-se de um truque usado pelos cibercriminosos. O treinamento de conscientização de segurança pode ser organizado com a Kaspersky Automated Security Awareness Platform.
Além disso, para se proteger contra esses ataques cibernéticos, recomendamos:
Com a mudança de estação prestes a acontecer, o amor está no ar, porém, ele está sendo vivenciado por meio do enfoque da alta tecnologia. A tecnologia está cada vez mais presente em nossas vidas, e essa presença marcante está remodelando não só os ideais românticos, mas também a linguagem que as pessoas usam para flertar. Por isso, é claro, daremos algumas dicas não muito óbvias para garantir que as pessoas não acabem sendo vítimas de um “match” ruim.
Novas linguagens do amor
Alguma vez você já recebeu o quinto e-card de vídeo de um parente mais velho em um dia qualquer e pensou: como faço para isso parar? Ou ainda, você acha que um ponto no final de uma frase é um sinal de agressão passiva? No mundo das mensagens, diferentes grupos sociais e etários falam seus próprios dialetos digitais, e muitas vezes as coisas se perdem na tradução.
Isso é especialmente óbvio quando a Geração Z e a Geração Alfa usam emoji. Para eles, o rosto que chora alto 😭 muitas vezes não significa tristeza, na verdade, ele significa riso, choque ou obsessão. Por outro lado, o emoji coração nos olhos pode ser usado para expressar ironia em vez de romance: “Perdi minha carteira a caminho de casa 😍😍😍”. Alguns significados duplos já se tornaram universais, como 🔥 para aprovação/elogio, ou 🍆 para… bem, podemos imaginar o que a berinjela pode representar.
Ainda assim, a ambiguidade desses símbolos não impede que as pessoas criem frases inteiras motivadas simplesmente pela imagem dos emojis. Por exemplo, uma declaração de amor pode ser algo do tipo:
🤫❤️🫵
Ou, ainda, um convite para um encontro:
➡️💋🌹🍝🍷❓
A propósito, existem livros inteiros escritos em emoji. Por incrível que pareça, em 2009, alguns entusiastas traduziram todo o livro Moby Dick usando emojis. Os tradutores tiveram que ser criativos, até mesmo pagando voluntários para votar nas combinações mais precisas para cada frase. Tudo bem, sabemos que não se trata exatamente de uma obra-prima literária, afinal, a linguagem de emoji tem seus limites, não é mesmo? Mas o experimento foi bastante fascinante: eles realmente conseguiram transmitir a ideia geral do enredo.
Emoji Dick, tradução de Moby Dick, de Herman Melville, em emojiFonte
Infelizmente, montar um dicionário definitivo de emojis ou um guia de estilo formal para mensagens de texto é quase impossível. Existem muitas variáveis: idade, contexto, interesses pessoais e círculos sociais. Ainda assim, nunca é demais perguntar aos amigos e entes queridos como eles expressam tons e emoções nas suas mensagens. E aqui vai uma curiosidade: os casais que usam emojis regularmente relatam ter a sensação de estar mais próximos um do outro.
No entanto, se você é um entusiasta de emojis, saiba que seu estilo de escrita é surpreendentemente fácil de falsificar. É muito simples para um invasor reproduzir suas mensagens ou postagens públicas por meio de uma IA para clonar o tom e produzir ataques de engenharia social contra seus amigos e familiares. Portanto, se você receber uma DM frenética ou um pedido de dinheiro urgente como se fosse exatamente do seu melhor amigo, desconfie. Mesmo que a vibe seja parecida, ainda é preciso manter uma postura cética. Aprofundamos a identificação desses golpes de deepfake na nossa postagem sobre o ataque dos clones.
Namoro com uma IA
É claro que, em 2026, é impossível ignorar o tópico dos relacionamentos com a inteligência artificial. Parece que estamos mais perto do que nunca do enredo do filme Ela. Há apenas dez anos, as notícias sobre pessoas namorando robôs pareciam coisa de ficção científica ou lendas urbanas. Hoje, histórias sobre adolescentes envolvidos em romances com seus personagens favoritos no Character AI ou cerimônias de casamento organizadas inteiramente pelo ChatGPT não provocam nada além de uma risada aflita.
Em 2017, o serviço Replika foi lançado, permitindo que os usuários criassem um amigo virtual ou parceiro de vida com tecnologia de IA. Sua fundadora, Eugenia Kuyda, uma nativa russa que vive em São Francisco desde 2010, construiu o chatbot depois que sua amiga sofreu um trágico acidente de carro em 2015 e morreu, restando para ela nada mais do que os registros de bate-papo. O que começou como um bot criado para ajudar a processar sua própria dor acabou sendo liberado para seus amigos e depois para o público em geral. Foi descoberto, então, que muitas pessoas ansiavam por esse tipo de conexão.
