Pressão geopolítica leva 66% das empresas a ajustarem estratégias de cibersegurança
A instabilidade no cenário internacional impulsionou 66% das organizações globais a reestruturarem suas defesas digitais em resposta à volatilidade geopolítica. Os dados são do estudo Global Cybersecurity Outlook 2026, realizado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Accenture e líderes do setor, que destaca ainda que 94% dos líderes entrevistados identificam a IA como a principal força a remodelar o risco cibernético no próximo ano, elevando o potencial de ataques voltados à espionagem e à interrupção de infraestruturas críticas.
Embora a influência geopolítica nas decisões de segurança digital apresente oscilações, o tema permanece central na agenda estratégica. Na prática, esse cenário acelera a necessidade de integrar a cibersegurança às decisões de infraestrutura e continuidade operacional, especialmente em setores críticos e altamente digitalizados.
Para Rafael Dantas, Head de Cibersegurança da TLD, empresa brasileira especializada em tecnologia, a digitalização acelerada, especialmente no setor público, trouxe ganhos expressivos de eficiência, mas também reforça a necessidade de reforçar a segurança para possíveis ataques em sistemas e dados estratégicos. “A cibersegurança não pode mais ser vista apenas como um suporte técnico; ela deve integrar a arquitetura das infraestruturas tecnológicas para assegurar a continuidade de serviços essenciais e a soberania digital das instituições”, comenta.
Nesse contexto, falhas de proteção podem gerar impactos sistêmicos, desde a interrupção de serviços públicos essenciais até o vazamento de dados sensíveis de milhões de cidadãos. Especialistas reforçam que a salvaguarda dessas estruturas deve ser tratada como um pilar fundamental da infraestrutura nacional.
Os dados reforçam a relevância do tema. De acordo com dados do relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026 da Fortinet® (NASDAQ: FTNT), líder global em cibersegurança que impulsiona a convergência entre redes e segurança, o Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques ao longo de 2025, revelando que o cibercrime funciona como um sistema, com hackers criminosos atuando em todo o ciclo de vida do ataque e finalizando com agentes ocultos.
O volume coloca o Brasil entre os países mais visados da América Latina, evidenciando que a ameaça é também local e crescente. Setores como financeiro, governo e saúde seguem como os principais alvos, dada a criticidade dos dados que concentram e a dependência de sistemas digitais para a operação de serviços essenciais.
A combinação entre tensões geopolíticas, adoção acelerada de IA e lacunas de maturidade em segurança cria um ambiente de risco multidimensional, que exige das organizações uma postura cada vez mais proativa e estratégica.
“Enquanto as ameaças evoluem com o apoio de inteligência artificial e financiamento estruturado, muitas organizações ainda reagem de forma reativa. O momento exige uma mudança de mentalidade: cibersegurança precisa estar na mesa das lideranças executivas, com orçamento, governança e visão de longo prazo como vantagem competitiva e requisito de soberania”, conclui.