O Replika permite que os usuários personalizem os traços de personalidade, os interesses e a aparência de uma personagem. Depois disso, é possível enviar mensagens de texto ou até ligar para ela. Uma assinatura paga desbloqueia a opção de relacionamento romântico, juntamente com fotos e selfies geradas por IA, chamadas de voz com roleplay e a capacidade de escolher a dedo exatamente o que a personagem se lembra das suas conversas.
No entanto, essas interações nem sempre são inofensivas. Em 2021, um chatbot da Replika encorajou, de fato, um usuário na sua trama para assassinar a rainha Elizabeth II. O homem finalmente tentou invadir o Castelo de Windsor, uma “aventura” que terminou com uma sentença de nove anos de prisão em 2023. Após o escândalo, a empresa teve que revisar seus algoritmos para impedir que a IA incitasse comportamentos ilegais. A desvantagem? De acordo com muitos devotos da Replika, o modelo de IA perdeu seu brilho e se tornou indiferente aos usuários. Depois que milhares de usuários se revoltaram contra a versão atualizada, a Replika foi forçada a ceder e dar aos clientes de longa data a opção de reverter para a versão legada do chatbot.
Mas, às vezes, apenas conversar com um bot não é o suficiente. Existem comunidades on-line inteiras de pessoas que realmente se casam com sua IA. Até mesmo os planejadores de casamentos profissionais estão entrando em ação. No ano passado, Yurina Noguchi, 32, se casou com Klaus, uma persona da IA com quem ela estava conversando no ChatGPT. O casamento contou com uma cerimônia completa com convidados, leitura de votos e até uma sessão de fotos do “casal feliz”.
Yurina Noguchi, 32, “casada” com Klaus, uma personagem de IA criada pelo ChatGPT. Fonte
Não importa como seu relacionamento com um chatbot evolua, é essencial lembrar que as redes neurais generativas não têm sentimentos, mesmo que elas se esforcem ao máximo para atender a todas as solicitações, concordar com alguém e fazer tudo o que for possível para agradar. Além disso, a IA não é capaz de pensar de forma independente (pelo menos ainda não). O que acontece é simplesmente o cálculo de uma sequência de palavras estatisticamente mais provável e aceitável para servir de resposta ao prompt.
Amor concebido pelo design: algoritmos de namoro
Quem não está pronto para se casar com um bot também não está tendo uma vida fácil: no mundo contemporâneo, as interações tête-à-tête estão diminuindo a cada ano. O amor moderno requer tecnologia moderna! E, embora as lamúrias sejam ainda bastante comuns: “Ah! Antigamente, as pessoas se apaixonavam de verdade. Mas, agora!? Todo mundo desliza para a esquerda e para a direita, e pronto!” As estatísticas contam uma história diferente. Aproximadamente 16% dos casais em todo o mundo dizem que se conheceram on-line e, em alguns países, esse número chega a 51%.
Dito isso, os aplicativos de namoro como o Tinder despertam algumas emoções seriamente confusas. A Internet está praticamente transbordando de artigos e vídeos alegando que esses aplicativos estão matando as possibilidades de romance e deixando todo mundo solitário. Mas o que a pesquisa realmente diz?
Em 2025, os cientistas conduziram uma meta-análise de estudos que investigou como os aplicativos de namoro afetam o bem-estar, a imagem corporal e a saúde mental dos usuários. Metade dos estudos se concentrou exclusivamente em homens, enquanto a outra metade incluiu homens e mulheres. Aqui estão os resultados: 86% dos entrevistados associaram a imagem corporal negativa ao uso de aplicativos de namoro! A análise também mostrou que, em quase um em cada dois casos, o uso de aplicativos de namoro se correlacionou com um declínio na saúde mental e no bem-estar geral.
Outros pesquisadores observaram que os níveis de depressão são mais baixos entre aqueles que evitam aplicativos de namoro. Por outro lado, os usuários que já lutaram contra a solidão ou a ansiedade geralmente desenvolvem uma dependência de namoro on-line. Eles não apenas entram no aplicativo com o objetivo de construir possíveis relacionamentos, como também para sentir as descargas de dopamina com as curtidas, correspondências e a rolagem interminável de perfis.
No entanto, o problema talvez não seja apenas os algoritmos; talvez isso tenha a ver com as nossas expectativas. Muita gente está convencida de que “a chama do amor” deve arder no primeiro encontro e que todo mundo tem uma “alma gêmea” esperando por eles em algum canto da cidade. Na realidade, esses ideais romantizados só surgiram durante a era romântica como uma refutação ao racionalismo iluminista, onde os casamentos de conveniência eram a norma absoluta.
Também vale a pena notar que a visão romântica do amor não surgiu do nada: os românticos, assim como muitos dos nossos contemporâneos, eram reticentes em relação ao rápido progresso tecnológico, à industrialização e à urbanização. Para eles, o “amor verdadeiro” parecia fundamentalmente incompatível com máquinas frias e cidades sufocadas pela poluição. Afinal, não é por acaso que Anna Karenina encontra seu fim sob as rodas de um trem.
De lá para cá, com todos os avanços tecnológicos em curso, muita gente sente que os algoritmos pressionam cada vez mais as nossas tomadas de decisão. No entanto, isso não significa que o namoro on-line é uma causa perdida. Os pesquisadores ainda precisam chegar a um consenso sobre até que ponto os relacionamentos oriundos da Internet são realmente duradouros ou bem-sucedidos. Conclusão: não entre em pânico, apenas mantenha sua rede digital segura!
Como manter a segurança no namoro on-line
Então, você decidiu hackear o cupido e se inscreveu em um aplicativo de namoro. O que poderia dar errado?
Deepfakes e catfishing
Catfishing é um golpe on-line clássico em que um golpista finge ser outra pessoa. Antigamente, esses golpistas apenas roubavam fotos e histórias de vida de pessoas reais, porém, hoje em dia, eles estão cada vez mais empenhados em aplicar golpes que usam modelos generativos. Algumas IAs conseguem produzir fotos incrivelmente realistas de pessoas que nem existem, e inventar uma história de fundo é moleza (ou deveríamos dizer, um prompt facilita as coisas). A propósito, aquele símbolo de “conta verificada” não oferece nenhuma garantia. Muitas vezes, a IA também consegue enganar os sistemas de verificação de identidade.
Para verificar se alguém está falando com uma pessoa real, é necessário solicitar uma videochamada ou fazer uma pesquisa reversa de imagens nas fotos dela. Se você quiser aprimorar suas habilidades de detecção, confira nossas três postagens sobre como detectar falsificações: desde fotos e gravações de áudio a vídeos deepfake em tempo real, como o tipo usado em bate-papos ao vivo por vídeo.
Phishing e golpes
Imagine o seguinte: você está se dando bem com uma nova conexão há algum tempo e, então, totalmente do nada, a pessoa manda um link suspeito e pede para você clicar nele. Talvez ela queira que você “a ajude a escolher os assentos” ou “compre ingressos para o cinema”. Mesmo que você tenha a sensação de que construiu um vínculo real, existe uma chance de que seu contato seja um golpista (ou apenas um bot) e de que esse link seja malicioso.
Dizer para si mesmo para “nunca clicar em um link malicioso” é um conselho bastante inútil, afinal, os links simplesmente chegam até nós sem nenhum tipo de aviso prévio. Em vez disso, tente fazer o seguinte: para garantir uma navegação segura, use uma solução de segurança robusta que bloqueia automaticamente as tentativas de phishing e impede o acesso a sites suspeitos.
É importante considerar que existe um esquema ainda mais sofisticado conhecido como “abate de porcos”. Nesses casos, o golpista pode conversar com a vítima por semanas ou até meses. Infelizmente, o final é bastante amargo: depois de engabelar a vítima com uma falsa sensação de segurança em um ambiente de brincadeiras amigáveis ou românticas, o golpista casualmente sugere que ela faça um “investimento em criptomoedas imperdível”, e depois desaparece juntamente com os fundos “investidos”.
Swatting e doxing
A Internet está cheia de histórias de horror sobre pessoas obsessivas, assédio e perseguição. É exatamente por isso que postar fotos que revelam onde você mora ou trabalha, ou ainda, fornecer detalhes para estranhos sobre seus pontos de encontro e locais favoritos, é uma roubada. Anteriormente, falamos sobre como evitar ser vítima de doxing, ou seja, a coleta e a divulgação pública das suas informações pessoais sem consentimento. O primeiro passo é bloquear as configurações de privacidade em todas as mídias sociais e aplicativos usando nossa ferramenta gratuita Privacy Checker.
Também recomendamos remover os metadados das suas fotos e vídeos antes da publicação ou envio. Muitos sites e aplicativos não fazem isso por você. Os metadados podem permitir que qualquer pessoa que baixe sua foto identifique as coordenadas exatas de onde ela foi tirada.
Por último, e não menos importante, não se esqueça da sua segurança física. Antes de sair para um encontro, uma precaução inteligente é compartilhar a geolocalização ao vivo e configurar uma palavra segura ou uma frase secreta com um amigo de confiança para mandar uma aviso se as coisas começarem a ficar estranhas.
Sextorsão e nudes
Não recomendamos enviar fotos íntimas para estranhos. Honestamente, não recomendamos essa prática nem mesmo com pessoas conhecidas, afinal de contas, nunca saberemos o que poderá dar errado ao longo do caminho. Mas, se uma conversa seguir para essa direção, sugira mudar para um aplicativo com criptografia de ponta a ponta que seja compatível com a autodestruição de mensagens, por exemplo, excluir após a visualização. Os bate-papos secretos do Telegram são ótimos para isso. Além disso, eles bloqueiam capturas de tela, assim como outros aplicativos de mensagens seguros. Se você vivenciar uma situação desconfortável, confira nossas postagens sobre o que fazer se você for vítima de sextorsão e como remover nudes vazados da Internet.
Recentemente, falamos sobre a técnica ClickFix. Agora, os infratores começaram a utilizar uma nova versão dela, que foi apelidada de “FileFix” pelos pesquisadores. O princípio permanece o mesmo: usar táticas de engenharia social para induzir a vítima a executar um código malicioso involuntariamente em seu próprio dispositivo. A diferença entre o ClickFix e o FileFix está basicamente em onde o comando é executado.
No ClickFix, os invasores convencem a vítima a abrir a caixa de diálogo Executar do Windows e inserir um comando malicioso nela. Já no FileFix, eles manipulam a vítima a colar o comando malicioso na barra de endereços do Explorador de arquivos do Windows. Essa ação não parece incomum para o usuário, afinal a janela do Explorador de arquivos é um elemento bastante familiar, o que faz seu uso ser visto como menos arriscado. Consequentemente, os usuários que não têm conhecimento desse truque em particular estão muito mais propensos a cair na tática do FileFix.
Como os invasores manipulam a vítima a executar seu código
Um ataque FileFix se parece bastante com o ClickFix, ele começa quando o usuário é direcionado, na maioria das vezes através de um e-mail de phishing, a uma página que simula o site de algum serviço on-line legítimo. O site falso exibe uma mensagem de erro, indicando que não é possível acessar a funcionalidade normal do serviço. Para resolver o problema, indicam que o usuário deve executar uma série de etapas para um processo de “verificação de ambiente” ou “diagnóstico”.
Para isso, indicam ao usuário que ele precisa executar um arquivo específico que, segundo os invasores, já está no computador da vítima ou acabou de ser baixado. O usuário só precisa copiar o caminho para o arquivo local e colá-lo na barra de endereços do Explorador de arquivos do Windows. O campo que o usuário foi instruído a copiar realmente mostra o caminho para o arquivo, por isso que o ataque se chama “FileFix”. As instruções indicam que o usuário deve abrir o Explorador de arquivos, pressionar [CTRL] + [L] para ir para a barra de endereços, colar o “caminho do arquivo” pressionando o comando [CTRL] + [V] e depois [ENTER].
E o truque está aqui: apenas as últimas dezenas de caracteres do caminho do arquivo estão visíveis, o comando é bem mais extenso. Há uma sequência de espaços antes do caminho do arquivo, e, antes deles, fica a carga maliciosa que os invasores querem executar. Os espaços são essenciais para garantir que o usuário não perceba nada suspeito depois de colar o comando. Como a string completa é significativamente mais longa do que a área visível da barra de endereços, somente o caminho do arquivo benigno fica visível. O conteúdo verdadeiro só é revelado se as informações forem coladas em um arquivo de texto em vez da janela do Explorador de arquivos. Por exemplo, em um artigo do Bleeping Computer sobre a pesquisa da Expel, o comando real iniciava um script em PowerShell via conhost.exe.
O usuário acha que está colando o caminho de um arquivo, mas a verdade é que o comando contém um script do PowerShell Fonte
O que acontece depois que o script malicioso é executado
Um script em PowerShell executado por um usuário legítimo pode causar diversos problemas. Tudo depende das políticas de segurança da empresa, dos privilégios específicos do usuário e se há soluções de segurança no computador da vítima. No caso mencionado anteriormente, o ataque utilizou uma técnica denominada “tráfico de cache”. O mesmo site falso que implementou a técnica do FileFix salvou um arquivo no formato JPEG no cache do navegador, mas o arquivo comprimido continha um malware. O script malicioso extraiu esse malware e o executou no computador da vítima. Esse método permite que a carga maliciosa final chegue ao computador sem baixar arquivos ou fazer solicitações de rede evidentemente suspeitos, tornando-o bastante furtivo.
Como proteger sua empresa de ataques ClickFix e FileFix
Em nossa postagen sobre o ataque ClickFix, indicamos que a forma mais simples de defesa era bloquear a combinação de teclas [Win] + [R] em dispositivos de trabalho. É raríssimo que um funcionário comum de escritório precise abrir a caixa de diálogo Executar. No caso do FileFix, a situação é um pouco mais complexa, pois copiar um comando na barra de endereços é um comportamento perfeitamente normal.
Não é conveniente bloquear o atalho [CTRL] + [L] por dois motivos. Em primeiro lugar, essa combinação costuma ser usada em vários aplicativos para fins diversos e legítimos. Além disso, não seria totalmente eficaz, pois os usuários ainda podem acessar a barra de endereços do Explorador de arquivos clicando nela com o mouse. Os invasores costumam fornecer instruções detalhadas para os usuários caso o atalho de teclado não funcione.
Portanto, para uma defesa realmente eficaz contra ClickFix, FileFix e esquemas semelhantes, recomendamos antes de mais nada implementar em todos os dispositivos de trabalho uma solução de segurança confiável, que pode detectar e bloquear a execução de código malicioso a tempo.
Em segundo lugar, recomendamos realizar frequentemente uma conscientização de funcionários sobre as ameaças cibernéticas modernas, principalmente os métodos de engenharia social empregados nos cenários ClickFix e FileFix. O Kaspersky Automated Security Awareness Platform pode ajudar a automatizar o treinamento dos colaboradores.
A segurança cibernética nas empresas já não se resume a firewalls e antivírus. O risco real, hoje, não está apenas nos sistemas, mas nas pessoas que os operam. Segundo um relatório do WatchGuard Threat Lab de 2024, 78% dos malwares chegaram às empresas via e-mails de phishing ou downloads enganosos (explorando decisões humanas).
O golpe começa na emoção
Os hackers nem sempre precisam quebrar sistemas complexos para nos enganar. Muitas vezes, eles só exploram nossos sentimentos, nos levando a tomar decisões impulsivas. Medo, pressa, confiança em figuras de autoridade, promessas de recompensa ou até mesmo nossa curiosidade — esses são os truques por trás da maioria dos golpes online.
Um caso envolvendo uma grande empresa de energia demonstrou como ataques bem-orquestrados podem explorar hierarquias organizacionais e dinâmicas de poder. O golpe começou com uma mensagem aparentemente inócua direcionada a um assistente administrativo, usando linguagem que imitava perfeitamente o estilo de comunicação do CEO.
No ambiente de trabalho, esses golpes se aproveitam de três fraquezas comuns: o nosso hábito de obedecer a figuras de autoridade, o medo de errar sob pressão e a vontade de agilizar processos burocráticos. Juntos, esses fatores criam o cenário ideal para que ataques aconteçam.
Como proteger sua equipe: o ponto-chave são as pessoas
A tecnologia sozinha não resolve. É preciso preparar as equipes para reconhecer e evitar armadilhas. Algumas práticas fazem a diferença:
Reconhecer gatilhos emocionais – Ansiedade, urgência e curiosidade em excesso podem indicar tentativas de manipulação.
Aplicar o método SIFT – Pare, investigue a origem, busque informações confiáveis e rastreie a fonte antes de tomar qualquer ação.
Valorizar a pausa – Estimular uma cultura que permita refletir antes de agir ajuda a evitar decisões impulsivas.
Apoiar-se na tecnologia – Filtros de e-mail e ferramentas de monitoramento de comportamento reduzem o impacto quando um erro acontece.
Segurança não é só defesa: é estratégia
O cenário atual exige mais do que respostas rápidas. Organizações atentas estão repensando suas abordagens, trocando modelos reativos por estratégias que integram tecnologia e comportamento humano.
Simulações de ataques adaptadas a diferentes níveis da empresa, validações por múltiplos canais em operações sensíveis e sistemas de monitoramento mais inteligentes são exemplos dessa evolução. Mas o grande diferencial está na união entre especialistas em cibersegurança e profissionais com conhecimento em comportamento organizacional.
Essa visão integrada entende que resiliência digital depende tanto da tecnologia quanto da forma como as pessoas tomam decisões em momentos críticos. Empresas que lideram nesse aspecto mostram que a segurança vai além de evitar ameaças: trata-se de construir uma cultura consciente e preparada.
A proteção mais eficaz nasce justamente dessa combinação, tecnologia de ponta aliada à compreensão profunda da natureza humana.